A Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (ABEFI) chegou à sua 20ª unidade institucional. O novo serviço, denominado Família Acolhedora Novos Laços, foi lançado no dia 11 de agosto, em Esteio, e será executado pela instituição em parceria com a Prefeitura Municipal. A iniciativa tem como objetivo oferecer acolhimento temporário, em ambiente familiar, a crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por determinação judicial.
O lançamento reuniu autoridades, representantes do Sistema de Garantia de Direitos e integrantes da rede de proteção no Salão de Atos da Prefeitura de Esteio. Durante o encontro, foram apresentados detalhes sobre o funcionamento do serviço, que integra a Política Municipal de Assistência Social e prioriza o acolhimento em ambiente familiar como medida protetiva, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A diretora do Família Acolhedora Novos Laços, Gabriele Paludo, destacou que o serviço não tem a intenção de substituir a família de origem, mas oferecer cuidado e segurança durante um período de reorganização da vida da criança ou do adolescente. “Ela vem para ser presença enquanto uma outra história está sendo reorganizada. As famílias aptas não estarão só abrindo as portas de suas casas, mas abrirão possibilidades para crianças e adolescentes, para que elas atravessem um tempo difícil em suas vidas, criando vínculos, celebrando conquistas e vivendo aquilo que toda a infância deveria viver”, frisou.
Para o diretor-geral da ABEFI, Altemir Labes, a implantação do serviço marca um momento significativo para a instituição, que completou 58 anos no dia 6 de agosto e agora amplia sua atuação para 20 unidades institucionais. “Ser Família Acolhedora é aguardar ansiosamente a chegada da criança. É ganhar olhares, sorrisos, choros e abraços, sem precisar pedir”, ressaltou, destacando também a importância e o desafio assumido pela ABEFI com a nova parceria.
O promotor de Justiça Rodrigo Mendonça ressaltou os desafios envolvidos na implantação do serviço e a importância da atuação conjunta da rede de proteção. “É o caminho mais difícil, mas que renderá os melhores frutos e consolidará o esteio mais forte para comunidade esteiense e, em especial, para as crianças e adolescentes. O Ministério Público estará ao lado de todos aqueles que trabalham para garantir que nossas crianças e adolescentes tenham não apenas seus direitos básicos assegurados, mas também aquilo que nenhuma criança deveria precisar pedir, que é afeto, pertencimento e uma família”, afirmou.
A titular da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos, Katiane Marques, também destacou a parceria entre o Município, o Ministério Público e a ABEFI. “Hoje, nós já conseguimos garantir o direito de muitas crianças e adolescentes. Hoje, conseguimos atendê-las com qualidade. Mas nós vamos conseguir fazer ainda muito melhor com esse programa, que vem para oferecer à criança e ao adolescente a oportunidade de viver aquilo que deveria ser um direito de todos: sentir-se cuidado, protegido e amado”, declarou.
O vice-presidente da Câmara de Vereadores, Guilherme Welter, enalteceu a importância da iniciativa, que ele acredita que será referência para outros municípios. “Este programa será lindo e será exemplo para todo o Estado do Rio Grande do Sul”, afirmou.
O prefeito de Esteio, Felipe Costella, classificou a implantação do serviço como a iniciativa “mais desafiadora” de sua gestão. Segundo ele, o sucesso do programa está sustentado em três pilares: a vontade política do poder público, o respaldo legal do Judiciário e o engajamento da população. “As crianças não precisam apenas de um lar ou de um teto. Precisam de segurança, de um colo, de um abraço, de um almoço de domingo sentado à mesa. Elas precisam se sentir amadas. É isso que a Família Acolhedora precisa proporcionar: abrir a porta da sua casa, mesmo que temporariamente, para fazer com que essas crianças saibam o que é ter uma família”, afirmou.
Como será executado
O Família Acolhedora Novos Laços será executado por meio de parceria entre a ABEFI e a Prefeitura de Esteio. Uma equipe exclusiva, formada por coordenação, assistente social e psicóloga, todas com experiência nessa modalidade de serviço, atuará diretamente no programa, em uma sala disponibilizada pela Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos.
A equipe trabalhará em permanente articulação com a Referência Técnica da Proteção Social Especial, responsável pelo monitoramento e acompanhamento da política pública, conforme estabelece a legislação municipal.
Entre as atribuições estão a seleção e capacitação das famílias acolhedoras; o acompanhamento psicossocial das famílias acolhedoras, das famílias de origem e das crianças e adolescentes; além da articulação com o Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho Tutelar e demais integrantes da rede de proteção.
A implantação do Programa Família Acolhedora foi possível graças aos recursos captados junto ao Programa Amigo de Valor, do Santander. O investimento foi conquistado pelo Município em 2025 e será utilizado para viabilizar a estrutura necessária à implantação e execução do serviço em 2026, contemplando equipe técnica, estrutura física, capacitações e materiais.
Como ser uma Família Acolhedora
A Família Acolhedora poderá receber uma criança ou adolescente afastado de sua família de origem por decisão judicial, pelo período de até 18 meses. Ao final do acolhimento, a criança ou o adolescente poderá retornar à família de origem, ser encaminhado para acolhimento institucional ou ser encaminhado para adoção, conforme a avaliação e as determinações dos órgãos responsáveis.
Para se inscrever, é necessário atender a critérios estabelecidos pelo serviço, entre eles não possuir vínculo de parentesco com criança ou adolescente em processo de acolhimento, não estar em processo de adoção, ter idade superior a 24 anos e não apresentar comprometimentos físicos ou mentais que impossibilitem o cuidado, entre outros requisitos.
As famílias selecionadas participarão de capacitações e receberão mensalmente bolsa-auxílio equivalente a um salário-mínimo nacional. O recurso tem como finalidade custear despesas relacionadas à alimentação, higiene, vestuário, material escolar e outras necessidades diretamente ligadas ao desenvolvimento físico, mental e social da criança ou do adolescente acolhido.
O valor poderá ser ampliado em 30% nos casos de acolhimento de crianças ou adolescentes com deficiência física ou mental ou com doença grave, devidamente comprovada por laudo médico.
Etapas para se tornar uma Família Acolhedora
- Inscrição: preenchimento de formulário para manifestar interesse e conhecer mais sobre o serviço.
- Primeiro atendimento: encontro com a equipe técnica para esclarecer dúvidas e formalizar a inscrição.
- Análise documental: verificação da documentação necessária para o cadastro.
- Estudo psicossocial: realização de entrevistas e visitas domiciliares pela equipe técnica para conhecer a dinâmica familiar e avaliar a preparação para o acolhimento.
- Capacitação: participação em formação sobre a experiência, as possibilidades e os desafios do acolhimento familiar.
- Devolutiva e habilitação: formalização do cadastro da família, tornando-a apta a participar do serviço e acolher uma criança ou adolescente.
Texto: Edson Luís Schaeffer/Comunicação ABEFI e Comunicação Prefeitura de Esteio
Fotos: Edson Luís Schaeffer/Comunicação ABEFI