Celso Nicolau Kerber, 47 anos, natural de Brochier/RS, é casado com Marisa Gomes Kerber. O casal tem três filhas, Liara, Carolina e Maria Eduarda. Bancário no Banco do Brasil e Agricultor nas horas vagas, Celso foi militar do Exército (Sargento) por dez anos. Na IECLB, o membro da Comunidade de Novo Paris, Paróquia de Linha Pinheiro Machado, já foi Secretário e Presidente da Comunidade e da Paróquia, Tesoureiro da Paróquia, representante da Paróquia no Conselho Sinodal, fez parte do Conselho Fiscal da Comunidade, da Paróquia e do Sínodo e, atualmente, está no Conselho Fiscal da Comunidade e da Paróquia, além de ocupar o cargo de Vice-Secretário da Diretoria do Sínodo Nordeste Gaúcho.
Como luterano, a sua fé se apresenta de que maneira no dia-a-dia?
Como todo ‘bom luterano’, sou um pouco tímido no que se trata em expor a fé no dia-a-dia, mas isso não significa nem um pouco que somos fracos na fé. Sinto-me mais próximo de Deus quando estou trabalhando a terra, nos pequenos milagres de todos os dias da natureza.Sou consciente de que essa maneira de ser nos atrapalha na hora de fazer missão. Somos voltados mais para dentro da família e da Comunidade.
Qual é o foco das suas atividades na Comunidade, na Paróquia e no Sínodo?
Meu trabalho na Comunidade e na Paróquia está mais voltado para o lado administrativo, estrutura e organização. Por exemplo, na Paróquia, depois de muito esforço, conseguimos fazer um cadastro dos membros. Parece uma coisa básica, mas sei que muitas Comunidades e Paróquias ainda não têm um cadastro atualizado (quem somos e quantos). No Sínodo, me sinto fazendo parte de um grupo bem coeso e estou para contribuir no que for preciso.
Quais são as dificuldades observadas nas suas atividades como IECLB no Sínodo Nordeste Gaúcho?
Sinto dificuldades quando o assunto é missão, pois ainda somos uma Igreja voltada demais para o próprio umbigo. Tenho a impressão que nossa mensagem sempre está dirigida somente aos nossos membros, quando deveria ficar evidente que é dirigida a todos e todas. Particularmente, estou muito preocupado com a preservação da Criação como um todo. A Igreja não está assumindo a responsabilidade que tem em relação à preservação do meio ambiente. Já está suficientemente comprovado que estamos destruindo a Criação. Como Igreja do Criador, vamos ficar só assistindo?
O que imagina que a nossa Igreja deveria fazer nesse sentido?
Em primeiro lugar, é preciso conscientizar cada membro sobre a sua responsabilidade e não se deixar levar pelo arrastão do consumismo sem critérios. Devemos ter consciência que quem conduz o mercado não é quem produz e sim quem consome. Se todos optarem por comprar a erva-mate embalada em papel, a embalada à vácuo deixará de ser produzida, por exemplo.
Por que a maioria das pessoas não vê a ‘causa do planeta’ como a sua causa?
Porque existem interesses econômicos em jogo. É necessário consumir ou produzir o máximo. O que importa sempre é o resultado financeiro e se passa a idéia de que a solução está nas mãos dos governantes. No entanto devemos mudar a atitude individualmente. Uma empresa cujo produto é o derivado do petróleo, um dos maiores responsáveis pelo desequilíbrio da atmosfera, posa de ‘a grande protetora da natureza’ na mídia. Isso confunde mais ainda as pessoas.
Na sua opinião, qual é o papel da Igreja junto à sociedade?
Uma vez que a humanidade segue seus próprios caminhos se orientando mais por costumes, civilizações nascem e são destruídas. A Igreja, sem se deixar influenciar pelos costumes e tradições, deve estar sempre presente para lembrar à sociedade da orientação que Deus nos deixou por meio do seu Evangelho.
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‘Pedido de socorro’ da natureza e dicas para proteger o planeta
A palavra ‘fonte’ tem um significado muito pesado, não importa que fonte. A fonte é ‘origem, nascente de onde tudo vem’, sendo assim precisa ser tratada com respeito, mas não é o que está acontecendo com as fontes de água. É delas que nascem os córregos, os rios, ou seja, nossa água, a vida. Elas estão desaparecendo. É só perguntar aos pequenos produtores rurais. A maioria das fontes está enfraquecendo, algumas até secando! É incrível o que está acontecendo: desmatam, queimam, passam herbicida (tóxico) por cima das fontes, não respeitam os córregos… Nós entendemos o peso da expressão ‘A fonte secou’.
Comportamentos simples que cada cidadão deveria adotar para cuidar do planeta: é tão importante não jogar papel de bala no chão como não comprar nada de empresas não compromissadas com a preservação. Apesar de ser um produtor que segue as orientações da agricultura ecológica, não participo de feiras de produtos ecológicos. Então, essa dica não é no meu interesse próprio: pediria que, na medida do possível, mais atenção fosse dada aos produtos produzidos por esses agricultores ecológicos, pois, além de preservar a nossa saúde, estaremos ajudando a preservar a saúde do planeta.