Os objetivos e metas para ajudar a IECLB a crescer consistem em:
– Subdividir as paróquias grandes.
– Concentrar as forças na formação de comunidades que envolvem os membros e promovem a participação em grupos e atividades, dando-lhes um sentimento de pertença.
– Acabar com o sistema de anuidades fixas, contribuições escalonadas pela Diretoria, inadimplência, e motivar a contribuição livre e espontânea.
– Investir no trabalho com jovens!
– Manter uma identidade luterana clara e reta, e combater a Teologia do “Deus é um só.”
– Desenvolver uma pastoral urbana para os grandes centros urbanos e as cidades médias.
– Nunca esquecer: Somente o membro que está presente na Igreja conta realmente.
Estas são convicções apontadas na Semana Acadêmica do bacharelado em Teologia da EST pelo ex-secretário geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) pastor Dr. Gerd Uwe Kliewer. No dia 17 de maio ele enfocou o tema: “O que a estatística pode contribuir para orientar o esforço missionário da IECLB?”, dados conclusivos de seu projeto de pesquisa “IECLB – Perfil e Tendências: Estudo e Análise de seus Dados Estatísticos”.
“O melhor instrumento para atrair membros de fora são as próprias comunidades, junto com seus obreiros, naturalmente. Uma comunidade ativa, dinâmica, acolhedora e participativa, com proposta, é muito mais poderosa que o melhor evangelista”, garante Kliewer.
Gerd Uwe Kliewer: “É preciso motivar a contribuição livre e espontânea” – Foto: Ingelore S. Koch/EST
Na analise de Kliewer, na sociedade atual, a pessoa é ensinada a optar, a decidir-se entre ofertas diferentes, a escolher conforme as suas necessidades imediatas ou não, a descartar o que lhe parece supérfluo e a abandonar o que lhe parece obsoleto; é forçada a adaptar-se a ambientes novos e a viver em relações sociais diferentes. Este fenômeno atingiu também a religião. Prática religiosa, pertença a uma “religião”, a uma igreja, tornou-se opcional e é motivada pelas circunstâncias. Mais e mais, viver “sem religião” tornou-se uma opção possível e aceita, como também “mudar de religião”. A IECLB, portanto, afirma Kliewer, não tem nenhuma garantia de que as crianças que ela batiza anualmente serão seus membros no futuro. Somente aquelas pessoas que ela conseguir atrair, socializar e dar-lhes um sentido para a vida, integrarão as suas fileiras.
POR QUE A IECLB NÃO CRESCE? – Segundo Kliewer, são fatores que impedem o crescimento da IECLB:
– A taxa de batismos está caindo para menos de 1% dos membros e a taxa de sepultamentos está aumentando para ultrapassar 1%. Enquanto a taxa de nascimentos da população da IECLB é menos que a metade da população da IECLB, a mortalidade dos membros da IECLB é 60% maior que a da população em geral.
– No Rio Grande do Sul, os batismos mal compensam os óbitos. O mesmo efeito acontecerá em Santa Catarina, com retardamento de poucos anos.
– A IECLB perde os jovens. Dezoito anos após a confirmação, apenas 54% dos confirmandos e das confirmandas continuam filiados à IECLB (e pouco mais que a metade participa da vida comunitária). Nos grandes centros apenas 37% continuam filiados à IECLB (e destes 41% participam da vida comunitária, isto é, de 100 confirmandos, após 20 anos, 15 participam da comunidade)
– O maior predador de membros da IECLB é a Igreja Católica, sem que ela faça muito esforço neste sentido.
Com o tamanho da paróquia, os problemas apontados se agravam, expõe Kliewer. Ele está convicto de que a IECLB precisa, com urgência, desenvolver métodos de trabalho que integram as pessoas que ela batiza à vida comunitária.
A IECLB ESTÁ MAIS PRESENTE NAS REGIÕES SEM DINÂMICA – Em termos demográficos, a IECLB mantém o seu caráter rural. Conforme o Censo de 2000, entre as pessoas que se declaram luteranas, a taxa das que vivem na área rural é o dobro da população em geral. Tem maior presença nos municípios rurais e do interior. Estes municípios, em sua maioria, têm pouca dinâmica econômica, a média de idade da população é alta, porque os jovens saem para procurar atividades melhores em centros maiores.
Nas cidades grandes em que a IECLB tem paróquias, a sua presença em termos numéricos é inexpressiva. Na área metropolitana de Porto Alegre chega a 1,9%, na de Curitiba 0,4%. Em Vitória há apenas um membro da IECLB para cada 1000 habitantes.
Observa-se, ainda, que a IECLB consegue marcar presença mais significativa em algumas cidades médias com economia mais pujante.
Quanto maior a paróquia, menor, em termos proporcionais, é a participação na vida comunitária, aponta Kliewer. Esta regra tem poucas exceções.
– Paróquias com menos de 1000 membros batizados apresentam geralmente nível de participação maior que aquelas com mais de 1000 membros, e as de 1000 a 2000 membros ainda apresentam nível maior que as de mais de 2000 membros. (excetuam-se paróquias outrora grandes que se tornaram pequenas por migração e evasão)
– A participação na vida comunitária aumenta, em média, do Sul para o Norte.
– A colocação de mais um pastor ou uma pastora numa paróquia grande pouco aumenta o nível de participação, pois acabam trabalhando o mesmo grupo que já estava participando.
PARTICIPAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO – No levantamento sobre participação e contribuição de 2002, por sínodo, os dados da pesquisa de Kliewer apontam, “com nitidez cristalina”, a relação entre o nível de participação na vida comunitária e a arrecadação de recursos financeiros. Onde os membros se encontram no culto, nos grupos e outras atividades, recursos para a manutenção do trabalho não faltam.
Os sínodos com o maior nível de arrecadação são os que têm o índice mais elevado de paróquias pequenas. Nas paróquias pequenas não é possível dividir o custo simplesmente entre os membros. Levaria à exclusão dos menos abastados. Por isso, essas paróquias praticam a contribuição espontânea e responsável, motivando cada membro a dar conforme a sua capacidade financeira. Disso resulta um nível de contribuição muito mais alto
que o conseguido com contribuição fixa. O que vale para a participação, vale também para a contribuição: do Sul para o Norte o valor da contribuição financeira por membro aumenta.
Segundo Kliewer, os dados apresentados evidenciam que a reprodução “natural” (pelo batismo e integração dos descendentes) não garante mais a continuidade da IECLB. Se ela quer manter o seu número de membros ou até crescer, ela precisa atrair pessoas de fora das suas fileiras e integrá-las na suas comunidades.
A Semana Acadêmica da EST realizou-se de 14 a 19 de maio, e no dia 15 Gerd Uwe Kliewer também fez a apresentação pública da pesquisa sobre ex-alunos e ex-alunas da EST. (Fonte: Texto da palestra – edição: Ingelore S. Koch)