Em que momento descobriu a sua vocação para o Ministério Pastoral?
Foi na época em que participava da JE em Timbó, aos 16 anos, o que se reafirmou quando trabalhei no Hospital OASE/Timbó, dois anos depois. Sempre estive muito próxima da diaconia e, durante a formação teológica, frequentei diversos seminários com ênfases em movimentos populares e pastorais da mulher e da saúde. Há 12 anos, venho me especializando no atendimento às pessoas com dependência química, pessoas com deficiência e os seus familiares, além de enfermos, enlutados e desempregados. Em 1991, já formada, fui trabalhar, como Assistente Paroquial, na Paróquia de Novo Hamburgo/RS, na Missão Roselândia, que visava à formação de um Ponto de Pregação e ao atendimento a crianças. Paralelamente, fazia atendimento pastoral no Centro Cristão Feminino, que atendia mulheres gestantes, de alto risco social. Depois, passei a integrar a Comunidade de Joinville, atuando na Missão Profipo, que auxiliei a se tornar a Comunidade Bom Samaritano. Desde 1999, o meu Pastorado está voltado ao atendimento de enfermos no seu âmbito social, psicológico e físico, além de atuar na capacitação de agentes solidários para as Paróquias. Também sou Assessora do curso Vida no limiar da morte, no tema ´Eu e minha morte´.
Como funciona a preparação das pessoas que são capacitadas a trabalhar nestas áreas?
Temos reuniões mensais e duas capacitações anuais, além de motiválas a participar do que é oferecido em nível sinodal. Estudamos o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), os textos da Diaconia em Ação e outros materiais disponibilizados pela Secretaria da Ação Comunitária, além de artigos específicos para acompanhamento a enfermos, hospitalizados ou não. Tentamos fazer a supervisão dos agentes solidários, de forma coletiva e individual, mensalmente. O Agente Solidário, nas suas atitudes de acolher e ouvir, deve transparecer o que a Palavra faz na sua própria vida. A Palavra viva, às vezes, transmite mais em um olhar e no ´estar ao lado´ do que no muito falar.
De que maneira levar a Palavra aos que sofrem?
Acolher, ouvir, disponibilizar tempo, estar ao lado do outro: Palavra viva e vivida na sua integralidade e não apenas no seu falar. Falar a Palavra sempre depende da pessoa que se encontra em sofrimento, seja ele físico, espiritual, emocional ou social. A Palavra resgata o ‘ser filha e filho de Deus’, o sentido da vida no ato de amor maior de Deus nos perdoar. Deus caminha eternamente com os seus filhos e as suas filhas. Deus enviou Jesus para amar. Estar ao lado de pessoas que enfrentam situações extremas é lembrar desta filiação, da graça imerecida, mas eterna, é exercitar o amor na presença, no acolher, é levantar todas as manhãs e dizer Deus, se depender de mim, Tu sabes que eu não conseguirei, por isto toma em teus braços a mim e a todos que neste dia eu encontrar. Dá-me sabedoria e amor. Tudo o que fazemos por amor, em amor por nós e pela outra pessoa, não tem como nos deixar triste. É muito bom crer em Jesus Cristo e praticar o amor que Ele ensinou.