Olga Suiter, 60 anos, paulista de Vila Campo Grande, é Assistente Social. Membro da Paróquia de Vila Campo Grande-Diadema, região sul de São Paulo, atualmente é Secretária no Presbitério, 2º Secretária na União Paroquial de São Paulo e Secretária no Sínodo Sudeste.
Qual é a sua caminhada na IECLB?
Minha participação na Igreja se dá desde os tempos de juventude, nos anos 70, quando tínhamos as escolas de líderes coordenadas pelo P. Martin Hiltel. Comecei a atuar mais ativamente na coordenação da Comunidade a partir de 1986, quando a nossa Comunidade se estruturou, deixando de ser Ponto de Pregação. Fui Presidente da Comunidade, representante no antigo distrito e na região. Nesse período, foi sedimentada a estrutura da nossa Paróquia, com a opção de atender não só as famílias luteranas, mas desencadear uma ação social na região.
Há projetos especiais sendo desenvolvidos na Comunidade Vila Campo Grande?
Estamos desenvolvendo o trabalho missionário que abrange a região sul de São Paulo com perspectivas para a região de Diadema que faz divisa com a nossa área de atuação e tem famílias luteranas afastadas da Igreja. Temos também uma grande demanda de famílias objeto da nossa atuação diaconal por meio do trabalho do Centro Social Sal da Terra.
A sua profissão auxilia no trabalho na Igreja?
Sou Assistente Social de formação e sempre senti que, no exercício da minha profissão, estava a possibilidade de porem prática a minha fé em Deus. Creio que, na minha atuação na Igreja, sempre tenho a possibilidade do exercício do respeito pelo ser humano e do atendimento a necessidades básicas que não são atendidas pela sociedade. Nesse sentido, entendo que devemos ser Igreja na Palavra, mas também na ação.
No seu dia-a-dia, qual é o espaço para a fé?
Sinto a minha fé no dia-a-dia no contato com as pessoas da Comunidade, família, amigos, vizinhos. Nesse contato, exercito a fé na compreensão de necessidades, problemas e alegrias compartilhadas. Também participo dos cultos, grupo de mulheres e estudo bíblico, que são momentos de reflexão e renovação da fé.
Existe uma ‘causa’ pessoal para participar das atividades administrativas da IECLB?
Desde que comecei a fazer parte do Presbitério da minha então Comunidade de Vila Campo Grande, senti que temos responsabilidade não só em nível de Comunidade, mas nas esferas maiores. Em São Paulo, temos a União Paroquial, que administra todas as Paróquias e tem também a função de ser elo e apoio. Assim entendo a Igreja, com todas as células unidas, desde o menor Ponto de Pregação até a Paróquia mais organizada e estruturada, a UP, o Sínodo e a IECLB. Sempre foi uma alegria participar ativamente da vida comunitária na minha Igreja e o trabalho diaconal também me gratifica muito, pois, como já disse anteriormente, entendo que a fé passa pela ação e, principalmente, a ajuda a pessoas que não tiveram acesso a educação e bem-estar .
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Centro Social Sal da Terra
O Centro Social Sal da Terra foi criado em função da necessidade de uma atuação mais concreta na região onde está localizada a Comunidade de Vila Campo Grande. Ao lado de ser uma Igreja que prega a Palavra, havia a necessidade da ação social, por isso o Centro Social foi criado para atender os moradores do bairro na área social.
Paralelamente, surgiu a proposta da Oficina de Paramentos, com a coordenação, na época, de Karin Rosenbaum, que criou os desenhos iniciais e organizou toda a montagem do trabalho. A Oficina atende mulheres carentes servindo como geração de renda por meio do trabalho de bordado e costura e o Centro Social atende famílias carentes da região, crianças e adolescentes na área socio-educativa e oferece cursos de educação de adultos, além de cursos de idiomas.
Na região, existem dificuldades próprias da periferia das grandes cidades. As famílias não moram próximas à Igreja e as distâncias, associadas ao trânsito e à insegurança, afastam as pessoas da Igreja. Há dificuldades em organizar atividades à noite. Também é possível perceber que a vida na cidade grande afasta as pessoas do convívio social e da Igreja, devido à necessidade de sobrevivência.