Crianças parceiras – O nascimento de uma criança é motivo de alegria. É comum, depois do seu nascimento, o pai, a mãe ou a pessoa responsável pelo bebê procurarem a Igreja para batizá-lo. Ao levar a criança até a pia batismal, a família e a Co- munidade assumem o compromisso de dar condições para que ela cresça em um ambiente cristão, cercada de amor e afeto.
Educar as crianças na fé é uma tarefa desafiante, que pede coerência. No seu livro Criança é presente: hermenêutica bíblica na perspectiva das crianças, a Pastora Regene Lamb afi rma que temos dificuldades de entender que a criança não é um ‘adulto em miniatura’ ou alguém que ‘treina para a vida adulta’. Não raras vezes, nós falamos sobre as crianças sem, contudo, ouvi- las ou mesmo enxergá-las. As crianças são pessoas com direitos próprios e necessitam ser vistas como parceiras no anúncio do Evangelho. Para isso, precisamos nos perguntar pelo espaço que estamos dando a elas e o quanto as conhecemos de fato.
Um exemplo bastante comum acontece nas nossas Comunidades. As nossas celebrações são voltadas para o público adulto e os nossos prédios não possuem instalações adequadas para as crianças. O trabalho com as crianças, em muitos lugares, precisa ser adaptado dentro de uma estrutura voltada para as pessoas adultas. Isto revela a visão que ainda temos das crianças, ou seja, uma visão ‘adultocêntrica’. O Educador Paulo Freire, com sabedoria, afirmava: ‘Ninguém educa ninguém, as pessoas se educam em comunhão’. Esta afirmação não nos exime do compromisso de educar as nossas crianças na fé, mas também indica que nós podemos aprender com elas. Elas também têm algo a nos ensinar. Elas também são protagonistas do Reino de Deus.
A participação ativa das crianças é algo importante na Bíblia. Nos Evangelhos, encontramos um belo exemplo. Em resposta a uma pergunta dos discípulos sobre quem é mais importante no Reino do Céu, Jesus inverte uma lógica do mundo adulto. Quando ele põe uma criança no centro como modelo do Reino, ele questiona o conceito de poder dos seus discípulos e aponta para a inclusão e a participação de todas as pessoas.
As crianças, como parte da Comunidade, são chamadas para também serem anunciadoras do Evangelho. Não renovaremos o mundo sem elas. Esta constatação exige de nós relações diferentes e abertura para adentrarmos no universo delas. Esta viagem neste universo, com certeza, trará mais leveza para o nosso mundo adulto, tão endurecido e carente de relações despojadas e alegres. Adélia Prado, Poetiza mineira, em um dos seus poemas, traduz, em poucas palavras, o que foi delineado acima: Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande.

Cat. Maria Dirlane Witt , Secretaria de Formação – Coordenação de Educação Cristã, em Porto Alegre/RS