A criança e o lúdico – Brincar é uma necessidade para o desenvolvimento saudável da criança. A brincadeira não é somente um passatempo, mas um meio pelo qual a criança aprende a viver no mundo e a interagir com as pessoas. As brincadeiras oportunizam às crianças a vivência de sentimentos e sensações que são fundamentais para o seu crescimento. Ao experimentar sentimentos como alegria, medo, expectativa, surpresa, esperança e desapontamento durante as brincadeiras, as crianças vão elaborando conceitos, definindo valores, testando os seus limites e as suas potencialidades.
Quando uma criança brinca de ‘faz de conta’, ela cria uma situação imaginária e assume o papel de uma pessoa da sua convivência, Professora, Professor, mãe ou pai, por exemplo, imitando o seu comportamento. Relações de confiança ou desconfiança, de diálogo amoroso ou de autoritarismo serão parâmetros para ela definir a sua postura diante do mundo e das pessoas.

Na sequência, narro uma cena que observei há algum tempo e que me levou a refletir sobre como as brincadeiras espelham o mundo das pessoas adultas. Algumas crianças disputavam um pequeno espaço no pátio da casa dos avós, que se localizava entre um muro e algumas plantas. O espaço tinha um telhadinho improvisado, algumas tábuas no chão e todos os objetos que ambos os grupos haviam conseguido reunir para a brincadeira. Para um grupo, o espaço era a ‘casinha’ e para o outro, o ‘clubinho’. O espaço havia sido ocupado pelo grupo do ‘clubinho’, pois o grupo da ‘casinha’ o havia abandonado por algum tempo. Depois de argumentação e conversa, os dois grupos chegaram a um acordo, decidindo dividir o espaço e fazer um contrato por escrito sobre o uso do local. Assim foi feito e o contrato, assinado.
Na situação narrada, ninguém queria perder o seu espaço e, por meio do diálogo, chegaram a um acordo, embora tenha sido necessário a utilização de um registro por escrito, o contrato assinado. Nesse caso, as crianças buscaram, a partir dos seus próprios recursos, a solução do conflito. Esta situação possibilitou que elas experimentassem diversos sentimentos com os quais tiveram que lidar até chegar a um acordo e permitiu que as crianças testassem as suas habilidades e identificassem os seus limites.
Para viver a infância de forma livre e por inteiro, a criança necessita de espaços para brincar sozinha e também com os seus pares, fazendo novas experiências e criando novos mundos por meio do faz de conta. Assim, é fundamental que nós, pessoas adultas, estimulemos o brincar da criança nos diferentes espaços: em casa, na praça, na escola, na vizinhança e nos encontros comunitários. Este estímulo favorecerá, de forma saudável, uma infância mais plena e feliz.

Cat. Ma. Débora Raquel Klesener Conrad, Secretária de Formação da IECLB