No dia 7 de maio, o curso de Biblioteconomia da FURG recebeu o 3º Encontro Ecumênico com a presença de várias expressões religiosas. A atividade aconteceu no Auditório Oceanos, no CIDEC-Sul. O diálogo abordou três temas: a responsabilidade nas redes sociais, a relação entre ter e ser e a esperança em tempos difíceis.
Cada participante teve seu momento de compartilhar. Da perspectiva Luterana, o Ministro Missionário Felipe Milani discorreu sobre os assuntos:
Fé e responsabilidade nas redes sociais
1) Hoje recebemos muitas informações pelas redes sociais. Nem tudo é verdadeiro. Na visão da fé luterana, qual é a nossa responsabilidade quando recebemos ou compartilhamos uma informação?
Na tradição luterana, verdade e cuidado com o próximo caminham juntos. Ao explicar o Oitavo Mandamento — “Não dirás falso testemunho” —, Martim Lutero ensina que devemos evitar a calúnia e a difamação. Além disso, ele nos orienta a defender o próximo, falar bem dele e interpretar suas ações da melhor maneira.
Essa orientação também vale para a comunicação digital. Antes de compartilhar uma informação, podemos perguntar: ela é verdadeira? Conheço a fonte? Minha atitude ajuda ou fere alguém? Milani relacionou também o mandamento aos desafios atuais, como a inteligência artificial, a ansiedade, a saúde mental, o uso das redes e os movimentos de desconexão.
O que vale mais: ter ou ser?
2) Vivemos em um mundo onde muitas vezes as pessoas valorizam mais o ter (dinheiro, bens) do que o ser (valores, caráter). Na sua religião, o que é mais importante? E como podemos viver isso no dia a dia?
A reflexão do Ministro da IECLB recordou a crítica de Lutero à ganância, à usura e às fraudes, presente no escrito Comércio e Usura, de 1524. Em seu contexto histórico, Lutero observou como práticas econômicas podiam apresentar a exploração como algo justo. Essas desigualdades atingiam especialmente pessoas pobres, famílias de baixa renda e pessoas desempregadas.
As referências bíblicas ajudaram a aprofundar o tema. Em 1 Timóteo 6.10, a advertência recai sobre o amor ao dinheiro. Já a parábola do rico insensato, em Lucas 12.16-21, questiona a segurança baseada apenas na acumulação. Em contraste, Jesus anuncia vida em abundância (João 10.10). Por isso, a fé também nos chama a cuidar dos bens com responsabilidade, promover equidade e auxiliar quem mais precisa.
Esperança que se torna ação
3) Em tempos difíceis, muitas pessoas se sentem sem esperança. Na sua religião, onde podemos encontrar esperança e como podemos mantê-la viva no nosso dia a dia?
Na fé luterana, ela nasce da graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Portanto, não depende de tudo estar bem: apoia-se na confiança de que Deus permanece conosco também nos momentos de dor.
Milani citou a conhecida frase de Lutero: “Mesmo que eu soubesse que amanhã o mundo acabaria, hoje ainda plantaria uma macieira.” A imagem da árvore expressa uma esperança que continua agindo e semeando vida, mesmo diante das incertezas.
No dia a dia, podemos manter essa esperança viva de muitas formas. A participação na comunidade de fé, a gratidão pelas pequenas dádivas e o serviço ao próximo fortalecem a caminhada. Da mesma forma, uma espiritualidade saudável pode dialogar com a experiência humana e com a ciência, sem deixar de acolher o mistério da fé. Também fazem parte desse testemunho a defesa dos direitos humanos, da paz e da justiça.
O 3º Encontro Ecumênico promoveu diálogo entre fé e questões atuais. As reflexões lembraram que a vida cristã se expressa tanto nas escolhas pessoais quanto no cuidado com outras pessoas e com a sociedade.