Ministros eméritos e ministras eméritas dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho participaram, no dia 24 de setembro, de um dia de encontro, convivência, reflexão e partilha na sede da Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (ABEFI), em Novo Hamburgo. A programação proporcionou momentos de espiritualidade, diálogo e valorização das diferentes experiências construídas ao longo da caminhada ministerial.
A atividade teve como tema “Espiritualidade, sentido e fecundidade da vida”, abordado pelo pastor, psicanalista e professor Dr. Júlio Cézar Adam. A reflexão partiu de perguntas sobre o significado da aposentadoria e sobre aquilo que permanece quando a pessoa deixa de exercer uma função profissional. Entre as questões propostas estiveram: “O sentido está no que faço ou no que eu sou?” e a busca por compreender novas possibilidades de sentido e fecundidade para esta etapa da vida.
Ao longo da reflexão, Júlio Adam destacou que o valor da pessoa não está condicionado à produtividade. A partir do filme Um Senhor Estagiário, o palestrante abordou a experiência acumulada, a escuta, a serenidade e o cuidado com as relações como possibilidades de contribuição em diferentes fases da vida.
A espiritualidade também esteve no centro da conversa. Segundo o palestrante, ela pode ser compreendida como fonte de conexão com o Divino, consigo mesmo, com o próximo e com a criação, favorecendo uma existência marcada pela gratidão, pela esperança e pela descoberta de novos significados para o cotidiano.
Outro aspecto abordado foi a possibilidade de olhar para a maturidade não como um período de retirada, mas como uma etapa de integração da própria história, autoconhecimento e generatividade. Nesse sentido, a experiência vivida pode se transformar em sabedoria, fortalecimento de vínculos e testemunho de uma vida com significado.
Histórias, movimento e reflexão
Durante a tarde, o encontro contou ainda com um momento de contação de histórias com a escritora Silvana Correa, que possui 21 livros publicados para o público infantil e juvenil. De maneira lúdica e participativa, ela envolveu as pessoas presentes em histórias e atividades que convidaram ao movimento e à reflexão sobre quem somos, sobre nossa trajetória e sobre a importância de cada pessoa no mundo.
A programação ainda teve um momento de conversa em pequenos grupos. As pessoas participantes puderam compartilhar experiências e dialogar sobre o significado de ser emérito e emérita, bem como sobre os desafios e as possibilidades que acompanham essa nova etapa da caminhada.
Valores e raízes
Para o pastor sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, Carlos Eduardo Müller Bock, a longevidade também traz consigo a oportunidade de reconhecer aquilo que permanece como parte essencial de cada pessoa. “Estamos vivendo mais do que nossos antepassados. Ao longo da vida, há algo que nunca perderemos: a nossa dignidade e os nossos valores”, pontuou. Ele ainda destacou que a aposentadoria e as mudanças próprias de cada etapa da vida não diminuem a história, a dignidade ou a contribuição de quem dedicou sua trajetória ao ministério e à Igreja.
A reflexão também apontou que a aposentadoria pode ser compreendida como uma etapa de fecundidade humana e espiritual, na qual experiência, liberdade e maturidade continuam sendo dons colocados a serviço da vida. “Vocês deixam de ser ramos que espalham frutos e se transformam em raízes profundas que sustentam a história da nossa Igreja. Continuam cheias e cheios de seiva e verdes, pois a Palavra de Deus segue orientando suas vidas”, ressaltou o pastor sinodal do Sínodo Nordeste Gaúcho, Eduardo Paulo Stauder.
Texto e fotos: Édson Luís Schaeffer/Comunicação Sínodo Rio dos Sinos