“Tudo balançava; os vidros vibravam e portas batiam”, escreve Madalena Zwetsch Altmann, esposa do pastor presidente Walter Altmann. “Buscamos segurança em Deus”. Ela esteve em Santiago do Chile por ocasião do recente terremoto e – testemunha ocular – conta sobre sua experiência.
Madalena Zwetsch Altmann
Tenho ido diversas vezes ao Chile. Tenho um forte motivo: a família de minha filha Nara mora lá. Desde que, em 1978, estive pela primeira nesse país sempre gostei muito de sua paisagem, de seu povo. Algo sempre me atraiu e sempre me senti muito bem. Muito mais ainda quando minha filha e genro fixaram residência lá por motivo de trabalho. A chegada de uma neta e de um neto chilenos me motivam mais ainda a gostar desse povo.
Eu estava em Santiago no dia 27 de fevereiro deste ano. Era madrugada, precisamente 3 horas e 35 minutos, quando senti que a cama onde eu dormia se movimentava. Levei algum tempo para atinar o que realmente acontecia. Nesse mesmo momento minha filha e meu genro chegavam à porta de meu quarto com as crianças no colo.
Procuramos o lugar onde achávamos estar mais seguros. Tudo balançava; os vidros vibravam, portas batiam, se ouvia ruídos estranhos e quando parecia que o balanço diminuía, outra vez voltava mais intenso. A luz já tinha se apagado. Vagávamos pelo escuro na casa e especialmente sentíamos que o chão, que até então era nossa maior firmeza, tremia. Eu já experimentara um “temblor” há alguns anos em Santiago, mas nunca havia sentido que o chão que eu pisava não era mais firme, balançava e nos levava junto.
Onde, então, buscar segurança? Certamente em tais momentos apenas Deus pode nos dar a segurança que sempre buscamos para nossas vidas. Quase nada aconteceu na casa e especialmente todas e todos nós estávamos outra vez seguros quando a terra parou de tremer.
Estávamos sem luz – e assim ficou até o quinto dia depois. Quase nunca falta energia em Santiago. Nara não sabia onde estariam as velas. Lembramos das velas que as duas crianças receberam nos seus batismos, que sabíamos onde estavam. Foram elas que iluminaram nossos primeiros deslocamentos pela casa. As velas que deveriam ser usadas para lembrar a cada data o significado do batismo clarearam os nossos passos e nos devolveram alguma tranquilidade que o chão tremulante nos havia negado.
Se na nossa casa quase nada se perdeu, o povo chileno perdeu muito. Perderam-se vidas; lares foram destroçados; pontes, estradas ruíram; colégios, templos, edifícios foram considerados inutilizáveis, mas sobretudo o povo chileno se encontrava diante da certeza de que seu apregoado desenvolvimento econômico não era assim tão avançado. Faltavam recursos e faltou dinamismo no atendimento a pessoas feridas e a pessoas sem teto e sem comida. A população mais atingida se via desamparada e desprotegida. Para um povo desesperado, toda manifestação de solidariedade era comovente. E os repetidos e intensos saques traziam à tona uma realidade não conhecida no Chile. Ouvi muitas pessoas lamentarem profundamente esses acontecimentos. Não bastava o terror da terra sacudir? Teria que haver atos pelos quais se envergonhar?
Depois de um terremoto daquela magnitude, subsequentes réplicas ocorreram e a angustia voltava a cada tremor. Sentimos como se estivéssemos num barco que balança em águas revoltas.
O Chile, país nosso irmão latino-americano, necessita de nosso apoio, de nossa solidariedade. Muitos recursos e por muito tempo terão de ser investidos para que a vida de muitas e muitas pessoas possa voltar a ter a dignidade que todo ser humano merece.
Conta para doações:
Para o Haiti:
Igreja terremoto no Haiti
CNPJ – 92.926.864/0001-57
Banco do Brasil
Agência: 0010-8
Conta corrente: 40.000-9
Para o Chile:
IECLB -Terremoto Chile
CNPJ – 92.926.864/0001-57
Banco do Brasil,
Agência 0010-8
Conta Corrente: 60.000-8
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