Como foi o início da sua trajetória no Ministério Pastoral?
Percebo a minha vocação no sentido do processo de envolvimento com o Evangelho de Jesus Cristo. O Ministério Pastoral foi se desdobrando na minha vida a partir do comprometimento comunitário e cidadão, passando por um interesse irrestrito pela vida das pessoas. Fui ordenada em 2007, quando do envio à Paróquia de São Sepé/RS. Antes, no período da graduação em Teologia, em São Leopoldo/RS, atuei em espaços educativos da IECLB: Departamento de Catequese e Departamento Nacional para Assuntos da Juventude, o que me motivou a realizar Mestrado e Doutorado na interface entre Teologia e Educação. Concluído o Doutorado, colaborei na defesa de direitos e na articulação de políticas públicas para mulheres junto à Coordenadoria Municipal da Mulher, na Prefeitura de São Leopoldo. Depois dessa experiência, passei a atuar no pastorado da IECLB.
Na Paróquia em Farroupilha, quais são as suas atribuições?
Além das atividades habituais na Paróquia em Farroupilha, que congrega as Comunidades de Farroupilha e Bom Pastor, em Bento Gonçalves/RS, muitas das minhas ações estão voltadas ao âmbito educativo, seja em escolas, Comunidades, grupos, esfera pública das políticas para mulheres, espaços de formação da Igreja e outros de cunho popular. A Serra Gaúcha é caracterizada fortemente pela presença da etnia italiana e de maioria católica. Além disso, o caráter de ‘terra de prosperidade’ resulta na vinda de um grande número de migrantes de outras partes do Estado e outras regiões do Brasil. Nesse ‘caldo cultural’, somos Comunidades de confissão luterana sabendo- nos ‘herdeiras’ de traços socioculturais germânicos, ainda que já mesclados por uma interculturalidade intensa, como, por exemplo, casamentos de pessoas de diferentes etnias, ecumenismo e procura tímida de pessoas advindas de outras denominações. Por razões contextuais, os esforços missionários estão colocados especialmente na busca, no encontro e no acolhimento de pessoas e/ou famílias de confissão luterana que aqui chegaram em busca de trabalho ou por motivos diversos e terminam se dispersando em sua vida de fé.
Qual é o seu papel na vida comunitária?
Entre a realidade, os sonhos e outros contrastes da nossa época, ser Pastora é atuar profissionalmente em uma atividade que excede, em muito, os elementos da materialidade da vida humana. Entendo-me entrelaçando questões, dilemas e alegrias da vida prática com aspectos transcendentes – o alento, a esperança e a confiança na vida que as pessoas constroem em experiências dadivosas de ‘perceber’ a graça de Deus. Ser Pastora é oportunizar, em palavras, gestos, silêncios, rituais e mediações esse enlaçamento da fé com o cotidiano. Ser Pastora é ‘estar aí’ com o outro, a outra e para o outro, a outra, em uma qualidade de presença acompanhadora na busca de sentidos.