Num pequeno povoado de um país vizinho nosso, os animais morriam e as plantas secavam. Assim, o mal deixava o seu rastro de morte por todos os lados, assuntando as pessoas.
Diante de tanta desolação, voltou a crença de que as desgraças eram resultado da atuação dos pequenos diabos. Então, como lidar com eles, que impediam as pessoas daquele povoado de perceber que estavam sendo vítimas de exploração? Resolveram fazer diabinhos de barro, colocando-os em todos os lugares onde o mal se manifestava visivelmente.
Logo, alguém pensou em produzir aquelas imagens para vender. Dizem que o plano foi tão bem-sucedido que havia diabinhos de cerâmica por todos os lados. Inclusive em aviões que voavam para o exterior daquele país. Desta forma, aquele vilarejo espantou o mal ao gerar renda com a produção de diabinhos.
Certamente, você está pensando que tudo isto é fantasia. Pode ser! Todavia, tal história poderia ter uma inspiração bíblica. No Antigo Testamento, em Número 21.4-9, é dito que muitas pessoas do povo foram picadas por serpentes abrasadoras no deserto e muitas delas morreram. Era castigo divino pelo fato de que o povo falou contra Deus econtra Moisés: diante das dificuldades do caminho da liberdade, manifestavam a vontade de voltar para o Egito, onde suas almas se saciaram com o pão vil.
Contudo, depois da confissão de pecados, o povo pede que as serpentes sejam tiradas do seu meio, mas Deus não os atende desta forma. O Senhor pede que Moisés faça uma serpente de bronze e a hasteie. Assim, todo aquele que fora picado por uma serpente, ao mirar a de bronze, fora curado.
***O mal precisa ser desprivatizado***
Estas duas histórias não ignoram o que Jesusensinou em sua oração: livra-nos do mal. De fato, não temos forças em nós para superar o mal. Pedimos pelo poder de Deus. Este pedido pode se expressar em algo bem concreto. O mal precisa se tornar visível, bem concreto. Em outras palavras, ele precisa ser exposto em um lugar público no qual todos possam vê-lo. Por quê? Porque o contrário também geralmente é verdadeiro: quem por ele é picado tende a escondê-lo e se esconder dos outros, sofrendo privadamente.
A exposição contínua dos abusos e a violênciasexual imposta às mulheres e às crianças, por partes dos homens da casa, parece ser uma crueldade nova. O que há de novo é o fato de que não é mais tão fácil esconder tais violências. É o princípio da cura do violentador e das pessoas violentadas.
O mal precisa ser desprivatizado.
Para que isto se efetive, sigamos o conselho do Senhor a Moisés, esculpind
o em bronze todas as formas de maldades feitas às escondidas, colocando-as nas praças ao lado dos monumentos dos heróis da pátria. Eles precisam ver que história maldosa ajudaram a construir. Também os presídios deveriam estar no centro das cidades, ao lado da igreja, do banco, da Prefeitura e de outros poderes. Precisamos ver o que fazemos ou deixamos de fazer para que tantos necessitem ser tolhidos da liberdade.
A petição livra-nos do mal e a exposição das maldades publicamente atualizam o Jesus crucificado sobre um monte, que assumiu os males nossos e de todo o mundo.
P. Dr. Oneide Bobsin
Pastor da IECLB
e Reitor da Faculdades EST