Não se está fazendo marketing direto com as lideranças da Igreja. A informação via obreiro passa por um “filtro”, expôs Leandro Dentee em sua dissertação de mestrado, defendida na EST no dia 14 de março, sob o título “Fides ex auditu (Romanos 10.17) – primeiro a propaganda depois a fé – o marketing interno como instrumento na IECLB”.O tema escolhido com foco no marketing interno como instrumento de missão na IECLB surge a partir da inquietação oriunda do dia-a-dia de Leandro Dentee, obreiro do ministério pastoral. As assim chamadas igrejas históricas, das quais a IECLB faz parte, enfrentam grandes dificuldades em manter o seu quadro de membros, aponta Dentee, tomando como base duas pesquisas realizadas no âmbito da IECLB, onde a suspeita de estagnação numérica, com forte tendência ao decréscimo, é comprovada. A IECLB possui em torno de 715.000 membros, o que é menos de 0,5% da população do Brasil. De 1997 até 2002 a IECLB cresceu apenas 0,34%, quando a realidade do país é de um crescimento de 1,5% ao ano.
Dentee: “Igreja e marketing é um desafio!” Os dois trabalhos analisados por Dentee apontam a mesma direção, embora um apresente a questão em um âmbito nacional e outro traga índices de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. A primeira pesquisa é do ex-secretário geral da IECLB, pastor Dr. Gerd Uwe Kliewer, e a segunda, do pastor Silvio Meincke. A busca por ajuda chega ao campo do marketing. Desfazendo-se de preconceitos, Leandro Dentee busca uma aproximação com esta área do conhecimento humano. “Antes de iniciar o diálogo, é necessário que se respeite a cultura organizacional da instituição à qual ações de marketing possam vir a ser úteis”, ressalta.Nesse contexto, a dissertação apresenta os pilares da Teologia Luterana, sobre os quais está alicerçado o modo de ser Igreja da IECLB. Preconizando comunidades adultas, ações de marketing interno surgem como ações mais eficazes no momento.Buscando avaliar a comunicação interna na IECLB, tema que o marketing interno reflete, Dentee fez uma coleta de dados com lideranças da Igreja. Os dados revelam que a comunicação direta com os presbíteros não funciona a contento. Isto fica provado com um exemplo bem concreto: a carta com a posição da IECLB sobre as eleições de 2006 chegou apenas a 31,11% das lideranças que responderam o questionário – 65,56% não receberam o documento e 3,33% não responderam a questão.“O engajamento em uma causa só é possível quando dela tem-se amplo conhecimento. Assim como ninguém gosta daquilo que não conhece, é possível afirmar que ninguém luta por aquilo que não sabe o que é. Do mesmo modo, ninguém informa algo sobre o que não sabe”, aponta Dentee.Segundo ele, a sua pesquisa mostrou também que há falta de preparo dos membros antes de assumirem um cargo no presbitério; os que assumem cargos, ficam longo período na atividade; as informações sobre a IECLB são passadas nas reuniões do presbitério, na maioria dos casos, pelo pastor ou pastora da comunidade; constata-se, entre os presbíteros ouvidos, falta de conhecimento da posição da Igreja sobre temas sociais. “Igreja e marketing é um desafio! No diálogo bem orientado, com a ajuda oferecida pelo marketing, a Igreja pode tornar-se mais eficaz no modo de transmitir o que lhe é mais caro: o Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo”, indica Dentee.Integraram a banca examinadora os professores da EST Dr. Rodolfo Gaede Neto (orientador da pesquisa e presidente da banca) e Dr. Mauro Batista de Souza e o professor da Universidade de Santa Cruz do Sul Dr. Jorge Francisco Bertinette Lengler (coo-orientador da pesquisa).
(Fonte: resumo da dissertação; edição e foto: Ingelore S. Koch)