Com o tema geral Lutas dos povos, alternativas dos povos (People’s struggles, people’s alternatives) iniciou-se no dia 20 de janeiro o 7º Fórum Social Mundial, realizado pela primeira vez na África, mais exatamente em Nairobi, no Quênia. O FSM prossegue até o dia 25 de janeiro.
Abertura do VII Forum Social Mundial A abertura oficial do 7º Fórum Social Mundial aconteceu no sábado, dia 20, às 10h, com uma marcha até o Parque Uhuru, onde foram realizadas diversas manifestaões e uma longa cerimônia festiva. A Coalizão Ecumênica, que congrega instituições ligadas a igrejas e participa desde o primeiro Fórum Social Mundial no Brasil, também está presente – sob a organização do Conselho Mundial de Igrejas, através do All Africa Conference of Churches e Caritas Ecumenical Platform – reuniu-se antes da abertura oficial, em frente à Basílica Sagrada Família.A Fundação Luterana de Diaconia e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB marcam sua presença em Nairóbi, através de Angelique van Zeeland, assessora programática da Fundação Luterana. Ela conta como foi o primeiro dia:”Sábado, 20 de janeiro 2007
Karibu Nymbani Kwetu hapa Kenya! (Bem-vindos à nossa pátria, o Quênia!)
Assim fomos recebidos no Quênia, na cidade de Nairobi, que fica praticamente na linha do Equador, a uma altura de 1.800 metros. A temperatura é agradável – 25ºC durante o dia e cerca de 20º à noite.
Angelique van Zeeland (meio) participa da marcha de abertura do VII Fórum Social Mundial Após problemas normais de credenciamento e sob um sol forte, iniciou-se o 7º Fórum Social Mundial. Das 9 às 12h, aconteceu a abertura da Coalizão Ecumênica, organizada pelo All Africa Council of Churches – AACC e Caritas Ecumenical Platform. Cerca de 3 mil pessoas estiveram presentes, vindas da Tanzânia, Brasil, Ìndia, Peru, Tailândia, Filipinas e de vários outros países. Muitas organizações se encontraram e se apresentaram na praça localizada em frente à Basílica Sagrada Família. Do Quênia, havia entidades comunitárias, de luta contra a AIDS, e diversos grupos étnicos. As mulheres quenianas lideraram os grupos, as passeatas, os cantos e as danças. A praça virou um encontro colorido e musical de luta pela dignidade e pelos direitos humanos e um espaço de encontro e troca.
As 11h, o bispo Desmond Tutu falou por mais de meia hora, em um discurso empolgante e inspirador. Ele colocou: ‘Deus vê o que está acontecendo em Zimbábue, na Nigéria, na Etiópia, na Palestina e Ele chora. Têm pessoas jogando comida fora e têm pessoas passando fome. Deus nos diz – por favor ajudem-Me para que possamos ter um outro mundo, um mundo onde os ricos possam partilhar com os pobres e ajudar uns aos outros. Um ditado africano diz: uma pessoa só é uma pessoa para uma outra pessoa. Nós precisamos de outros seres humanos para sermos humanos. Somos feitos para ser família. Nunca vamos ganhar a guerra contra o terror enquanto existiram pessoas desesperadas, enquanto houver doenças e pobreza. Numa família de Deus se diz: dê cada um de acordo com a sua capacidade, cada um de acordo com a sua necessidade. A única maneira de sermos livres, de sermos humanos, é de estarmos seguros e juntos.’
Arcebispo Emérito Desmond Tutu oficia celebração da coalizão ecumênica em Nairobi Sobre a África, Tutu disse: ‘As pessoas olham para África com piedade. Nós da África precisamos falar que temos uma história orgulhosa. Quando havia fome na terra sagrada, quando a família sagrada não tinha lugar para ir, não precisou ir à Europa – a África deu comida, o povo africano ajudou. Nós superamos a escravidão, a colonização e o apartheid. Produzimos pessoas como Nelson Mandela. Podemos ensinar ao mundo sobre perdão. Nós esperamos que vocês, da Europa e do Oeste (que produziram o holocausto, o racismo e o facismo), possam fazer um pouco. É preciso dizer aos nossos governos que não aceitamos a corrupção. É preciso esperar que as igrejas preguem uma nova ordem econômica, mais justa, e o cancelamento da dívida’, finalizou o bispo.Ao meio-dia, iniciou-se a caminhada da Coalizão Ecumênica, que se juntou à passeata do FSM. Um total de 50 mil pessoas seguiu até o Parque Uhuru, no centro de Nairobi. A abertura oficial contou com falas de representantes da África, América Latina, Europa, Índia e um representante da Palestina. Nas apresentações artísticas, um brasileiro – Martinho da Vila.”
Programação Completa – FSM 2007 As atividades do FSM se organizam em torno de nove objetivos gerais, que foram definidos a partir de consulta sobre ações, campanhas e lutas em que estão envolvidas as organizações participantes do FSM, realizada entre junho e agosto de 2006. Veja a seguir quais são eles:1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas
2. Pela libertação do mundo do domínio das multinacionais e do capital financeiro
3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza
4. Pela democratização do conhecimento e da informação
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero e eliminação de todas as formas de discriminação
6. Pela garantia dos direitos econômicos, sociais, humanos e culturais, especialmente os direitos à alimentação, saúde, educação, habitação, emprego e trabalho digno
7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos
8. Pela construção de uma economia centrada nos povos e na sustentabilidade
9. Pela construção de estruturas políticas realmente democráticas e instituições com a participação da população nas decisões e controle dos negócios e recursos públicos (Fonte: Angelique van Zeeland/Susanne Buchweitz)