Eles têm a cabeça repleta de idéias, o coração cheio de coragem e uma imensa vontade de transformar em ação uma infinidade de planos para um futuro melhor em um mundo mais justo, com oportunidades iguais e fraternidade. Ninguém melhor que eles, os próprios jovens, para falar sobre suas opiniões, expectativas e preocupações, por isso convidamos os representantes do Conselho Nacional da Juventude Evangélica (Conaje) para expor idéias e indicar caminhos.
Na edição atual, apresentamos os Sínodos Amazônia, Espírito Santo a Belém, Nordeste Gaúcho, Norte Catarinense, Planalto Rio-grandense e Rio dos Sinos com as lideranças jovens da nossa Igreja refletindo sobre as seguintes questões ‘Que leitura faz do mundo?, O que pensa a respeito do seu futuro profissional?, Qual era a sua expectativa ao entrar para a Juventude Evangélica (JE)/Conaje?, Elas foram atendidas?, Quais são os grandes temas que fazem parte da vida do jovem atual?, A JE busca atender esta demanda?, Quais são as suas preocupações em relação à IECLB?, O que você, como liderança jovem, pode fazer nesse sentido?, O que imagina que possa fazer para contribuir com a nossa Igreja?’.
Na próxima edição, estarão presentes as lideranças dos Sínodos Rio Paraná, Sudeste, Sul Rio-grandende, Uruguai, Vale do Itajaí e Vale do Taquari. Os Sínodos que não estão fazendo parte dessa matéria também foram convidados a participar, mas, no momento, não têm representação no Conaje. Complementando, esta exposição, fica o convite para ler o nosso Editorial, escrito pela Presidente do Conaje, Viviane Kusler, sobre a relevância do trabalho com jovens na IECLB.
AMAZÔNIA
Cleomar Klipel Ratske, 22 anos, cursando Ensino Médio, representante do Sínodo no Conaje e Coordenador Sinodal da JE do Sínodo da Amazônia
Vivo em um mundo em degradação e reconstrução, cheio de pessoas individualistas que esquecem valores fundamentais, como amor ao próximo e afetividade. Na questão meio ambiente, vejo passos favoráveis. Profissionalmente, penso em continuar estudando e trabalhando na área da agricultura. Esperava apresentar a JE do Sínodo, seus projetos, anseios e dificuldades, ao restante do Brasil, buscando a unidade entre os jovens da IECLB e muitas expectativas já foram atendidas. Os temas na vida do jovem são drogas, sociedade, meio ambiente, estudo, sexualidade e Deus. No meu contexto, a JE busca atender essa demanda. A preocupação em relação à IECLB é a unidade dos cristãos. Há grandes diferenças entre luteranos do Sul e Norte do país. Sinto que posso apoiar meu Sínodo e propor o diálogo para buscar um objetivo comum, como trabalho de Missão da IECLB, além de exercer o dom que recebi, ser uma liderança, colocar-me à disposição do trabalho, ser voluntário na ação com jovens, buscar e passar adiante formações e informações a respeito da Igreja que amo.
ESPÍRITO SANTO A BELÉM
Sheila Murgia Eggert Potin, 23 anos, Ensino médio completo, representante do Sínodo no Conaje e Coordenadora da JE no Sínodo Espírito Santo a Belém
A comunicação instantânea não permite mais o contato direto com amigos e pessoas próximas. Guerra, violência e corrupção se instalam. O aquecimento global passa despercebido por alguns e a paz fica mais distante. Não há muitas opções de escolha profissional. O mercado nos molda para as necessidades do momento. O principal motivo de entrar na JE/Conaje foi trazer para o Sínodo o Congrenaje 2008, para integração dos jovens e evolução no trabalho. As expectativas foram atendidas e me sinto motivada para novidades. Internet, descoberta do sexo e dúvidas profissionais são temas da juventude e sempre têm orientação da JE. Na IECLB, penso na transição do tradicional para o moderno, nas lacunas na comunicação e na redução das inscrições para Teologia na EST. Como liderança, é possível resgatar e divulgar nossa historia cristã. Na comunicação, criar uma sintonia de rádio da IECLB pela Internet e, nos eventos, motivar jovens com interesse em Teologia a fim de dar continuação à Igreja. Para contribuir, posso continuar nas áreas e setores mantendo engajamento no trabalho cristão.
NORDESTE GAÚCHO
Jacson da Rosa, 20 anos, cursando Teologia e Vice-Presidente do Conaje
O mundo encontra-se em estado de alerta, pois vivemos em meio à violência. Como se isso não bastasse, destruímos nosso planeta sem perceber que estamos destruindo a nós mesmos. Adoro ser jovem. Para mim, é a melhor época da vida e vou trabalhar nessa área. A cada dia que passa, me sinto muito feliz em fazer parte da JE. Quando entrei no Conaje, não sabia que seria uma tarefa difícil, pois representaria cada grupo de juventude do Sínodo. Agora, teria que pensar em nível nacional. Os temas desafiadores estão relacionados ao meio ambiente. A juventude está se preocupando com o agora. Creio que, aos poucos, a JE esteja atendendo essas demandas. Em relação à IECLB, as preocupações são grandes. A cada ano que passa, menor é o número de grupos de jovens. A juventude não tem autonomia necessária. Fala-se muito que os jovens são prioridade. Na teoria, pode ser, mas, na prática, sabemos que não é verdade. Como lideranças, sabemos que não podemos só cobrar, mas, também, devemos agir. Está na hora da juventude mostrar e colocar as idéias em ação. Temos muito a fazer se quisermos melhorar a nossa Igreja. Está na hora de trabalhar, tirar as idéias do papel e começar a agir.
NORTE CATARINENSE
Suelen Mara Gonçalves, 18 anos, Ensino Médio completo e representante do Sínodo no Conaje
Não há tempo para o convívio comunitário. As pessoas estão preocupadas com trabalho e carreira, esquecendo a sociedade. É necessário dedicar um tempo para a Comunidade e participar das ações. É desafiador pensar no futuro profissional. Na concorrência atual, não podemos deixar a desejar. Na JE, esperava ter um lugar na sociedade, pensar no melhor para o grupo e o Conaje mostrou que essa vontade podia ir mais longe, pensando nas juventudes no Brasil. As expectativas foram atendidas. Os jovens estão preocupados com a vida comunitária, ajudar os outros, mas, também, consigo próprios. Afetividade e sexualidade são temas que também fazem parte. A JE atende a demanda, pois é um espaço para trabalhar esses temas, procurar ajudar e inteirar os jovens sobre questões atuais. Na IECLB, preocupam as diferenças socio-econômicas e culturais presentes em nossas Comunidades. Por ser liderança jovem, é nos jovens que procuramos soluções. Talvez não possamos solucionar todos, mas os jovens têm a mente mais aberta e isso contribui para diminuir as diferenças. Um bom trabalho com a juventude é um passo importante para contribuir com a Igreja.
PLANALTO RIO-GRANDENSE
Viviane Kusler, 23 anos, Licenciada em Matemática e Presidente do Conaje
O ritmo está a cada dia mais acelerado. Família, amigos e Igreja perdem espaço. Valores éticos e morais são desconhecidos por muitos e algumas famílias estão desestruturadas. Ao entrar na JE, esperava conhecer pessoas, fazer novas amizades e aprender mais sobre a palavra de Deus. No Cosije e Conaje, também tinha esses objetivos, mas buscava principalmente compartilhar idéias e vivências, conhecer realidades e culturas em busca de soluções para as dificuldades. Essas expectativas foram atendidas, tanto que há mais de dez anos participo da JE. Trabalho, emprego, profissão, vestibular, DSTs, família, política, namoro, fé e drogas são os temas dos jovens e a JE busca suprir essa necessidade. Na IECLB, preocupa a falta de participação dos membros nas atividades comunitárias e a falta de interesse dos jovens na vida religiosa. O caminho é motivar, organizar atividades e conversar com Obreiros e Presbíteros para encontrarmos uma solução para essa ‘passividade’. Há muitas coisas boas acontecendo na nossa Igreja, mas poucas pessoas sabem. Precisamos divulgar nosso trabalho para que possamos melhorar o que for necessário.
RIO DOS SINOS
Marianne Tortorella Conselo, 19 anos, Ensino Médio completo, Vice-Secretária do Conaje e Vice-Coordenadora do Cosije
As pessoas trabalham para sobreviver e não para viver com qualidade. O tempo é cada vez mais curto. As conseqüências são problemas ambientais e sociais, porque não houve tempo de reparar neles. Há dois anos, tento ingressar na faculdade de Biomedicina, mas não penso muito sobre futuro profissional e talvez essa nem seja minha profissão. Sei que quero ser útil para a sociedade e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Entrei na JE porque me sentia acolhida. Fui me envolvendo com o Sínodo e resolvi entrar para o Conaje para aprender mais sobre o funcionamento da IECLB, além de passar para outras pessoas o que havia aprendido. Minhas expectativas em relação à JE e ao Conaje vêm sendo atendidas. Os temas envolvendo jovens fazem parte dos eixos temáticos na JE: sexualidade, DSTs, drogas, responsabilidade no trânsito e escolha profissional. Na IECLB, preocupa a pouca quantidade de jovens na Igreja. O ideal é descobrir os motivos pelos quais os jovens não participam e buscar alternativas para que eles se sintam à vontade e acolhidos. Para contribuir, vou continuar fazendo os trabalhos com a JE e incentivando a Comunidade.