Dando sequência à série de matérias especiais em comemoração aos 60 anos da IECLB, nesta edição o P. em. Harald Malschitzky, que foi Pastor em Marechal Cândido Rondon/PR, Pastor da 5a. Região Eclesiástica e na Paróquia Matriz, em Porto Alegre/RS, Professor na EST, Pastor em Cuba, Secretário de formação da IECLB e, atualmente, está no PROEDUC, na área de apoio à formação e pós-graduação, e na Presidência da IECLB como Assistente, vai apresentar os Obreiros da IECLB e a sua contribuição para a definição da identidade confessional da Igreja
A Igreja é a comunhão dos santos na qual o Evangelho é pregado de forma autêntica e os sacramentos administrados corretamente. Esta é a definição clássica de Igreja para a grande família luterana no mundo. Para dizê-lo logo: santos não são seres sem pecado ou livres do erro, mas sim aquelas pessoas que são santificadas pelo Cristo, que os coloca em comunhão. Em outras palavras, os santos são gente como a gente, carentes do perdão, da graça e do amor de Deus e da aceitação pelo semelhante. A soma de Pastores, Pastoras, Catequistas, Diáconos, Diáconas, Missionários e Missionárias ainda não é Igreja. No entanto, eles têm um papel importante na Igreja e precisam se dar conta disso para bem servir.
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Prédio da Escola de Teologia, inaugurado em 1956, tendo Professores à direita do P. Dohms (no lado direito da
foto, na primeira fila, de terno escuto e livro na mão esquerda), que faleceu 18 dias depois desta foto,
em 4 de dezembro de 1956 |
Sabemos que nos primórdios da IECLB, na primeira metade do século XIX, muitas Comunidades não recebiam a visita de um Pastor, tanto que alguém da Comunidade fazia as vezes deste, ao lado da sua profissão e do seu trabalho. Com o tempo, vieram Pastores da Alemanha, que atendiam áreas imensas, cada uma com diversas Comunidades. Esses Pastores terminaram sendo um importante elo entre as Comunidades espalhadas.
Ainda naquela época, alguns Pastores propuseram a criação de uma entidade que congregasse com laços mais fortes as Comunidades. Assim, foram criados sucessivamente diversos Sínodos em nosso país. O próprio nome já é programático, pois Sínodo significa caminho em conjunto, caminho comum, caminhar juntos. Comunidades isoladas se juntam também na sua forma de celebrar e agir, mantendo asmesmas reflexões e os mesmos programas tanto em uma como em outra Comunidade. Muito desse trabalho era liderado pelos Pastores.
Lideranças e Pastores dos Sínodos também começaram a se preocupar com a formação de Professores e Pastores brasileiros. Surgiu, assim, o Instituto Pré-Teológico, que preparava jovens que, mais tarde, fariam o seu curso de Teologia na Alemanha. No Instituto Pré-Teológico, os estudantes criaram laços entre si, independentemente de que Comunidade ou Sínodo tivessem vindo. Esse pequeno detalhe seria importante mais tarde na consolidação da IECLB.
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Ordenação ao Ministério Pastoral (outubro de 1951 – esq. p/ dir.): Erwin Barth, Arno Wrasse, Kurt Benno Eckert, Paul Gerhard Goetz,
Albin Trein e Gustavo Adolfo Schünemann |
É preciso lembrar que, em sua origem, havia Sínodos de orientação teológica reformada, que na Europa tivera influência da Reforma de João Calvino. Havia principalmente um Sínodo de orientação teológica claramente luterana. Essas orientações diferentes foram sendo amalgamadas até que toda a IECLB tivesse como base confessional os escritos da Reforma Luterana. Verdade é que, até os nossos dias, fundamentalmente na construção litúrgica das celebrações, as diferentes linhas teológicas ainda podem ser observadas.
Mesmo guardando formas próprias de ser Igreja, hoje somos uma só Igreja em todo o país. Em grandes e pequenas Comunidades, vamos encontrar a mesma Igreja. Temos diretrizes comuns, propostas litúrgicas comuns, o Catecismo de Lutero e os Escritos Confessionais da Reforma Luterana. No longo processo até a constituição da IECLB, o papel de Pastores, Pastoras, Teólogos e Teólogas foi decisivo, o que absolutamente não diminui em nada o papel de líderes comunitários, dos grupos de senhoras e dos grupos de jovens nesse processo.
O papel dos Pastores na formação da Federação Sinodal
A entrada do Brasil na II Guerra Mundial, contra a Alemanha, interrompeu a ida de brasileiros para estudar. Como muitos Pastores alemães das nossas Comunidades estiveram presos ou proibidos de falar, os jovens estudantes foram enviados para assumir os seus lugares. Não interessava de que Sínodo o estudante havia vindo e nem a que Sínodo pertencia a Comunidade sem Pastor.
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O grupo de substitutos de Pastor
em uma reunião em São Leopoldo |
No retorno para continuar os seus estudos em São Leopoldo/ RS, esses jovens se deram conta que tinham vivido experiências muito semelhantes em lugares muito diferentes. Além disso, agora começava o estudo de Teologia em terras brasileiras e em conjunto. Lentamente, líderes, Pastores e futuros Pastores começaram a se questionar: fazia sentido existirem diversos Sínodos com características de Igrejas independentes? Em pouco tempo, ainda antes de 1950, já se formava a Federação Sinodal. Os então Pastores Sinodais tiveram um papel decisivo para que isso acontecesse.
A criação da Faculdade de Teologia, cujos estudantes vinhamde todos os quadrantes, o estudo e a discussão das diversas tradições bem como a discussão das estruturas da própria Igreja, mesmo que sem qualquer caráter normativo, o encontro com Pastores de Comunidades e o fato de, em determinada época, o Presidente da Igreja ser simultaneamente Reitor, muito contribuíram para que, em 1968, se concluísse o longo processo de formação de uma Igreja de Confissão Luterana.