Helena Berger, a quarta de oito filhos (seis irmãs e um irmão), tem 61 anos, nasceu em Triunfo, município de Itaguaçu/ES, e, hoje, mora em Vitória, no mesmo Estado. Professora durante 27 anos, desde a alfabetização até a universidade, na IECLB Helena é membro do Conselho Fiscal da Associação Albergue Martim Lutero, Vogal no Presbitério da Comunidade de Vitória e Presidente da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Vitória.
Como foi o primeiro contato com a fé?
Lembro-me que, aos domingos, durante a minha infância e adolescência, meu pai levantava cedo para tirar leite e saia correndo para dar aulas no Ensino Confirmatório na Comunidade de Triunfo. Começava pelos Mandamentos, que eram contextualizados na Igreja e no dever de casa. Com meu pai, aprendi a fortalecer os fracos no mais amplo sentido. Também é a forma como processo a minha fé na caminhada. Ser luterana é uma opção muito gostosa de viver, é um todo que não separa a fé da ação. Tenho orgulho de ser luterana.
Qual é a sua história na IECLB?
Fui Secretária no Presbitério da Comunidade de Campo Grande, Secretária do Conselho Regional da I Região Eclesiástica e Presidente da Paróquia de Vitória. Concomitantemente, fui Secretária do Grupo de Defesa dos Direitos Humanos da Igreja Luterana, Vice-Presidente da Comissão Intereclesial para o Ensino Religioso no Espírito Santo, Vice- Presidente e Presidente do Conselho de Ensino Religioso no Espírito Santo. Nesse ínterim, fui membro da Comissão de Justiça e Paz da Igreja Católica, além de membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) regional. Atualmente, sou membro do Conselho Fiscal do Conselho de Ensino Religioso no Espírito Santo e do Conselho Fiscal da Associação Albergue Martim Lutero, além de Vogal no Presbitério da Comunidade de Vitória e Presidente da Paróquia em Vitória.
No seu trabalho, quais são os principais objetivos?
Baseio as minhas atividades na ação de trabalhar por uma vida melhor para quem disso depende. Sonho ver templos da IECLB nos bairros mais populosos da Grande Vitória. Sonho ver os membros dispersos entre os bairros encontrando a sua identidadeluterana, da qual não abrem mão, em meio às ofertas das religiões de massa. Temos trabalhado na Paróquia no sentido de localizar os membros e proporcionar o conforto da volta para casa, mas não dispomos de pessoal. O nosso orçamento cobre os trabalhos em andamento e os dois Pastores não dão conta de estender mais o seu trabalho, embora desejem muito. Trabalhamos com o que temos: Pontos de Pregação nos bairros, atendimento às Comunidades, visitação, programas radiofônicos na Rádio América e muitas ações envolvendo o grupo de liturgia.
A sua dedicação ao Presbitério tem um significado especial?
O envolvimento em atividades da Igreja proporciona um aprendizado: perceber que uma corrente se faz com elos e sempre é possível acrescentar mais um elo. Não raro encontramos espaço em que temos algo a aprender e a acrescentar. Às vezes, penso em desistir de alguma atividade, mas me convenço de que Igreja se faz com gente e, cada vez que alguém recua, uma oportunidade se perde. Nunca quero saber que, só por minha omissão, alguém vive indignamente. Se Deus nos fez todos iguais, por que para alguns filhos custa tão caro e é tão desanimador viver? Um dia por semana se faz Igreja entre as paredes e nos outros seis dias nós a fazemos ser onde estamos. Isto pode se dar visitando doentes, os ouvindo e acompanhando, o que tenho por vocação.
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A família chamada Igreja
Como presente, as surpresas são agradáveis. No entanto, como designação de tarefas, as surpresas nem sempre são o que queremos. Só é possível construir com as peças escolhidas se sabemos onde colocá-las. Isso é participação dos planos da construção. Estar junto nos planejamentos e ser membro do Presbitério traz conhecimentos que não obtemos no Ensino Confirmatório, nas leituras ou nas prédicas e até nos dá oportunidade de participar criticando. É no Presbitério que somos a família chamada Igreja e podemos confrontar idéias e sonhar planos. É dos grupos que nascem as grandes idéias que sustentam as pilastras da IECLB. Participar de um Presbitério é se dar a oportunidade de conviver com os irmãos membros e planejar a construção da sua Igreja. Se cada membro participasse de um mandato no Presbitério descobriria que o ser luterano é vestirse de uma fé viva e contextualizada no seu cotidiano. Ser Luterano é arregaçar as mangas e se fazer presente.