Segundo a Constituição da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), a “natureza ecumênica da IECLB se expressa pelo vínculo de fé com as igrejas no mundo que confessam Jesus Cristo como único Senhor e Salvador”. Dessa forma, a IECLB mantém parcerias com Igrejas no Brasil e em vários países.
O terceiro dia do 35º Concílio da Igreja iniciou com o já tradicional culto ecumênico. Este culto é conduzido por representantes das igrejas parceiras no Brasil e no exterior. Para permitir a participação ampla, a liturgia foi projetada em três línguas: português, alemão e inglês.
Na liturgia, ouvimos que, na cidade de Laguna, está o Farol de Santa Marta. Ele alcança mais de oitenta quilômetros sobre o mar. Há, porém, uma luz que alcança mais do que horizontes e embarcações: É a luz de Cristo, que alcança corações, comunidades e a própria Igreja em sua missão no mundo. E assim a comunidade confessou: Cristo é a nossa luz!
Na oração de confissão de pecados, a comunidade reconheceu que Deus oferece a luz que mostra a direção. No entanto, muitas vezes, seguimos outras rotas. Mas Deus nos chama de volta para si. Em Jesus Cristo, luz do mundo, recebemos perdão, reconciliação e nova esperança.
Na pregação, o Pastor Esteban Alfaro Lillo, bispo da Igreja Luterana no Chile (ILCH), falou sobre o texto de Mateus 5.9, em que Jesus chama de bem-aventuradas as pessoas que promovem a paz. Confira abaixo alguns pontos da reflexão traduzida pelo bispo da ILCH
A bem-aventurança não é um enfeite
A bem-aventurança de Jesus para as pessoas pacificadoras não é um enfeite espiritual, nem uma frase amável para tempos tranquilos. Ela é um chamado, uma tarefa e uma promessa. Cristo nos convoca a olhar o mundo e a perguntar o que significa ser igreja luterana ali onde há divisão, cansaço, violência, injustiça e desesperança.
A paz de Jesus não é passividade
Quando Jesus diz “pacificadores”, “pacificadoras”, ele não fala simplesmente de pessoas que evitam conflitos, que se calam para não incomodar, ou que buscam uma calma superficial. A paz de Deus é reconciliação, plenitude, justiça restaurada e comunhão renovada. Por isso, ser pessoa pacificadora é uma ação: é trabalhar pela paz, é construí-la, sustentá-la, defendê-la e proclamá-la.
Cristo é a nossa paz
Jesus Cristo não apenas ensina a paz: ele é a nossa paz. Na cruz, Cristo desarma a inimizade, carrega o pecado do mundo e abre um caminho novo de reconciliação com Deus e entre as pessoas.
Por isso, as pessoas pacificadoras são chamadas filhas de Deus: não porque sejam perfeitas, mas porque são feitas filhas pela graça de Deus em Cristo. A paz que anunciamos não é uma ideia abstrata. Ela tem nome, rosto e corpo: Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.
O esforço de pacificar
Pacificar custa. Custa tempo, humildade e paciência.
Pacificar custa tempo, porque a paz não se improvisa. Muitas vezes queremos soluções rápidas: uma declaração, uma votação, uma palavra final. Mas Jesus nos chama a permanecer junto às pessoas, nos chama a visitar as feridas, a escutar as histórias completas e a construir confiança passo a passo.
Pacificar custa humildade, porque a humildade nos permite reconhecer que também nós ferimos, que nossas comunidades carregam omissões, preconceitos e palavras mal ditas, e que nem sempre fomos instrumentos da paz de Cristo.
Pacificar custa paciência, porque a paz de Cristo nem sempre produz frutos visíveis de imediato. Há diálogos que parecem avançar lentamente, comunidades que precisam de tempo para sarar, famílias que arrastam feridas antigas e sociedades marcadas por desconfianças profundas.
Tempo, humildade e paciência não são simples virtudes pessoais; são formas concretas de seguir a Cristo.
Uma proclamação luterana para o mundo
A fé não nos encerra em uma espiritualidade privada. Ela nos envia ao mundo. Por isso, a tarefa da paz pertence ao coração da missão luterana: proclamar o Evangelho em palavra e ação, anunciar Cristo e servir ali onde a vida está ameaçada.
A IECLB e a ILCH, em comunhão com igrejas luteranas das Américas e de diversos lugares do mundo, são chamadas a ser sinais dessa paz: comunidades reconciliadas e reconciliadoras, igrejas que não se acomodam à polarização, igrejas que aprendem a falar com mansidão e firmeza, igrejas que colocam Cristo no centro para que nenhuma ideologia, interesse ou medo ocupe o seu lugar.
Chamados filhos e filhas de Deus
“Serão chamados filhos de Deus” é uma promessa que sustenta o nosso cansaço. Porque quem trabalha pela paz às vezes não vê resultados imediatos. Mas Jesus chama bem-aventuradas aquelas pessoas que não abandonam essa tarefa. A bênção não está no sucesso visível, mas em participar da obra de Deus.
Assista ao Culto na íntegra