Mensagem do 5º Encontro Nacional da Rede de Diaconia
“Cuidar da casa comum
é cuidar do projeto de Deus”
Entre os dias 28 e 30 de outubro de 2026, em São Leopoldo (RS), 58 pessoas, representando instituições diaconais com vínculo confessional com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) participaram do 5º Encontro Nacional da Rede de Diaconia.
O encontro teve como eixo temático a Justiça Socioambiental, com foco nas emergências climáticas, buscando compreender os desafios dos territórios, reconhecer vulnerabilidades, fortalecer o cuidado e pensar possibilidades concretas de ação a partir da Diaconia. A Rede é o espaço em que essas instituições constroem, juntas, sua identidade coletiva. Desta vez, partimos de uma pergunta: o que acontece com os nossos corpos quando o nosso lugar adoece?
O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), indica que o aquecimento global vai ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e, mantidas as políticas atuais, pode chegar a 2,8 °C ainda neste século. Mesmo com o cumprimento integral das metas apresentadas pelos países, a projeção é de 2,6 °C. As metas, como estão, não bastam.
A emergência climática atinge todas as pessoas, de muitas formas, mas não da mesma maneira. Os efeitos pesam mais sobre as periferias e as áreas de maior vulnerabilidade, os povos indígenas, a agricultura familiar e os povos e comunidades tradicionais. Nessa desigualdade, reconhecemos o racismo ambiental, que faz os danos recaírem principalmente sobre populações negras, indígenas e empobrecidas.
Em Gênesis 1.31, Deus olha para tudo o que fez e vê que é muito bom. A criação é boa e bonita, e nossos corpos fazem parte dela. Os corpos-territórios que habitam a casa comum, revelam que não existe separação entre a vida das pessoas e a saúde dos territórios. Os corpos-territórios são constituídos por histórias, memórias, identidades, culturas, espiritualidades e relações com a natureza. Por isso falamos em corpos-territórios: quando a terra e a água adoecem, adoece também quem depende delas.
Depois da enchente, da seca ou do fogo, o sofrimento continua, e cuidar dos corpos nesse tempo é tarefa diaconal. O apoio psicossocial de base comunitária sensível à fé, feito com as pessoas atingidas e a partir dos vínculos que a comunidade já tem, precisa fazer parte das nossas respostas. Os caminhos de cura e cuidado aos corpos em momento de crise emergência precisam que sejamos pessoas preparadas, libertadas de amarras de preconceitos, respeitando e prestando toda a atenção aos direitos da identidade, cultura, expressão religiosa promovam plenamente a ajuda humanitária.
O olhar sobre os grupos mais vulneráveis precisa ser estratégico e intencional. Isso começa por conhecer os biomas em que nossas instituições atuam e as dinâmicas de cada território. Com esse conhecimento, cada segmento de atuação da Rede de Diaconia pode construir ações de adaptação e de mitigação diante das emergências climáticas, em diálogo com outras pessoas e organizações.
A diaconia é expressão concreta dessa fé que se manifesta no compromisso com a justiça, na solidariedade com quem sofre e na transformação das estruturas que produzem desigualdades. Cuidar da criação e das pessoas não é uma tarefa secundária da Igreja, mas parte essencial de seu testemunho no mundo.
São Leopoldo, 30 de outubro de 2026.
Instituições da Rede de Diaconia, reunidas no 5º Encontro Nacional
Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo,
que está em vocês e que vocês receberam de Deus,
e que vocês não pertencem a vocês mesmos? (1 Coríntios 6.19)
Confira as notícias do 5º Encontro Nacional da Rede de Diaconia:
1º dia de encontro – https://www.instagram.com/reel/DfFQEyWoVjy/?cplk=Z3hrN3Q4czM5cHRh
2º dia de encontro – https://www.instagram.com/reel/DfHo6MsIBGX/?exln=MWltenpvNHNocWJ4bg==
3º dia de encontro – https://www.instagram.com/reel/DfKUojTI5JZ/?xtok=MWhtOW42dmN0d2xlMQ==