| Planejamento Estratégico |
| uma experiência comunitária |
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Na nossa Igreja, e fora dela também, tenho observado como fazem diferença nas atitudes das pessoas os ensinamentos do Apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, Capítulo 12, versículos 3 a 8 Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu. Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo. Portanto, usemos os nossos diferentes dons de acordo com a graça que Deus nos deu. Se o dom que recebemos é o de anunciar a mensagem de Deus, façamos isto de acordo com a fé que temos. Se é o dom de servir, então devemos servir, se é o dom de ensinar, então ensinemos, se é o dom de animar os outros, então animemos. Quem reparte com os outros o que tem, que faça isso com generosidade. Quem tem autoridade, que use a sua autoridade com todo a cuidado. Quem ajuda os outros, que ajude com alegria.
Neste sentido, quero relatar uma experiência muito especial quando, em 2000, realizamos o primeiro Planejamento Estratégico da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte/MG. A experiência que tive como integrante daquele grupo de lideranças – Obreiros e Presbíteros representando seus departamentos e áreas de atuação – foi muito rica, todos colocando os seus dons e a sua fé em busca de ações estratégicas que atendessem as necessidades da Comunidade naquele momento.
Lembro-me de que havia certa desconfiança no grupo com relação à proposta: alguns perguntavam pela metodologia que seria utilizada, outros questionavam se planejamento estratégico não seria adequado apenas para empresas. Esta questão foi trabalhada pelo Assessor convidado e, aos poucos, as pessoas perceberam que, mais importante do que a metodologia e os cartazes e papelórios que seriam utilizados no trabalho, era a nossa disposição de participar, o nosso conhecimento da realidade da Comunidade. Enfim, ficou claro para todos que um bom planejamento dependeria da participação e do comprometimento das lideranças da Comunidade.
Quando discutimos sobre a missão da Comunidade, recordo que houve opiniões divergentes. Não foi diferente quando discutimos sobre o que era prioritário para o futuro da Comunidade, afinal, os desafios eram muitos! Como animar os pais a trazerem as suas crianças para o Culto Infantil? Como integrar os jovens na Comunidade? Como desafiar e animar a Terceira Idade? Como cuidar melhor das pessoas necessitadas? Como incentivar os membros a contribuírem financeiramente com a sua Comunidade? Havia dúvidas sobre quantos membros éramos efetivamente e a dificuldade gerada por não termos dados estatísticos confiáveis. Quanto à área da comunicação, como melhorá-la?
Após vários encontros, conseguimos elaborar um Plano de Ação Comunitário que representava o anseio das pessoas envolvidas e estabelecemos ações que resolvessem as questões relatadas no parágrafo anterior. Foram reuniões muito trabalhosas! Alguns quase desistiram alegando falta de objetividade nos assuntos discutidos. Nesta hora, é preciso ter paciência, pois se trata de preparar o fundamento de todo um trabalho! O bonito nesta caminhada é que os encontros foram participativos e as pessoas demonstraram a sua fé e dedicação ao trabalho comunitário, criando espaço para superar divergências, ampliar e consolidar relacionamentos, afinal, em Cristo somos um só corpo!
Mais adiante, quando já estávamos executando partes das ações planejadas, no momento da avaliação, observamos que o gerenciamento do Plano de Ação não foi adequado, pois deixamos de fazer ajustes no momento certo, bem como constatamos que foram estabelecidas muitas ações, muito além da capacidade das pessoas de realizá-las. Na minha percepção, aqui houve um grande ensinamento para nós, lideranças da época – não fizemos bem o acompanhamento, faltou priorizar esta etapa do planejamento e, mesmo com a dedicação dos responsáveis, não se conseguiu em muitas ações atingir as metas estabelecidas. Na avaliação ficou claro também que houve excesso de ações e prazos muito curtos para executá-las. Hoje, percebo que faltou ao nosso planejamento uma visão mais ampla, de médio e longo prazos.
Em função do resultado da avaliação referida, em 2001 o grupo decidiu imediatamente revisar o Planejamento Estratégico. Contamos, nesta oportunidade, com o material do PAMI – Plano de Ação Missionária 2000-2007 e com os livretos das parábolas que apoiavam a reflexão sobre o tema e que nos ajudaram a redirecionar o trabalho, diminuindo o número de ações e estabelecendo metas mais exequíveis. Tivemos muitos resultados positivos, porém também tivemos dificuldades em cumprir o planejado, como é natural.
Neste segundo Planejamento Estratégico, contamos com outro Assessor e praticamente com as mesmas lideranças, pois ambos os planejamentos foram realizados dentro do período da gestão da mesma Diretoria e Presbitério. Ressalte-se que a Obreira e o Obreiro, muito engajados na questão de planejamento, eram os mesmos também. Nesta oportunidade, se incentivou que, após cada encontro de planejamento, os representantes de departamentos trocassem idéias com a sua base sobre o andamento dos trabalhos para ampliar a participação. Foi uma oportunidade muito importante de repensar o trabalho da Comunidade, as novas ações estabelecidas tiveram um acompanhamento melhor que no planejamento anterior e os resultados foram aparecendo com maior naturalidade.
No entanto, constatamos também o risco que se corre de o Planejamento Estratégico ser de algumas lideranças apenas (Obreiros ou Presbíteros) e não da Comunidade. Também os conflitos não bem resolvidos prejudicam o andamento das atividades, criando um clima não propício ao engajamento de todos. O planejamento não pode ficar limitado ao mandato de um Presbitério, precisa ir além. O planejamento tem que ser da Comunidade, portanto é preciso divulgá-lo para que o maior número possível de membros conheça as metas e os resultados que se pretende alcançar.
Para se criar a cultura de planejamento, é fundamental que o próximo Presbitério assuma – como seu – o Plano de Ação Comunitário elaborado na gestão anterior e invista tempo para avaliar e fazer os ajustes necessários, pois, como o planejamento é dinâmico, novas ações e metas poderão ser necessárias. O acompanhamento, os ajustes e a avaliação devem reforçar a idéia de um planejamento contínuo no trabalho da Comunidade. O planejamento não pode ser apenas um outro trabalho que corre em paralelo. Ele tem que ser a bússola para orientar a direção que queremos seguir. Não trilhando este caminho, por mais importante que tenha sido o trabalho, por mais bonita que seja a apresentação do documento, o planejamento esfria aos poucos, até ser quase totalmente esquecido.
É importante transcrever parte do documento que apresentou o novo Plano de Ação em abril de 2001, que chamamos de ‘revendo o planejamento para o novo milênio’ planejamento estratégico é um desafio novo que as nossas Comunidades estão vivenciando. Podemos afirmar que tem sido muito animador podermos pensar juntos a Comunidade que temos no presente e qual a Comunidade que queremos no futuro. O planejamento deve ser uma atividade integradora e educativa para criar ambientes que possibilitem às pessoas ampliar visões para o atingimento dos objetivos através de metas. No entanto, o caminho deve ser trilhado pelas pessoas em liberdade, com consciência e responsabilidade. O planejamento, principalmente o replanejar, deve fazer a ponte entre a aprendizagem do passado e as ações do futuro. Planejar é pensar sobre o futuro e decidir como mover-se a ele. O plano deve ser audacioso, deve conter sonhos e, portanto, um grau de imprevisibilidade.
Acreditamos que em todos os níveis da Igreja existe planejamento, uns mais estruturados, outros menos. No entanto, temos certeza que hoje, com o aprendizado do PAMI anterior, temos uma diretriz mais clara ainda com o PAMI – Plano de Ação Missionária 2008-2012, aprovado no Concílio da Igreja realizado em Estrela/RS, que contempla nas Linhas Mestras do Plano Operacional uma proposta de ‘matriz comum de planejamento estratégico participativo’.
A partir da próxima edição do Jorev Luterano, vamos abordar os passos que estão sendo dados para cumprir as diretrizes do Conselho da Igreja para apoiar os Sínodos, atendendo a determinação do Concílio de que, até 2012, pelos menos um terço das Comunidades da IECLB esteja com os seus Planejamentos Estratégicos implementados e sendo acompanhados.

Gaúcho de Nonoai, Miltom de Oliveira, formado em Ciências Contábeis e com especialização nas áreas de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, trabalhou durante 33 anos na empresa mineira de construção pesada Mendes Junior, onde coordenou as áreas de administração, desenvolvimento de recursos humanos e relações sindicais. Mais tarde, foi Superintendente de Planejamento e Gestão de Pessoas para o Brasil e exterior. Na IECLB, como Presbítero da Comunidade Luterana de Belo Horizonte/MG, exerceu vários cargos, tendo sido Presidente da mesma. Atualmente, é o representante no Conselho Sinodal do Sínodo Sudeste, do qual já foi Presidente, e representante licenciado do Sínodo Sudeste junto ao Conselho da Igreja para ocupar o cargo de Coordenador do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI).