Não vou me referir a nossas mães ou nossas Professores ou outras pessoas que nos inspiraram, pelas suas falas e seus exemplos, a uma vida correta e digna. Por mais estranho que pareça, vou escrever sobre a escolha de mulheres jovens, altas, magras, enfim modelos, que deve ter ocorrido em todos os Estados, assim como aconteceu no início do mês de junho no RS. Foi eleita Miss Rio Grande do Sul uma jovem de Canoas. Agora, o sonho de todas as representantes é participar do concurso Miss Brasil. Depois, a vencedora seguirá para o concurso Miss Universo.
Para não cometer injustiça, não vamos comentar sobre a vida particular destas jovens que servem de inspiração para tantas outras jovens, mulheres e homens. Com certeza, são mulheres de famílias que procuram dar o melhor de si para que fizessem uma carreira bem sucedida. Também temos que reconhecer que outros quesitos, além da beleza física, foram considerados por quem almeja tal lugar de destaque. Um corpo esbelto requer uma fala inteligente em muitos assuntos. Contudo, é o corpo modelar que conta.
Enquanto olhava o concurso gaúcho, me sobreveio a pergunta por pessoas que serviram de modelo na minha infância e juventude. Com certeza, todas as pessoas tiveram modelos de orientação em sua vida, tantos para uma vida digna quanto indigna. Jovens que cometeram delitos e estão presos também tiveram modelos na vida.
***Deus não vê cara, mas coração***
Tive outros modelos cujos corpos jamais se enquadrariam nos padrões de beleza definidos pelos avaliadores do concurso de uma Miss. Alguns Professores foram os meus modelos. Também a minha mãe e o meu pai. Além deles, um Pastor muito me ‘modelou’ na adolescência. Eram modelos de abnegação, isto é, não mediam esforços para realizar os princípios evangélicos. O dinheiro não era umareferência de vida para eles, mas um meio e sempre era pouco, mas não faltava. Enfim, eram modelos de compromisso com as pessoas, com a Comunidade e com o setor público. Os objetivos de vida estavam acima dos interesses particulares. Não tenho dúvidas que o exemplo que modelou a vida das pessoas que nos educaram na fé e na vida era Jesus Cristo.
As jovens e os jovens que se tornam modelos físicos, também trilham o caminho com muitas cruzes. Seus corpos são modelados com fortes regimes alimentares e muita malhação. Proibições não devem faltar. De certa forma, são crucificados. São moldados por um artesão coletivo, a sociedade com seus valores de consumo e prazer imediato. É uma beleza usada para vender produtos e o alvo é ganhar muito dinheiro enquant
o o modelo físico persistir.
No entanto, há outros modelos de superação em nosso meio e que não participam de concursos – são as pessoas com deficiência. Elas nos mostram que a sociedade que elege certos padrões de beleza constroi um mundo cheio de obstáculos para que a beleza interior do compromisso solidário não circule de forma contagiante. Sua luta individual e coletiva faz cair as nossas máscaras. Afinal, Deus não vê cara, mas coração. É que diz a Bíblia em outras palavras.
P. Dr. Oneide Bobsin
Pastor da IECLB e Reitor da Faculdades EST