Gisele Metzger, 26 anos, natural de Blumenau/SC, está cursando o 6º semestre de Ciências Contábeis na Fundação Universidade Regional de Blumenau (Furb) e, atualmente, trabalha no setor de contabilidade da Central das Cooperativas de Crédito (Cecred). Na IECLB, é membro na Paróquia Martin Luther, em Blumenau, Presidente da Comunidade Martin Luther, Orientadora do Culto Infantil e da JE Mirim, além de Tesoureira da Juventude Evangélica Martin Luther (Jemalu).
No Sínodo Vale do Itajaí, como funciona o trabalho com mulheres?
Em nosso Sínodo, as mulheres são muito ativas, tem voz e vez. Elas estão liderando muitas frentes de trabalho, como a nossa Pastora Sinodal, na administração do Lar Rodeio 12 e no Presbitério tanto de Paróquias quanto de Comunidades. As mulheres são muito participativas não somente como líderes. Na minha Comunidade e Paróquia, muitas são incansáveis, como as ‘formiguinhas’, trabalhando no anonimato para que a Igreja permaneça com as portas abertas. Elas participam de praticamente todos os setores e as suas ações são voltadas para o bem comum. Dificilmente pensam em si mesmas e por onde passam deixam o seu toque especial e as suas lições de superação.
Poderias citar os temas e desafios das mulheres do Sínodo?
Embora as mulheres sejam muito ativas em nosso Sínodo, ainda há preconceito em relação à sua atuação. Além disso, é realidade mundial que a mulher possui jornada dupla: em casa e no trabalho. No Sínodo Vale do Itajaí, não é diferente. Existem mulheres muito capacitadas. Acredito que devem ser mais cativadas, mas é questão cultural e de tempo, pois, aos poucos, estamos sendo reconhecidas e buscando nosso espaço. Sabemos do nosso potencial e que desempenhamosmuito bem as funções que nos são confiadas.

Ser o único Sínodo a ter uma Pastora Sinodal é reflexo da liderança do trabalho feminino praticado no Sínodo?
Como mulher, me sinto honrada por ter a nossa Pastora como referência por sua iniciativa e coragem, mostrando, a cada dia, a força e o potencial do seu trabalho. Como toda mulher, ela também tem seu toque especial e nos faz sentir mais à vontade, pois entende nosso dia-a-dia, nossos medos e limitações. Nosso Sínodo é considerado referência em muitos trabalhos. A OASE é o carro chefe e não consigo imaginar uma Comunidade sem ela, pois são incansáveis e trabalham para que a Igreja se mantenha. Nossas mulheres têm fé, perseverança e amor. Não existe idade ou raça. Conheço muitas mulheres que eram de outras denominações religiosas e assumiram com muito amor fazer parte da IECLB.
Quais são as suas atribuições como Presidente da Comunidade Martin Luther?
Tenho muitos sonhos e um deles é que os nossos membros reconheçam a importância de ser cristão. É um trabalho difícil, pois as prioridades que colocamos em nossa vida muitas vezes passam longe das nossas Igrejas. É uma tarefa continuada que começa nos primeiros anos de vida da criança e que não deve parar. Acredito que a família deve ser o ponto de partida, por isso me dedico ao trabalho com crianças e jovens na Comunidade e o que mais gosto de fazer é contar histórias e preparar os encontros. Na casa de Deus, devemos nos sentir à vontade. Procuro envolver a todos nos cantos, brincadeiras, trabalhos coletivos, narração e em momentos que possam ter pessoas ou situações especiais e diferentes.
Como se prepara para esta responsabilidade?
Desde cedo, a maior parte da minha formação foi referenciada por mulheres. Hoje, temos uma Obreira na nossa Paróquia e no Sínodo e procuro aproveitar os momentos que passamos juntas, sempre extraindo grandes lições de vida. Sei que sou jovem, porém, quando se está na liderança, somos alvo de críticas construtivas ou não. Também tenho consciência que muitos me tomam por referência e isto alegra, assusta e faz refletir sobre os meus atos. Como liderança, não trabalho sozinha, mas com uma Diretoria e, juntos com a nossa Obreira, discutimos e buscamos as melhores decisões.
Há prioridades no trabalho junto às mulheres?
Cada um tem um dom, uma habilidade. Devemos cativar os dons, mostrar que em nossa Comunidade as mulheres têm lugar, são importantes e o seu trabalho é valorizado. Na Igreja, somos alimentados e, em função do que recebemos, somos convidados a fazer a diferença no dia-a-dia. Somos abastecidos para que, em situações agradáveis, agradeçamos a Deus, reconhecendo que é Ele quem age, e, em momentos sinuosos, saibamos que não estamos sozinhos e abandonados, pois há uma Comunidade inteira ao nosso lado, orando e caminhando conosco. Muitas ainda não conhecem a nossa Igreja e o que ela nos oferece. Devemos convidar, conhecer as suas necessidades, dar testemunho, abrir espaço e acompanhar a sua caminhada.