O dia não é como a noite. A semana não é como o domingo. Os dias de trabalho são distintos dos dias de férias. Cada dia, cada mês, cada estação, cada ano, cada tempo tem sua peculiaridade.
A estruturação do tempo da nossa vida, especialmente o nosso dia a dia, pode nos dar a falsa ideia de que vivemos num ciclo repetitivo. Entretanto, sabemos que o amanhã das nossas vidas não é o mesmo que o ontem; que o futuro, mesmo correlacionado ao passado, carrega sempre uma esperança que nos move, um mistério que nos envolve.
A estruturação do tempo é um instrumento que nos ajuda a situar-nos no mundo e na história. Caso contrário, viveríamos o caos. E é nessa estrutura e história que a igreja cristã está inserida.
Para a igreja cristã há, com base em terminologias bíblicas, dois tempos importantes: o chronos e o kairos. O chronos se refere ao tempo linear. Daí vem a palavra cronologia. Chronos refere-se a um espaço de tempo, mais ou menos determinado. É uma palavra ligada à expansão quantitativa do tempo. Enquanto isso, kairos chama a atenção para o conteúdo ou a qualidade do tempo, a algo significativo que acontece num tempo específico. Por exemplo, Deus enviou o seu Filho, Jesus Cristo, na “plenitude do tempo=kairos”. Com a vinda de Jesus, raiou um novo kairos, um novo tempo.
A igreja vive do kairos de Deus. São as ações e intervenções divinas que qualificam e dão sentido ao tempo e à história da igreja no mundo. E, enquanto a igreja espera pelo kairos de Deus, ela faz uso do outro tempo, o cronológico, e organiza a sua ação e o seu testemunho no mundo. Desse tempo, o tempo da igreja, e do modo como ela estrutura o seu tempo no mundo, trata a revisto O ano litúrgico, que ora apresentamos.
Enquanto estudamos o ano litúrgico da igreja, enquanto observamos as festas da igreja, enquanto celebramos a vinda de Deus dentro dos limites do nosso tempo, enquanto lidamos com o nosso chronos, Deus vem e qualifica a nossa vida, manifesta o seu kairos. Desse modo, enche-nos de esperança por uma nova vida e faz-nos enxergar um novo tempo onde reina a justiça e onde a vida não tem mais fim. Para perceber essa dimensão do Reino é que a revista O ano litúrgico quer servir!
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