Visitar o torrão natal e rever amigos deixa as férias mais agradáveis. Assim, já na estrada para a volta ao trabalho fui comprar abacaxi na fruteira do Paulinho, à margem da Rota do Sol. É um fruto importante para a saúde, produzido por nossa terra. Dele se fazem sucos, doces em calda, geléias e outros produtos apetitosos, por isso nunca entendi que é preciso descascar um abacaxi quando se está diante de um assunto complicado.
Não podemos ver o Paulinho apenas como um vendedor de frutas e verduras. Enquanto eu saboreava pedaços de abacaxi, Paulinho foi falando do fim temporário, espero, da sua participação na Comunidade: Olha, disse ele, hoje não participo de mais nada. Apenas levo a minha mãe ao culto e depois vou buscá-la. O que aconteceu? Onde está o seu fervor comunitário?, perguntei.
| *** | Vamos aprender a descascar os ‘abacaxis’ em mutirão | *** |
Paulinho, desde cedo, foi ativo participante da comunidade de fé, da política local, de associações comunitárias, etc. e nunca pleiteou cargos. Como comerciante, fazia questão de contribuir com alimentos, tempo e dinheiro para as festas da nossa Igreja, da Igreja Católica, do clube de futebol, entre outros. Pois é, agora não participo de nada. Quando eu participava, era muito criticado. Cansei! Não dá para entender o povo e as suas lideranças. Agora que não participo, ninguém me critica. Não é estranho isto? Deviam me criticar por não me envolver mais, mas não, agora nada falam!
Infelizmente, Paulinho não é uma exceção. Há muitas situações semelhantes em nossas Comunidades. Enquanto algumas pessoas persistem no envolvimento comunitário, apesar das críticas, outros arriam a bandeira. Conheci outras pessoas que passaram pelo mesmo processo. Nunca mais participaram da vida comunitária depois de um conflito em que se julgaram preteridos. Um deles me recebeu no portão. Apenas a sua esposa frequentava os chás da OASE. Mais tarde, fiquei sabendo que faleceu sem ir aos cultos durante 25 anos. Como participação a gente aprende, os seus filhos não participam da nossa Igreja.
Não tenho receita para trazer ao convívio comunitário estas pessoas. Suas decepções se espalham e desmotivam os novos líderes. Isto pode ser visto na pouca participação em assembleias eletivas. Estamos enterrando talentos. 
Absurdamente, o pastor Jesus deixou 99 ovelhas no deserto para buscar uma desgarrada. (Lucas 15). Sei que Jesus pode parecer irresponsável com este gesto, mas a sua estranha atitude pode trazer as pessoas de volta. Assim, elas aprenderão a descascar os ‘abacaxis’ em mutirão e fazer deles sucos e sobremesas apetitosas que nos alegram em torno de uma mesa.
P. DR. ONEIDE BOBSIN
Pastor da IECLB
e Reitor da Faculdades EST |