pois teu é o reino,
Diácona Angela Lenke, formada em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, e Coordenadora do Conselho de Diaconia do Sínodo Rio dos Sinos. Atua na Comunidade Bom Pastor, em Novo Hamburgo/RS
Esse é o primeiro trecho da doxologia ao final da oração que Jesus ensinou: Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Relatos históricos nos revelam que as primeiras comunidades cristãs acrescentaram essa parte à oração do ’Pai nosso’. Já no Antigo Testamento, o rei Davi incluía em sua oração esse louvor (leia essa maravilhosa oração no texto sugerido abaixo).
Doxologia significa ação de graças e louvor. É assim que encerramos a nossa oração: dando louvor e graças. A oração, após tantos pedidos: venha o teu reino, seja feita a tua vontade, não nos deixes cair em tentação, etc., é encerrada com palavras de gratidão e a convicção de que o reino não é nosso, mas de Deus. O final da oração está conectado com o todo: dizer pois teu é o reino é dizer que Deus sabe o que fazer, afinal dele é o reinado, ele diz o sim e o não, é colocar-se em humildade diante de Deus em oração sabendo que Ele tem o domínio.
Quando oramos pois teu é o reino encerramos com convicção e alegria, como bons filhos colocando-se nos braços do Pai, confiando na Sua bondade e no Seu amor. No reino de Deus, há alegria, pessoas são incluídas, curadas dos seus sofrimentos, amadas e perdoadas. Dizer para Deus pois teu é o reino é ter certeza que somente Ele pode transformar tudo quando tudo se coloca ao contrário. Nós também precisamos ser alcançados por esse reino e precisamos dizer que o reino pertence ao nosso Pai.
Para refletir, leia 1Crônicas 29.10-14
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o poder,
Diácono Cleomar Raach, formado pela Associação Diacônica Luterana, em Serra Pelada/ES, com Extensão Diaconal pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, Bacharel em Administração pela Uniasselvi, em Indaial/SC. Atua na Paróquia da Paz, em Porto Alegre/RS
Quem não gostaria de ter poder como nos filmes ou desenhos dos super-heróis? Quem de nós nunca pensou nesta possibilidade? O nosso poder vem de Deus desde a sua criação, em Gênesis. Com Deus (Espírito Santo), somos poderosos ao ponto de transformar e influenciar o lugar em que habitamos.
Será que o poder corrompe? Não. O poder que vem de Deus, este sim, liberta! Assim como o Apóstolo Paulo (1Co 2.1-5) nos fala em Jesus crucificado, que é luz, poder, em Mateus 5.13-16, fala no sal insípido, que para nada serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens, fala-se em luz escondida ’sob o alqueire’. É um convite a ‘provar’ a qualidade do nosso sal de cristãos de hoje e a ver com que obstáculos ocultamos a luz do Evangelho.
Como gostaria de ter poder (ser um super-herói) para acabar com a desigualdade neste mundo, modificar este sistema econômico desumano, que acumula riquezas cada vez maiores nas mãos dos que já estão fartos e despoja inexoravelmente os miseráveis! O embaraço se torna maior quando lançamos um olhar sobre o mapa da fome, da miséria e da opressão. Os países ‘tradicionalmente cristãos’ estão no auge da riqueza.
Assim afirmamos: de fato, o caminho da cruz é duro, mas o poder de Deus, por meio do seu Espírito Santo, opera em todas as nossas mazelas e fraquezas, como bem demonstra a fé dos Coríntios, fundamentada no inigualável poder de Deus: a cruz, cruz esta que é vida e luz.
Para refletir, leia 1Coríntios 2.1-5
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e a glória
Diácona Gerlinde Merklein Weber, Mestre em Educação, tem como foco a educação do campo em meio aos descendentes pomeranos da região serrana do Estado do Espírito Santo. Atua na formação de Professores de Ensino Fundamental
Sempre que oro o Pai Nosso com católicos, sinto falta da parte final, pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!
É como se deixássemos de ressaltar a magnitude de Deus. Enquanto Teu é o reino e o poder demonstram a amplitude e a força que Deus possui, a glória vem expressar a honra, a alegria, o quão maravilhoso é Deus.
A nossa tendência humana é querer para nós o reconhecimento, a admiração, o ‘ser melhor’. Deixar esta posição de destaque para Deus significa muito mais que meras palavras repetidas em uma oração. O que então é ‘a glória’ de Deus, conforme oramos no Pai Nosso?
Para um Agricultor, a glória significa que tudo o que somos e temos é de Deus, pertence a Ele, isto é, está implícita a nossa humildade, a nossa pequenez diante da magnitude de Deus, a quem pertence a glória.
Uma Terapeuta define glória como a certeza que em todas as dualidades prevalece o bem, a vida, o divino. É a luz que predomina sobre a sombra – a glória de Deus é mais forte que a morte.
Para uma Teóloga alemã, die Herrlichkeit é uma expressão de bênção, em que a luz de Deus ilumina sobre nós de modo que podemos ter apenas uma ideia de como é a luz de Deus. O hino cantado pelos anjos anunciando o nascimento de Jesus, Gloria in excelsis Deo, é a glória de Deus que chegou a nós através de Jesus.
Para você, o que significa ‘a glória’? Como podemos testemunhá-la no dia a dia?
Para refletir, leia Lucas 2.14
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para sempre. Amém!
Diácono Jianfranco Figer Berger, graduado e pós-graduado em Teologia e Ética, pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, integra Conselhos no Sínodo Espírito Santo a Belém. Atua na Paróquia de Rio Possmoser, em Santa Maria de Jetibá/ ES
A oração do Pai Nosso encerra com uma expressão de louvor a Deus. Esta parte não consta no texto original grego (Mateus 6.9-13 e Lucas 11.2-4). No entanto, ela aparece em um documento bem antigo (ano 90 a 100 dC) chamado Didaqué (instrução). Baseada na Didaqué, esta conclusão foi acrescentada à versão bíblica.
Nesta parte final da oração do Pai Nosso, reconhecemos que tudo o que pedimos, fazemos e somos, confiamos a Deus, a quem pertencem, para sempre, o reino, o poder e a glória. Por causa desta certeza, podemos encerrar a nossa oração dizendo amém – que quer dizer: que assim seja!
Dizendo amém, afirmamos que cremos que tudo o que pedimos Deus nos concederá conforme a sua vontade. Essa fé também deve nos animar a considerar a oração como algo fundamental em nossa vida, tanto com a Comunidade quanto em momentos particulares em que estamos a sós com Deus. O amém do Pai Nosso é um pedido comunitário: sim, assim seja, que tudo o que pedimos e com o que nos comprometemos na oração se realize.
Este comprometimento, por sua vez, nos remete à dimensão diaconal do amém, pois ele nos compromete com aquilo que pedimos também para o nosso próximo. Se, por exemplo, pedimos pelo pão nosso de cada dia, precisamos fazer a nossa parte para que todas as pessoas tenham acesso ao mesmo. O amém nos chama, portanto, à prática do amor ao próximo (Diaconia), a exemplo da prática de Cristo, exortando-nos a sempre unirmos a nossa oração à ação.
| Para refletir, leia Tiago 2.14-26 |