
Três pardais, logo após os seus afazeres da manhã, decidiram avaliar a situação do dia. A questão era: como resolver o problema da moradia, considerando que a árvore em que sempre dormiam estava sendo derrubada e a pardalhada do condomínio estava em alvoroço?
O primeiro propôs que dormissem na árvore vizinha. A probabilidade de ela ser derrubada era grande, mas era uma árvore e isto significava muito para pardais acostumados a dormir em galhos, abrigados por mil folhinhas. Onde mais teriam aquela brisa de arrepiar as penas e o efeito ensopado da chuva forte? O segundo gostou da idéia, mas propôs que dormissem no campo, no meio do capim. Afinal, folha por folha, melhor no chão, que ninguém consegue derrubar, apenas arar. O terceiro questionou as duas sugestões e propôs que migrassem para a casa mais próxima. O telhado era à prova de chuva, granizo, enchentes e, apesar do calor, tinha aberturas para a passagem de uma leve brisa para arrepiar as peninhas.
Assim ficaram, avaliando a situação, até que a mulher de um deles apareceu com os filhotes, perguntando onde se abrigariam, pois havia anoitecido. Responderam que ainda não tinham decidido o que fazer e, por enquanto, tudo deveria ficar como estava. Sem perder a concentração no problema, os três continuaram discutindo até que um gato abocanhou um deles. Os dois restantes, entre assustados e amedrontados, voaram para o alto da casa próxima e passaram a procurar o restante do bando, porque aquela altura a reunião tinha sido dada por encerrada. Parte do bando estava no alto da rede elétrica, inclusive alguns filhotes que nem bem conseguiam se equilibrar. Outra parte estava fugindo do mesmo gato e o restante sabe lá onde estava.
Planejar é um ato de coragem
Na Igreja, discutir sobre a possibilidade de realizar um planejamento, é, hoje, um ato de coragem. É virar para os outros e propor: vamos colocar na mesa todas as nossas dificuldades, nossos méritos, nossas conquistas, nossas derrotas, nossos acertos e nossas discordâncias. Vamos relembrar o que nos une como Igreja, como Sínodo, como Paróquia, como Comunidade, como Instituição. Vamos parar de aprovar agendas sob o pretexto de planejamento estratégico e de fazer planos que ficam no papel. Vamos olhar para outros Sínodos, Comunidades, Instituições, Igrejas, ONGs e empresas que estão conseguindo fazer planejamento de verdade e conquistando mudanças.
Atualmente, dispomos de vasta literatura sobre planejamento. A Internet tem bons conteúdos a respeito. Um exemplo disso é a entrevista com o Pastor Sinodal Enos Heidemann, no site do Instituto Jetro (www.institutojetro.com.br). O certo é que nenhuma fórmula de fazer planejamento é mágica e vai ser eficaz para todos. Um ponto, contudo, é comum a todas as propostas: é preciso saber aonde se quer chegar.
Aonde se quer chegar
É bem normal querer ir direto para o planejamento de ações e a análise de recursos Afinal, todos sabem aonde se quer chegar! Coloque a discussão na mesa, para ver a quantidade de opiniões sobre aonde a Comunidade deve chegar. Enquanto não houver um acordo sobre aonde se quer chegar, o planejamento vai ser de papel e esse tipo de planejamento, raramente, muda alguma coisa.
A IECLB sabe aonde quer chegar. Sua Constituição diz claramente que a finalidade e a missão da IECLB é, em obediência ao mandamento do Senhor, e através das suas Comunidades:
• propagar o Evangelho de Jesus Cristo;
• estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária;
• promover a paz, a justiça e o amor na sociedade;
• participar do testemunho do Evangelho no País e no mundo.
Essa missão é também de cada Comunidade, Paróquia, Sínodo e instituição que atua no âmbito da IECLB. Esta finalidade é um dos elos que nos une como Igreja. A definição dessa missão é um belo ponto de partida para uma primeira reunião de planejamento. Comece perguntando se, como parte da IECLB, a Comunidade, Paróquia, Sínodo, instituição, assume realmente essa missão. Pergunte quais outros aspectos devem ser agregados a essa missão. Peça para alguém anotar cada opinião.
Levantamento de expectativas
Na reunião seguinte, pergunte o que é preciso realizar no dia-a-dia para alcançar a meta que o Presbitério ou o Conselho definiu. Nessa análise, certamente vão aparecer opiniões sobre o que pode dar certo, sobre dificuldades, sobre resistências. Como líder da discussão, estimule os Presbíteros ou Conselheiros a se manifestarem livremente. Peça para alguém anotar. Preveja tempo suficiente para discussão, assim que a maioria dos participantes se manifestou. Depois da reunião reveja todas as anotações, analisando e organizando-as com a Diretoria. Amplie a discussão, se julgar necessário, por meio de uma pesquisa junto aos membros. Não esqueça de envolver as lideranças de grupos e as pessoas que atuam nas secretarias, onde for o caso.
Em nova reunião, retorne com os dados organizados. Nesse ponto, já se tem anotada uma série de necessidades, receios e oportunidades. Começa agora o trabalho de fazer o levantamento, junto aos Presbíteros e Conselheiros, das ações necessárias para alcançar os objetivos já definidos. Por exemplo, o que é preciso fazer para promover a paz, a justiça e o amor na sociedade no âmbito de abrangência da Comunidade, Paróquia, Sínodo, instituição? Que recursos vão ser necessários? Quem vai precisar ajudar? Quais parcerias podem ser feitas? Não force, nessa fase, que os Presbíteros e Conselheiros entendam a diferença entre ações e atividades ou se preocupem em nominar responsáveis e definir prazos para cada item. Estimule-os a falar e a expor os anseios dos setores que representam. Peça para alguém anotar tudo. Depois, reúna-se com a Diretoria e comece a relacionar as opiniões e a agrupá-las por categoria, preferencialmente numa tabela:
• O que fazer
• Como fazer
• Com quais recursos
• Qual o resultado esperado
Em nova reunião, apresente os dados agora mais organizados ainda. Peça aos Presbíteros e Conselheiros para verificarem se tudo confere com o exposto até o momento. Estimule-os a agregar mais idéias, a propor prazos e eventuais responsáveis para cada uma das atividades. Por fim, nessa ou em nova reunião, avalie, com eles, quais ações são estratégicas para alcançar o que foi definido.
Planejamento exige humildade
Está preocupado com tantas reuniões? Um bom planejamento exige muitas reuniões, pois requer, entre outros, engajamento e envolvimento das pessoas responsáveis: os Presbíteros e Conselheiros, porque são eles que vão levar adiante – para quem representam – o planejamento, a fim de colocá-lo em prática. Quem não se convenceu de que o planejamento vale para todos e é fruto de um trabalho conjunto, possivelmente vai ser um entrave no processo. Com isso, sofre toda a Comunidade, sofre toda a Igreja.
O envolvimento de Presbíteros e Conselheiros não acontece de uma hora para outra. É trabalho árduo que precisa considerar quem não está ou não esteve presente na última reunião, quem apresenta apenas opiniões considerando as suas próprias razões e se esquece de que participa do Presbitério ou do Conselho como representante de um setor, quem quer ajudar, mas fala sem parar e sem propor nada e quem pensa que tem a única opinião certa. Tenha paciência. Acima de tudo, ouça e invista em levantamentos e avaliações, conduzindo a reunião focado no propósito de promover o processo de planejamento.
Planejamentos fracassam quando…
1 – Não são colocados sob oração constante
2 – Os objetivos não estão definidos
3 – Presbíteros e Conselheiros não se envolvem suficientemente no processo de elaboração e terminam sem condições de passá-lo adiante para as Comunidades e setores que representam
4 – As ações não são monitoradas e nem avaliadas
5 – Ficam no papel e não são implementados
É Normal querer ir direto para o planejamento de ações e a análise de recursos.
Afinal, todos sabem onde se quer chegar!
Coloque a discussão na mesa, para ver a quantidades de opiniões sobra aonde a Comunidade deve chegar.
Enquanto não houver um acordo sobre aonde se quer chegar, o planejamento vai ser de papel e esse tipo de planejamento raramente muda alguma coisa.
***Planejamento exige dedicação e envolvimento*** |
Planejamento de esperança
O processo de planejamento não é difícil, mas é trabalhoso e exige muita dedicação e envolvimento. Nem para pardais é fácil. O bom é que até eles têm muito a nos ensinar.
Depois de alcançarem a casa mais próxima, os dois pardais se entreolharam. Um ameaçou uma bicada no outro, dizendo que tinha participado da discussão com a melhor das intenções e, com isso, deixado a sua família no relento. O outro entrou na defensiva, respondendo que tinha sido convocado pelo falecido, comido pelo gato. Assim, ficaram se bicando pelo restante da madrugada até a manhã seguinte e nenhuma solução havia sido encontrada.
Foi aí que a viúva, cansada de esperar, resolveu reunir o bando e colocar o assunto na mesa. Ela tremia de medo, porque coordenar uma conversa daquelas era coisa dos líderes, como seu marido, comido pelo gato. Analisaram prós e contras de todas as possibilidades existentes e, por fim, depois de saber o que queriam um abrigo mais ou menos permanente e concluir que era estratégico enfrentarem juntos seu medo maior encarar quem era maior que eles, decidiram falar com as vacas, donas do curral para propor uma parceria: alegrariam o estábulo em troca da cedência do telhado, sem ônus e por tempo indeterminado. Conta-se que, até os dias de hoje, naquele curral, há abundância de leite e de alegria.