Celebrar a fé em comunidade é uma grande alegria. Reunir-se fortalece a vida em comum, anima as pessoas ao serviço e nos move a testemunhar Jesus Cristo. Na vida comunitária, todas as pessoas se encontram para partilhar alegrias, dores e caminhar juntas.
É fundamental que haja espaço para todas as vozes na igreja, na sociedade e na família. Cada pessoa fala a partir da sua realidade, do lugar em que se encontra na sociedade: quem trabalha na terra tem experiências distintas de quem está numa fábrica ou no ambiente comercial. Precisamos refletir: as vozes de todas as pessoas são ouvidas? Quem tem sido silenciada? Como comunidade, recebemos o chamado para cuidar da vida, acolher o sofrimento e promover a esperança.
Enfrentamos dias escuros de dor, injustiça e fragilidade. Deus conhece essa escuridão e sofreu a violência na cruz. O Evangelho de Marcos narra a crucificação como um cenário de medo, onde parte do grupo de seguidores fugiu. Contudo, as mulheres da Galileia permaneceram ali. Elas não tinham poder político para mudar a sentença, mas tinham a coragem da presença. Recusaram-se a abandonar o Mestre.
“E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; As quais também o seguiam, e o serviam, quando estava na Galileia; e muitas outras, que tinham subido com ele a Jerusalém” (Marcos 15.40-41).
Essa coragem nasceu do dia a dia, no serviço silencioso e no cuidado mútuo pelo caminho enquanto seguiam Jesus. Essa fidelidade também quer estar presente na nossa vida de fé. Vivemos isso quando nos colocamos “ao pé da cruz” das pessoas que enfrentam situações de dor, sofrimento, violência, injustiça:
- Ao visitar alguém em situação de doença ou luto.
- Ao estender a mão a quem passa por necessidades materiais ou emocionais.
- Ao criar espaços de escuta livre de julgamentos.
- Ao persistir no amor que transforma a vida e promove paz.
Diante das dores do mundo, podemos nos sentir sem força para produzir as mudanças necessárias. Mas aquelas mulheres ao pé da cruz, permaneceram lá com fé e coragem. Foram testemunhas e não precisaram resolver a situação; bastou estar lá. A comunidade se faz viva no abraço, no alimento compartilhado, na oração silenciosa, na presença acolhedora, na persistência e resiliência de viver o amor.
Que Deus nos conceda fé e coragem. Que sejamos uma comunidade que acolhe, permanece e não foge diante da dor do próximo, sabendo que a graça e a misericórdia de Deus sustentam a nossa caminhada. Amém.
P. Sinodal Me. Eduardo Paulo Stauder