Notícias diretas sobre a situação em Honduras começaram a chegar à Presidência da IECLB em 28 de junho, dia do golpe, encaminhadas por obreiros luteranos que estão no local: “Acordamos hoje, de madrugada, com os aviões militares cortando o céu de Honduras. O golpe militar realmente ocorreu, com a deposição e exílio do presidente Manuel Zelaya. Hoje teríamos a quarta consulta popular (a quarta urna), mas o exército controla as aduanas, as pontes que ligam os bairros para o centro, para evitar a mobilização popular. Tememos pela instabilidade e possibilidade de aumento da violência e descontrole policial”, diziam as mensagens.
“Pedimos a todos que orem pelas pessoas e pela situação em Honduras”, confirmou o pastor presidente da IECLB, Walter Altmann, em pedido de intercessão divulgado terça-feira, 7 de julho – Pela restauração da democracia em Honduras (leia aqui o texto na íntegra). “Que Deus possa amparar, fortalecer e consolar a todos neste tempo de incertezas, e que a normalidade democrática possa ser reestabelecida o mais breve possível”, disse o pastor 1o vice presidente e coordenador da Missão Global da IECLB, Homero Severo Pinto.
A IECLB condena o uso de força armada e de meios inconstitucionais para resolver disputas políticas. A própria Organização das Nações Unidas (ONU), em resolução unânime de sua Assembleia Geral em 30 de junho, condenou o golpe e pediu a imediata recondução do presidente eleito democraticamente. Também o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) exige que o presidente Zelaya seja restituído ao cargo que lhe foi confiado através de eleições democráticas.
Já há anos a IECLB tem uma parceria com a Igreja Cristã Luterana de Honduras. O pastor Armindo Schmechel, enviado pela IECLB, chegou a exercer a Presidência da igreja-irmã até o ano passado, quando retornou ao Brasil. Desde março deste ano a IECLB está presente em Honduras através da atuação do pastor Antônio Ottobelli da Luz, acompanhado por sua esposa, a pastora Rosane Pletsch, e a filha do casal, Gabriela Pletsch da Luz.
Fim das ações militares – A Federação Luterana Mundial (FLM) também pediu o fim das ações militares e policiais perpetradas contra a população civil de Honduras e a libertação de todos os presos nos protestos verificados nos últimos 15 dias. “O golpe militar (re)cria um mau exemplo numa região onde os processos democráticos e as instituições encontram-se na infância (em algumas regiões)”, diz manifesto da FLM assinada pelo seu secretário-geral, pastor Ishamel Noko.
Além de expressar extrema preocupação com o quadro conturbado em Honduras, Noko pede que a Organização dos Estados Americanos (OEA) estabeleça mecanismos que ajudem a mediar a crise política instalada no país e que apóie o processo democrático de eleições, marcadas para 29 de novembro.
Desde 1998, com os estragos provocados pelo furacão Mitch, a FLM presta ajuda humanitária a Honduras e participa, no marco da Ação Conjunta de Igrejas (ACT), na resposta ao terremoto que castigou regiões do país em 29 de maio passado. No entendimento de Noko, a instabilidade e a polarização da sociedade provocada pelo golpe militar colocam em risco e solapam o desenvolvimento do país, fomentam a agitação social e acentuam o conflito.
(Susanne Buchweitz/IECLB junto com ALC)