A Mentoria espiritual é um desejo, é a continuação do olhar de Deus para com aquele que se sentiu chamado para, por meio da sua vivência, compartilhar a caminhada de outras pessoas, que igualmente sentem-se de alguma forma chamadas para o Ministério na IECLB.
A Mentoria espiritual é partilha! É uma troca de saberes, em que a experiência de alguém é complementada com o jeito de fazer Teologia nos dias atuais. Ser Mentora é dispor-se a sentar, a ouvir, a orar com. Alguns conselhos, algumas perguntas, alguns indicativos. Como antigamente a gente afofava o colchão feito com palha de milho desfi ada, também o encontro entre Mentora e Mentoranda tem este resultado.
O estudante planeja, estando muitas vezes absolutamente sozinho neste planejamento, sem condições de saber se este é o melhor caminho. A existência do Programa de Acompanhamento a Estudantes de Teologia da IECLB concede a oportunidade de fortalecer a vocação e também, se este for o caso, de perceber que não é este o caminho, e que há outras formas de servir a Deus. Se isto for percebido, há a possibilidade de encaminhamentos para outros campos.
Os Ministros e as Ministras precisam realmente se sentir chamados e chamadas, para que tenham condições de encarar as exigências do Ministério e ter consciência delas o quanto antes. Isto é um processo. Não está dado.
Em minha experiência ministerial, tive alguns Mentores que eu mesma fui escolhendo. Eles nem sabem disso, mas iam abrindo o meu caminho. Lembro de um deles que disse: ‘Quando abrirem um pouco a porta para você, coloque o pé, para que não possam mais fechá-la’. Foi um Mentor Professor de Teologia. Aliás, os Professores de Teologia têm um papel muito importante. Além de Professores, muitos deles são Pastores e o seu rebanho de estudantes é muito precioso.
No meu processo de formação, também tive expectativas que não se concretizaram a partir de pessoas das quais esperei auxílio ou mesmo apenas um ouvido atento. Ainda tive que ouvir: ‘pastorado não é coisa para mulheres’. Este tipo de relato reforça a importância deste programa na IECLB.
O estudante de Teologia precisa de um cuidado a mais. O Ministério Ordenado não é simplesmente um meio de se formar para daí tirar o sustento (uma profi ssão). É resposta a um chamado de Deus. É aprender a ter sensibilidade para perceber o jeito de Deus agir no mundo e nas pessoas e saber sempre que tem que se ter muita responsabilidade com o que se faz e o que se diz, pois é lidar com o sagrado, com Deus. Estamos tratando de salvação e, neste sentido, qualquer palavra ou atitude fora do lugar pode desencaminhar pessoas e a nós mesmos.
A minha experiência como Mentora é muito gratificante. O que mais faço é repartir a minha história no pastorado. São 28 anos de caminhada, em contexto rural, depois na periferia, novamente rural e, agora, urbano e rural. Foram lugares diferentes, mas, em quatro deles, os membros eram, na grande maioria, descendentes de Alemães provindos da região do Hunsrück.
A Mentoria tem girado em torno da compreensão de Igreja que os membros, os Presbitérios, os Sínodos e também a Direção da IECLB têm em cada época. São subsídios interessantes para uma análise e ajudam a entender a missão a ser desenvolvida hoje, onde pode ser que a realidade tenha mudado e uma parcela das pessoas consiga acompanhar, mas grande parte está apenas se arrastando, pedindo socorro.
São sobre estes assuntos que vêm as perguntas: Conte como foi?’, ‘Como é isso?’, ‘Por que isso é assim?’.
A minha atividade de Mentora é ajudar a compreender. Ajudar a ouvir. Sou muito grata ao perceber a caminhada e o aprontar-se. Primeiro a dúvida quanto à prática ou se contentar com os frutos do estudo teológico. Depois, o pedido de socorro, pois estava mexendo demais, também fisicamente. Aos poucos, a clareza: é por aí! Em cada um destes momentos, o olhar nos olhos, o sentar ao lado, o lembrar que somos uma confissão, parte da Igreja de Jesus Cristo, na certeza de que Deus está presente na caminhada.
Mentoria espiritual: espaço para nutrir a fé
A Mentoria da Pa. Cristiane Érica Petry, que já está ocorrendo há mais de um ano, revelou-se um alento nestes dois últimos anos da graduação. Não posso dizer como teria sido se ela já acontecesse há mais tempo, mas foi muito oportuna para mim agora. As disciplinas cursadas neste período e o trabalho semestral (agora só o TCC pela frente) exigiram muito esforço e causaram muito cansaço, o que facilmente nos leva ao questionamento: ‘Tudo isso vai dar conta do que experimentarei no Ministério?’. É tudo tão teórico, sem muita prática, e o curso está terminando!
A Mentoria
foi um
alento! |

É por isso que a Mentoria foi um alento! Pude ouvir o testemunho de uma vida ministerial ativa, com as demandas de agora e de alguém que se mostrou próxima a mim. Pude fazer isso em particular, não em uma sala de aula, mas a partir de um diálogo informal, não avaliativo. Optei por expor os meus medos, as minhas dúvidas e ansiedades, mas também as minhas alegrias, na expectativa de constatar que tudo é pertinente a este período. Isso se confirmou a partir do que a própria Mentora experimentou no início do seu Ministério e me relatou. Isto realmente me acalmou, mesmo que pouco a pouco, em cada encontro.
Durante a graduação, é muito fácil vermos em vários colegas a vocação ministerial e isto gera a dúvida sobre a nossa própria vocação. O fim da graduação é um período muito crítico. Está cheio de ansiedade. A formatura, a especialização na sequência…
Chegar até aqui não foi fácil e o Período Prático de Habilitação ao Ministério (PPHM) ainda pode esbarrar no Colóquio! Neste quesito, a Mentoria traz o alento, nos fazendo perceber que mesmo um candidato ao Ministério que sofre destes medos, que o próprio Mentor já experimentou, pode ser, sim, um candidato apto, vocacionado pela graça de Deus, mesmo que ainda não o perceba.
Elisabeth Kayser Kirsch
Novo Hamburgo/RS

Pa. Cristiane Érica Petry, formada em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerceu o Ministério Pastoral nas Paróquias de Mondaí/SC, Alvorada/RS, Linha Nova/RS e União em Montenegro/RS. Atua na Paróquia em São Sebastião do Caí/RS