‘Oferta é sinal de amor. Nossa solidariedade com outras pessoas torna-se concreta quando recolhemos a oferta, dada em gratidão a Deus e em favor do próximo’, afirma o livro Nossa Fé – Nossa Vida, o Guia da vida comunitária na IECLB. Para esta reflexão sobre a oferta no culto, seu lugar, razão, uso e motivação, convidamos a Pastora Ester Wilke, pós-graduada em Aconselhamento e Psicologia Pastoral pela EST, Vice-Pastora Sinodal do Sínodo Rio Paraná, integrante da Comissão Sinodal Fé, Gratidão e Compromisso e, no momento, atuando na Paróquia Evangélica de Nova Santa Rosa/PR. Também participa o Pastor Valdir Frank,formado em Teologia pela EST, em São Leopoldo/RS, e, atualmente, exercendo o Pastorado na Paróquia Evangélica de Marques de Souza/RS, Sínodo Vale do Taquari. Contribui, ainda, a Catequista Erli Mansk, que concluiu recentemente seu Doutorado em Teologia, no PPG da EST e atua, em tempo parcial, na Coordenação de Liturgia da IECLB. O encerramento fica a cargo do Pastor Raul Wagner, que exerce a função na pastoral escolar na Escola Barão do Rio Branco, em Blumenau/SC, e, como membro do Conselho Sinodal, preside a Comissão de Contribuição Voluntária no Sínodo Vale do Itajaí.
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O uso responsável da oferta
Pastora Ester Wilke
Todas as cousas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as cousas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas (1Co 6.12).
Caiu a credibilidade quanto ao uso e aplicação dos recursos públicos recolhidos em nosso País por meio de impostos. No geral, também as igrejas perderam credibilidade em função de escândalos envolvendo recursos advindos de ofertas de membros. A fragilidade humana se mostra em diferentes instâncias e encontra mecanismos de apropriação ilícita de recursos financeiros.
Cuidar do destino e aplicação das ofertas na igreja é uma grande responsabilidade, pois implica em grande confiança depositada por parte dos membros das Comunidades nos Tesoureiros, Presbíteros, Conselheiros e funcionários em diferentes instâncias da igreja, confiança que se estende aos que decidem de forma criteriosa o destino da oferta, como o Conselho da Igreja, em nível de IECLB, e o Conselho Sinodal, como também a quem tem atribuição de fazer uso da mesma. O ensinamento de Jesus fala que a quem muito foi dado, muito lhe será exigido, e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão (Lc 12.48).
A IECLB tem aplicado ofertas na formação, diaconia, missão no Brasil e no exterior, estrutura, etc. A nossa trajetória como igreja mostra que somos sérios no trato com recursos financeiros. A credibilidade é um valor inestimável que vem da fidelidade ao Evangelho – do amor a Deus e ao próximo.
Que o que falta no uso do recurso público não falte à igreja: transparência, honestidade, seriedade, cuidado, clareza e responsabilidade.
Para refletir, leia 1Timóteo 5.3-10
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A oferta não é para si mesmo
Pastor Valdir Frank
A afirmação ‘a oferta não é para si’ nos desafia a um olhar para além do nosso próprio horizonte e a uma busca mais ampla e abrangente. Nem sempre ficamos muito à vontade quando tratamos de assuntos que mexem com a nossa economia, o nosso dinheiro, enfim os bens materiais. Porém, como evangélicos de confissão luterana, precisamos submeter a nossa visão à busca de critérios que norteiam a nossa visão de fé.
Conhecemos a prática comunitária da nossa Igreja ao longo de muitos anos. Temos motivos de gratidão por tantas experiências positivas. Muitos trabalhos de missão não teriam se concretizado sem a prática comunitária do ofertar. Lembramos com gratidão e carinho de tais expressões de fé em nossa caminhada enquanto Igreja. Em nossos dias, quantas são as Comunidades que nos surpreendem positivamente com a manutenção de tarefas e desafios missionários além dos seus limites geográficos! Seus gestos nos desafiam e nos indicam caminhos. Assim também podemos constantemente repensar a nossa prática do ofertar.
Conforme lemos em Gálatas 6.2, o levar as cargas uns dos outros é uma forma concreta de vivermos a fé em Jesus Cristo, externando-se aí uma prática de solidariedade cristã. Assim também a liberdade para a qual Cristo nos libertou (Gálatas 5.1), inclui os bens materiais para que estejam a serviço da ação missionária de Deus por meio das pessoas. Mesmo assim continuamos ‘peregrinos nas estradas de um mundo desigual, espoliado pelo lucro e ambição do capital’ e as nossas práticas pessoais e comunitárias não estão imunes à ideologia e ao desejo de adorar ‘o que temos guardado no cofre’.
Para refletir, leia 2Coríntios 8.12-15
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O lugar da oferta no culto
Catequista Erli Mank
A oferta é um elemento do culto cristão desde os primeiros tempos de existência da comunidade cristã, um sinal de comunhão entre cristãos. Onde há comunidade cristã, ali também há apoio mútuo e ajuda a pessoas necessitadas. Da comunhão espiritual faz parte a comunhão material.
Um exemplo da comunhão cristã nos é dado pelo apóstolo Paulo quando organizou uma grande coleta em favor da comunidade de Jerusalém, que se encontrava em dificuldade. Assim também a comunidade de Antioquia ajudou a comunidade da Judéia.
Conforme Paulo, a principal motivação para a dádiva ou a oferta é que Deus nos presenteou com a sua graça, pois Jesus Cristo sendo rico, se fez pobre por amor a vós, para que pela pobreza vos tornásseis ricos (1Co 8. 9). O dar, resulta do receber e a nossa oferta não visa a nenhum merecimento ou retribuição, mas tem o objetivo único de auxiliar a Igreja em seu serviço a pessoas necessitadas e no apoio mútuo. A oferta é fruto do amor de Deus que se transforma em amor ao próximo e vida em comum.
Dada a importância da oferta na vida comunitária, o lugar a ela reservado no culto não é o fim da celebração, como apêndice, mas durante a celebração. Um lugar indicado, mas não o único, para o recolhimento da oferta é após a pregação e confissão de fé, enquanto a comunidade canta um hino que fale de partilha ou vida em comum. Após o recolhimento, ela pode ser levada, logo em seguida, para o altar ou junto com a procissão dos elementos da Ceia. A pessoa que preside o culto recebe as ofertas e faz uma oração, expressando diante de Deus a nossa gratidão pelas suas dádivas e pedindo que fortaleça a comunhão da sua Igreja por meio da partilha e da solidariedade.
Para refletir, leia Atos 2.42
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O que nos move a ofertar
Pastor Raul Wagner
A vinda dos imigrantes europeus faz surgir no Brasil comunidades luteranas e a preocupação com a vida de fé ocupa nossos antepassados. O que os move é a fé em Cristo e o compromisso assumido a partir da sua igreja de origem.
No Brasil, tudo teve que ser construído. Estas primeiras Comunidades foram muito criativas na busca de recursos para a construção de escolas, casas pastorais, cemitérios, igrejas, hospitais e a manutenção de serviços. Os membros consideraram importante expressar a gratidão a Deus por meio de ofertas como o Culto da Colheita ou o Culto de Ações de Graça, em que ofertavam os melhores frutos da sua terra como ato de reconhecimento de que tudo provém de Deus.
Com estas ofertas, mantiveram a vida de fé e as obras necessárias para a sua vivência comunitária e social. Hoje, vivenciando a nossa responsabilidade de filhos de Deus, como herdeiros da Reforma e descendentes daqueles que tiveram a experiência da fidelidade de Deus em suas vidas, também ofertamos.
A partir da liberdade que Deus nos concede, entendemos que as ofertas continuam sendo necessárias para a manutenção do trabalho no Reino de Deus. Mais do que necessárias, fundamentais para nossa vivência de fé. Aprendemos que cada pessoa batizada oferta a Deus, segundo o que tem proposto em seu coração, como resposta e sinal de gratidão.
A oferta continua sendo a nossa demonstração de fé e gratidão, reconhecendo que tudo pertence a Deus e o testemunho de que é Ele quem nos mantém. A vivência da fé nos permite cumprir com a ordem de Jesus de ir e fazer discípulos (Missão) e de este trabalho ser um privilégio de quem é cristão e luterano no Brasil.
Para refletir, leia 1Coríntios 16.1-3