P. Eloir Enio Weber, formado em Teologia e Pós-graduado em Missão Urbana pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Atua na Comunidade do Salvador, em Porto Alegre/RS
Ceia do Senhor: comunhão e compromisso
A liturgia do culto cristão é formada, basicamente, por duas vertentes. A primeira vem do culto das sinagogas e compreende a parte da leitura e interpretação da Palavra e a oração. A segunda é a celebração da Santa Ceia. Ela vem do próprio cristianismo, está ligada ao pedido de Jesus aos discípulos fazei isto em memória de mim.
No tocante à Ceia do Senhor, um dos atos centrais é a eucaristia ou ação de graças. Os relatos da instituição (Mt 26.26-30, Mc 14.22-26, Lc 22.14-20 e 1Co 11.23-26) mencionam que Jesus deu graças a Deus. Este aspecto realmente marcou a vida celebrativa das primeiras Comunidades: partiam o pão com alegria e singeleza de coração (At 2.46).
A Comunidade rende ações de graças a Deus pelas dádivas que recebeu por meio da vida, da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo evidencia o sentido da comunhão em 1Co 10.16-17: Porventura o cálice da bênção que abençoamos e o pão que partimos não é a comunhão do corpo e sangue de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque participamos do único pão.
Na Ceia do Senhor, relembramos o passado, na medida em que o tornamos presente (em memória de mim). Relembramos e reatualizamos toda a vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo. Celebramos também o presente, pois Cristo está no centro da Ceia – no pão e no fruto da videira, realizando a comunhão entre os comungantes. Nela também se aponta para o futuro: o Reino. Pois, Jesus Cristo, no contexto da última Ceia, prometeu cear conosco novamente na plenitude do Reino (Mt 26.29). Estas três dimensões de tempo são celebradas na Ceia.
Compreendemos que Jesus Cristo está presente de maneira real na Ceia. Ele está em, com e sob o pão e o fruto da videira. Como isso acontece é um mistério, conforme Lutero. Esta união sacramental, porém, só existe em conexão com a celebração do Sacramento. Na Ceia, recebemos perdão, reconciliação, vida nova e comunhão. O Espírito Santo é quem realiza a verdadeira comunhão do corpo e do sangue de Jesus Cristo e nos fortalece na fé.
Em torno da mesa, Jesus nos alimenta para podermos continuar a caminhada em meio à situação de vida difícil, colocando sinais do Reino. Dessa forma, somos renovados para lutar contra todas as formas de injustiça, opressão e desigualdade. A Ceia do Senhor não coaduna com a falta de liberdade, de dignidade humana e com a ausência de comunhão. A Ceia precisa ter reflexos concretos na nossa vida, pois, necessariamente, nos coloca em uma nova e justa relação com o próximo.
Na Ceia do Senhor, o pecado é denunciado e vem à tona por causa da dimensão comunitária. O pecado é desvelado, porque a Eucaristia é comunhão com Deus e com o próximo. No entanto, a dignidade e a validade da celebração eucarística provêm unicamente da presença do Senhor.
Para refletir, leia o Mateus 26.26-30

P. Henrique Guilherme Scherer, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, exerce as funções de Vice-Orientador Teológico do Conselho Sinodal da Juventude Evangélica e a Coordenação Compartilhada do Núcleo Vale do Rio Pardo, ambos do Sínodo Centro-Campanha Sul. Atua na Paróquia em Candelária/RS
O Batismo que se renova a cada dia
No dia do nosso Batismo, fomos acolhidos e acolhidas como membros no corpo de Cristo em nome do trino Deus Pai, Filho e Espírito Santo. É isto que consta na nossa Certidão de Batismo. O que ganhamos como pessoas batizadas? Recebemos de Deus a sua graça e, ao mesmo tempo, o compromisso de viver o nosso Batismo diariamente
Deus nos concede o dom de ser o seu filho amado e a sua filha amada. Por meio desse seu amor, Ele perdoa os nossos pecados, nos concede nova vida e nos faz herdeiros e herdeiras do seu Reino eterno.
Assim, algo novo acontece no Batismo, como dizia o apóstolo Paulo aos coríntios: Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo (2Coríntios 5.17), bem como aos Gálatas: Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as qualidades do próprio Cristo (Gálatas 3.27).

No Catecismo Menor, Martim Lutero, na sua explicação sobre a respeito do Batismo, ‘que significa este batizar com água’, afirma que há a necessidade da renovação diária do Batismo. Ele diz: ‘Significa que, por arrependimento diário, a velha pessoa em nós deve ser afogada e morrer com todos os pecados e maus desejos. Por sua vez, deve sair e ressurgir diariamente nova pessoa, que viva em justiça e pureza diante de Deus para sempre’. Essa renovação não significa rebatizar. A renovação acontece por meio do arrependimento dos pecados e da vivência da justiça de Deus, vivendo a novidade de vida, como o apóstolo Paulo pregava: Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo Batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida (Romanos 6.4).
No nosso Batismo, conforme o apóstolo Paulo, Deus, por meio do poder do Espírito Santo (1Coríntios 12.1ss), nos concede dons para viver a sua graça no mundo, onde quer que estejamos e a qualquer momento, em toda a existência da nossa vida terrena. Assim, dons são frutos do Espírito Santo, dados a nós para vivermos como pessoas cristãs. Ainda, na compreensão do apóstolo Paulo, os dons são diversos (Romanos 12.4ss) e todos estão a serviço da vida criada por Deus, concretizando-se em solidariedade, amparo, cuidado para com o nosso semelhante, para com a natureza.
Quando recordamos o nosso Batismo, somos renovados e renovadas em Jesus Cristo, por meio da sua morte na cruz, para não nos deixar mais dominar pelo pecado e a viver a novidade que Deus nos concede graciosamente por meio da esperança da ressurreição. Que possamos viver diariamente com fé, confiança, firmeza e determinação o nosso Batismo. Não basta ser ou estar batizado. É preciso viver o Batismo! Assim, é a partir do nosso Batismo que promovemos, protegemos, cuidamos, preservamos a vida dada graciosamente a nós por Deus.
Para refletir, leia Lucas 15.11-24