Segundo dia de Seminário reflete sobre acolhimento e possibilidades de Culto no contexto dos grandes centros urbanos
“São as ruas da cidade, caminhos entre o sim e o não.
Esperanças, tantos sonhos, desencontros, dores e solidão.
Mas podem também servir de caminhos de volta pra casa,
onde a paz e a vida podem, enfim, se encontrar” (LCI 557).
Foi entre perguntas, partilhas e buscas por caminhos de esperança que seguiu, neste sábado (30), em São Leopoldo/RS, o Seminário Nacional de Missão na Metrópole da IECLB. Reunindo Ministras, Ministros, lideranças e representantes de Sínodos com atuação em grandes centros urbanos, o encontro aprofundou reflexões sobre acolhimento, pertencimento e as possibilidades da vida comunitária em meio às dinâmicas aceleradas e, muitas vezes, solitárias das cidades.
Na reflexão A essência do acolher, o Pastor Gerson Acker e a psicóloga Regina Célia Ferrarini propuseram compreender o acolhimento como elemento central para a Missão da Igreja nas metrópoles. A partir da imagem do “balde furado”, destacaram que, embora a Igreja ofereça sentido, espiritualidade e comunidade, muitas pessoas não permanecem devido às fragilidades da vida urbana — como solidão, ansiedade e rupturas — que dificultam a construção de vínculos. Nesse contexto, o acolhimento intencional aparece como prática capaz de criar pertencimento, fortalecer relações e permitir que a experiência de fé encontre espaço para criar raízes.
A reflexão também destacou que acolher não é apenas uma atitude pontual, mas expressão concreta da graça de Deus. Inspirada na prática de Jesus e no testemunho da igreja primitiva, a acolhida torna-se dimensão essencial da vida comunitária, tornando visíveis, nas relações do cotidiano, o cuidado, a dignidade e a inclusão que marcam o Evangelho. Em diferentes momentos do encontro, voltou a aparecer a pergunta sobre como preencher os vazios deixados pela vida urbana e como construir Comunidades em que as pessoas se sintam vistas, lembradas e parte de algo maior.
Na sequência, a musicista Soraya Heinrich Eberle conduziu a palestra Caminhos de encontro: possibilidades para o Culto na metrópole. A reflexão abordou o Culto cristão como espaço de encontro entre Deus e a Comunidade, ao mesmo tempo em que questionou: o Culto cristão está em crise? Em diálogo com as transformações culturais, os movimentos migratórios e as novas formas de espiritualidade presentes nas cidades, Soraya destacou que liturgia, música, linguagem, símbolos e espaços também comunicam visões de Deus e de Comunidade. Nesse sentido, defendeu uma liturgia viva e encarnada, capaz de preservar a identidade luterana sem se tornar rígida ou desconectada da realidade contemporânea.
Após as palestras, as pessoas participantes tiveram um tempo de fala e partilha de experiências, seguido pela continuidade dos grupos de trabalho temáticos, que reuniram proposições relacionadas à Evangelização, Formação, Comunicação, Música/Liturgia e Urbanidade, Diaconia e Sustentabilidade. As atividades do dia encerraram com uma meditação inspirada no caminho de Emaús: no cair da tarde, quando o céu se encontra entre a luz e a escuridão, duas pessoas convidam Jesus a permanecer. E é justamente na comunhão e no partir do pão que o estranho se torna presença reconhecida, transformando o caminho em reencontro.
SUSTENTABILIDADE – Durante o encontro também foi apresentada a compensação de carbono realizada para o Seminário. O cálculo foi desenvolvido pelo físico e engenheiro ambiental Johannes Gerlach, do Galo Verde, resultando no plantio de 52 mudas de árvores em Dona Francisca/RS, município atingido pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. A ação foi viabilizada em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), por meio do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) – Núcleo de Santa Cruz do Sul.
Texto: Martina Wrasse Scherer
Fotos: Gabriela Giese
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