O seminário teve início com oração de abertura, seguida da saudação das Pastoras Cláudia S. Pacheco, da comunidade de Dois Irmãos, e Betina Schlittler Cavallin, Pastora Sinodal do Sínodo Planalto Rio-Grandense. Após, foi servido um café da manhã às pessoas participantes.
Na sequência, realizou-se a autoapresentação de cada participante, representantes de diversas comunidades, dentre elas: Coronel Barros, Panambi, Portão, Montenegro e outras.
As palestras foram conduzidas pela Pastora Betina e pela Sra. Tamires, representante da paróquia de Coronel Barros.
Tamires iniciou sua fala com a pergunta: “Quem lhes ensinou a orar?”. As respostas foram variadas, porém a maioria relatou ter aprendido na infância, com avós. A oração mais citada foi a tradicional em alemão:
Ich bin Klein,
mein Herz ist rein,
soll niemand drin wohnen als Jesus allein.
Nesse contexto, o Pastor Sinodal Eduardo Paulo Stauder sugeriu a recriação de uma oração para as crianças ou a reapresentação dessa oração tradicional, incentivando sua exposição em local visível nas residências das crianças, para memorização.
Tamires compartilhou experiências de sua comunidade desde 2019, quando foi criado o Conselho do Missão Criança em Coronel Barros. Apresentou um vídeo sobre o trabalho desenvolvido, destacando o chamamento feito pelo Pastor às pessoas que ainda não participavam das lideranças, o que possibilitou o surgimento de novas lideranças. O primeiro culto do Missão Criança ocorreu de forma gravada, durante a pandemia.
Devido ao contexto de uma comunidade pequena e à proximidade com o posto de saúde local, a paróquia realiza o acolhimento de famílias de gestantes. Faz-se uma visita à gestante, e nesse momento, é oferecido um presente simbólico ao nascituro, como oração, lenço, escova de cabelo ou um kit personalizado, quando possível. (Tamires trouxe um kit montado em Coronel Barros como amostra). Nessa ocasião, reforça-se o significado do Batismo e se apresenta o programa à família.
Durante o culto de Batismo, o Missão Criança é mencionado à comunidade. Em um segundo momento, os pais recebem uma vela e são orientados a celebrar o Batismo em casa, escolhendo um padrinho ou madrinha de oração. Posteriormente, realizam-se cultos de rememoração do Batismo aos 1, 5 e 10 anos.
O Pastor Eduardo sugeriu incluir uma bênção à gestante durante as visitas. A Pastora Betina ressaltou a importância de adaptar as propostas à realidade de cada comunidade, sugerindo a formação de uma equipe multidisciplinar para planejamento e avaliação das ações.
Foram levantadas reflexões sobre o momento adequado para apresentar o programa à comunidade, sua implantação e avaliação de resultados. Segundo Tamires, o trabalho ocorre de forma periférica, sendo que o padrinho ou madrinha de oração é escolhido no momento do Batismo, sem divulgação à comunidade, comprometendo-se a orar pela criança durante um ano.
Entre as sugestões apresentadas, destacam-se:
– elaboração de uma lista de voluntários para padrinhos e madrinhas de oração, que depois serão convidados e convidadas para o culto de Batismo;
– entrega de lembranças simbólicas, como mudas de árvores, orações ou itens da paróquia, restringindo-se presentes pessoais no momento da revelação do padrinho de oração;
– realização de cultos de rememoração como forma de fortalecimento da fé desde a infância.
Foram mencionadas ideias de lembranças e dinâmicas, como:
– presente para crianças de 1 ano (naninha);
– vela de agradecimento para padrinhos de oração;
– utilização de temáticas nos cultos (ex.: peixes, ovelhas, barcos, balões…)
Neste ano de 2026 , as temáticas sugeridas são colmeias e jardim de flores.
– confecção de lembranças artesanais, como chaveiros de crochê, por exemplo, cuja amostra circulou entre as pessoas presentes; ou ainda de uma árvore em MDF e frutinhas a serem entregues uma para cada criança colocar na árvore.
Recomenda-se também o envolvimento de outros grupos comunitários (OASE, grupo de casais) na organização e preparação das lembrancinhas.
O Pastor Eduardo sugeriu integrar os grupos da comunidade e considerar o Missão Criança no planejamento orçamentário anual. Tamires destacou a importância do protagonismo dos membros do grupo, independentemente da atuação direta da pessoa ministra, enquanto outro pastor presente enfatizou a necessidade de orientação pastoral prévia sobre o programa.
No que se refere à preparação para a Confirmação e à rememoração dos 10 anos de Batismo, foi sugerida a entrega de materiais como livretos de oração, Catecismo Menor ou Bíblia. A paróquia de Portão compartilhou a prática de presentear as crianças com Bíblia no culto de 5 anos e vela no de 1 ano.
Tamires sugeriu também a inclusão do hino “Sou Batizado” no culto de Batismo, ensaiando-o com os participantes.
Encerrou suas reflexões, destacando que o futuro da Igreja passa pelo Missão Criança, sendo cada ensinamento uma semente plantada. Embora os resultados nem sempre sejam imediatos, acredita-se que as crianças levarão essas experiências para a vida, criando vínculos com a comunidade.
Após o almoço, servido no salão da comunidade, a Pastora Betina deu prosseguimento ao seminário, apresentando dados do Sínodo Planalto Rio-Grandense. Informou que a paróquia de Condor foi pioneira na implantação do programa, com forte apoio de casais reencontristas. Ressaltou ainda que o Missão Criança já está presente em diversas paróquias do Sínodo, como Passo Fundo, Panambi, Condor, 15 de Novembro, Carazinho e Coronel Barros, entre outros.
A título de encaminhamento, sugeriu a formação de um Conselho Paroquial para o Missão Criança, com divisão de tarefas e definição de objetivos, bem como a elaboração de material de apoio, que pode ser, por exemplo, uma apostila em que cada página contenha uma das temáticas abordadas (visita à casa da gestante; culto do bebê, etc.).
Ressaltou ainda a importância de acolher as pessoas de forma que se sintam especiais, mantendo cadastro atualizado das crianças batizadas e das que vieram de outras comunidades, prevendo lembranças extras para visitantes.
Foram indicadas canções como:
– “Graças Dou” (adaptada);
– “Ovelhinhas de Jesus”.
Na parte final do seminário, realizou-se uma dinâmica conduzida pela Pastora Betina, na qual versículos bíblicos foram distribuídos pelo espaço para reflexão individual e partilha voluntária do que mais impactou em cada um.
Em seguida, houve a apresentação de fotos de encontros e atividades da região, destacando-se a importância do uso de flores naturais na decoração.
O seminário foi encerrado com canto e oração, em clima fraterno. Ao final, a Diaconisa Carla Abeling, da Paróquia de Padilha, agradeceu a presença de todos e, juntamente com a Sra. Bronilda Hackbart, representante da comunidade de Dois Irmãos, entregou mimos confeccionados por Carmem Ramminger, da comunidade de Morro Reuter, às palestrantes e aos participantes.
Coordenação Sinodal do Missão Criança