Renato Creutzberg, 37 anos, natural de Blumenau/SC, casado com Patricia e pai de Martin e Heloise, é Pastor na Paróquia Cristo Bom Pastor, em Joinville/SC, no Sínodo Norte Catarinense
A fé se processa de que maneira na sua vida?
Fé é um relacionamento pessoal com Deus. Não temos condições humanas de ‘compreender’ Deus, somente ‘perceber’ Deus, e isto acontece de infinitas formas. Podemos perceber Deus nas pequenas e nas grandes coisas da criação, nos relacionamentos interpessoais, na Sagrada Escritura e na oração. Diria que a fé é um acontecimento divino que vai sendo experimentado e vivenciado, de dentro para fora, ‘do coração para a boca e os braços’.
Em que momento descobriu a vocação para ser Pastor?
Não houve ‘um momento’ específico de descoberta vocacional. Esta foi crescendo na vida comunitária e familiar, desde o Culto Infantil, o Ensino Confirmatório, nos estudos bíblicos (muito obrigado ao meu irmão Claudiomir Selner), nos Cultos, e, sobretudo, na experiência de liderança na Juventude Evangélica.
Como foram os seus estudos e o início no pastorado?
Ir à Faculdade de Teologia, em São Leopoldo/RS, foi desafiador. Foram cinco anos e meio de aprendizado e descobertas dentro e fora das salas de aula. Terminado o PPHM, realizado em Vila Pavão/ES, fui enviado para Brusque/SC. Em 2006, fui instalado na Paróquia Cristo Bom Pastor, em Joinville, onde já estou há pouco mais de três anos. Hoje, com quase doze anos de Ministério, o sentimento é de gratidão e melhor capacitação.
Na Paróquia Cristo Bom Pastor, quais são as atividades?
Culto Infantil, Ensino Confirmatório, Juventude Evangélica, OASE tradicional e OASE alternativa, Grupos de Casais, Coral, Grupo Reviver (idosos), Grupo Ternura (trabalhos manuais), voluntariado na Diaconia e no Presbitério e os Retiros Comunitários e de Integração. Além do modelo de Comunidade em grupos, cresce o modelo de Comunidade de multiformidade celebrativa, em quecelebrações com diferentes formatos litúrgicos vêm ao encontro da pluralidade urbana de Joinville: Culto de Tomé, Culto de Oração, Culto com Unção, Culto Jovem, de Recordação do Batismo e Culto Cantate.
Algum projeto especial nesta Paróquia?
Recentemente, iniciamos um ousado Planejamento Estratégico, de onde surgiram diversas ‘comissões’ que abraçarão objetivos específicos, relacionados aos diferentes aspectos da vida comunitária: liturgia, diaconia, evangelização, comunhão e administração. É uma bênção ‘sonhar’ juntos e construir juntos a vida comunitária, de forma livre e alegre, como testemunho de fé.
Quais são os desafios de ser IECLB na região?
Um dos constantes desafios é a crescente pluralidade religiosa. Por um lado, esta nos faz refletir sob o foco: o que as pessoas pós-modernas e urbanas buscam? A motivação é existencial coletiva ou individualista? Evidencia-se a complexidade religiosa humana. Não obstante, as circunstâncias nos animam a um olhar autocrítico e, não por último, a uma reafirmação confessional contextualizada. Numa Igreja que vive a liberdade de estar ‘sempre em reforma’, os desafios ajudam a distinguir entre o central e o periférico da vida comunitária. Assim, os desafios tornam-se oportunidades que desencadeiam, por exemplo, um Planejamento Estratégico.
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O Pastorado
Para definir o que é ser Pastor, faço minhas as palavras de Martim Lutero em seu Lutherlexicon ‘A função de pregar o Evangelho é a mais nobre de todas as funções, pois ela é verdadeira função apostólica e torna-se base para todas as demais funções que nascem a partir dela. […] Um pregador cristão é um servo muito especial de Deus, é um anjo de Deus, […] não há tesouro e coisa mais nobre neste mundo e nesta vida do que um fiel pastor e pregador’. Como servo de Deus, o Pastor não pode assumir somente a postura litúrgica (pregação e sacramentos). São intrínsecas as posturas de ‘cura d’almas’, orientador espiritual, companheiro de caminhada e capacitador de lideranças.
As dificuldades do Ministério são sintomáticas dos nossos limites humanos. No entanto, hoje já há maior tomada de consciência da ‘solidão’ pessoal dos Obreiros. Estamos aprendendo a ‘cuidar do cuidador’. Em contrapartida, as alegrias são muitas! A solidariedade e a espiritualidade são refrigério para a caminhada do Obreiro. Quando passamos do ‘ativismo’ para a vivência da Graça, passamos a servir com liberdade e alegria, como irmãos de caminhada.
Nesse sentido, sinto que estou realizado na minha vocação, mas não ‘realizado’ por ‘concluído’ ou ‘acomodado’. Pela graça de Deus, a caminhada abre novos horizontes! Realizamo-nos a cada dia, diante de novos desafios e possibilidades que Deus nos apresenta, de acordo com a sua vontade. Importante é caminhar, sob a Graça de Deus, como instrumento de Deus no mundo.