Noeli Maria Dunck Dalosto, 48 anos, natural de Tenente Portela/RS, casada com João Carlos Dalosto e mãe de três filhos: Vinícius, Cássius e João Augusto, cursou o Magistério, posteriormente Pedagogia para séries iniciais, depois Letras e Especialização em Linguística: Língua e Literatura, trabalhou como alfabetizadora e nas séries do Ensino Fundamental. Atualmente lecionando Português e Literatura, Noeli completa, em 2009, 30 anos de trabalho como Professora da rede pública do Estado do Mato Grosso. Na IECLB, é integrante do Conselho Fiscal da Paróquia, Vice-Secretária da OASE local e setorial e Coordenadora da OASE Sinodal. Também colabora com o grupo de animação dos cultos e nas promoções realizadas com jovens, grupos de casais e demais atividades programadas pela Comunidade
Como é o trabalho com mulheres no Sínodo Mato Grosso?
Há, aproximadamente, 40 grupos de OASE/Mulheres que desenvolvem trabalhos em diversos setores da vida comunitária atuando principalmente junto às Comunidades em almoços, jantares, festas, confraternizações,rifas, bingos, bazares e arrecadação de fundos para as Comunidades. Destacase o encontro setorial, que ocorre uma vez ao ano, ocasião em que as mulheres convivem por dois dias em intensa programação, dividindo momentos que superam as distâncias e aproximam corações que buscam compartilhar a fé cristã fazendo a diferença sempre para o fortalecimento da IECLB. A cada ano, em maio, nos reunimos enquanto OASE Sinodal em Assembléia, em Chapada dos Guimarães, momento em que podemos perceber o trabalho desenvolvido no Sínodo, partilhar experiências, traçar objetivos, participar decisões e metas traçadas em nível nacional, nos fortalecendo como lideranças e testemunhando o amor de Deus.
A participação das mulheres no Sínodo Mato Grosso é ativa?
Muito ativa. Inclusive, temos muitos depoimentos que a OASE é essencial na vida comunitária. Mesmo tendomuito das suas atividades voltadas para a própria Comunidade, considero que esse trabalho seja missão. Comunhão, Testemunho e Serviço são a sustentação dos grupos nestes 110 anos de existência. Se formos pontuar todos os trabalhos desenvolvidos pelas OASEs, como não dizer que isso é missão? No Sínodo, as mulheres, independente de estarem ligadas ou não a grupos de OASE/Mulheres, ocupam cargos de gestão, liderança e estão à frente de muitos trabalhos na Comunidade e na sociedade local. Isso é testemunho, é missão, é evangelização.
Qual é a marca das mulheres no Sínodo Mato Grosso?
Superação é a marca da mulher luterana no Sínodo Mato Grosso. Como integrante de uma família que veio para o Mato Grosso na década de 70, vivenciei, ouvi e ouço relatos de como cada família se estruturou dentro das limitações com o desconhecido e as incertezas com as quais foram confrontadas e a superação foi o que levou as mulheres a serem tão criativas para resolverem situações do cotidiano. A superação fez vencer o medo,a saudade e ajudou a enfrentar o sofrimento. A superação trouxe a esperança e a coragem para enfrentar o desafio de conviver com o novo, aprender com o outro, aceitar ‘o jeito diferente’, buscar soluções inéditas, começar tudo de novo, ‘’sonhar um sonho juntos’.
Existem peculiaridades no trabalho do Sínodo Mato Grosso?
A disposição em encarar as distâncias para nos encontrarmos é uma delas. Somos Comunidades relativamente novas, vivemos em municípios, a maioria, a partir da migraçãopara o centro-oeste e norte do País, com muita mobilidade social, com pessoas de diferentes Estados com culturas e modos de viver diversos, municípios que estão se estruturando em relação aos serviços essenciais de saúde, habitação e educação. Nesse processo, as Comunidades também buscam por soluções para firmaremse como espaço de edificação da fé e de testemunho cristão.
Quais as prioridades no trabalho junto às mulheres?
A OASE tem muito bem definido seus objetivos quanto ao trabalho que deve ser desenvolvido: dar apoio e ajudar na busca de soluções para os problemas, incentivar o desenvolvimento dos dons pessoais, integrar-se na Igreja participando e decidindo, perceber a realidade que a cerca buscando sempre uma atuação responsável, incentivando o trabalho diaconal, o crescimento e o fortalecimento na fé cristã. Mesmo grupos que não se denominam como OASE, mas como Grupo de Mulheres têm se pautado por estes objetivos e dado o seu testemunho de fé e de serviço. Acredito que esses objetivos continuam prioritários e cada mulher luterana é convidada a ouvir, ajudar, acolher, divulgar a Palavra, promovendo esse encontro com Jesus e com o próximo. Isso só acontece quando se é possível partilhar, pois partilhar em grupo tem outro sabor.
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Mulheres no Ministério Ordenado
O projeto Mulheres no Ministério Ordenado: história, experiência e testemunho tem por objetivo
enfocar a trajetória, as experiências e o testemunho que as Obreiras da IECLB vêm vivenciando nas suas práticas. A partir das falas das mulheres, o estudo busca perceber o impacto da sua atuação dentro e fora da IECLB e, além disso, apontar as implicações da presença de mulheres no Ministério para a concepção de vocação e para a formação teológica.
A ordenação de mulheres é um tema urgente para toda a comunhão luterana. A consulta Reforma Contínua da Igreja: o Testemunho de Mulheres Ordenadas Hoje, realizada em março de 2008, desafia as igrejas luteranas a estarem abertas a ouvir umas das outras sobre experiências positivas de mulheres ordenadas dentro e fora da comunhão luterana. Este processo de escuta tem como objetivo a preparação para a 11ª Assembléia da Federação Luterana Mundial (FLM) a ser realizada em 2010.
Dentro desta perspectiva, o presente projeto de pesquisa busca dar a sua contribuição ao discutir a questão da ordenação de mulheres na IECLB. Além disso, considerando o contexto específico desta Igreja em particular – uma Igreja minoritária num contexto majoritariamente católico-romano – esta pesquisa também pretende dar testemunho do impacto que a ordenação de mulheres pela Igreja Luterana tem nas e para as relações ecumênicas. Afinal, suas Obreiras ordenadas têm a possibilidade de representar a Igreja em projetos, atividades e organismos ecumênicos, mas também socialmente pelo seu testemunho e atividades públicas.
O projeto é coordenado pela Professora Ms. Márcia Paixão e pela estudante de Mestrado Ligiane Fernandes, da Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, e conta com o apoio da IECLB e FLM – Secretaria de Mulheres.
Maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail mulheresnoministerio@est.edu.br