P. Geraldo Graf, 57 anos, nasceu em Sussuí, Paróquia de Campo Mourão, no Paraná, mas cresceu em Taió, Santa Catarina. É casado com Adélia, com quem tem dois filhos, Rodrigo e Fernando, e uma neta, Lívia. Em 31 de agosto, completou 15 anos e meio de exercício do pastorado na Paróquia de Colatina/ES, Sínodo Espírito Santo a Belém. A partir de 1º de setembro, passou a atuar na Comunidade de Belo Horizonte, Sínodo Sudeste.
Como foi a sua trajetória no pastorado?
Estudei no Instituto Pré-Teológico (IPT), em São Leopoldo/RS, que possibilitou o conhecimento de diversaslínguas, proporcionou uma formação geral muito intensa e instruiu sobre o estudo metódico. Ingressei na Faculdade de Teologia em 1973 e participei da primeira turma de estágio, que foi importante para a confrontação da teoria com a vivência prática da fé e da organização de Comunidade. Formado em 1997, trabalhei em Paróquias no Espírito Santo. Em 1998, concluí o Curso de Letras – Português/Inglês. Em 2006, fui eleito Vice-Pastor Sinodal do Sínodo Espírito Santo a Belém, mas renunciei ao cargo ao transferir-me para Belo Horizonte.
Como Obreiro, quais são as suas prioridades?
Tenho me ocupado com o Ministério da Pregação e da Administração dos Sacramentos. Isso inclui a formação contínua dos membros e a estimulação de dons e capacidades para os diversos setores de trabalho nas Comunidades. Entendo-me como facilitador dos trabalhos comunitários, inserido no Sacerdócio Geral de todos os Cristãos. Tenho o cuidado de estar sempre apontando para o Evangelho e procuro lembrar a confessionalidade luterana. É minha tarefa fazer com que os olhos e o coração das pessoas se voltem para o Evangelho e assumam o jeito luterano de ser, que despertem para a ação correspondente = testemunho da fé, pastoral do cuidado (diaconia) e exercício de cidadania.
Quais são as maiores dificuldades encontradas no pastorado?
Uma das grandes dificuldades que sinto no desempenho do meu Ministério Pastoral é a crescente falta de tempo das pessoas para uma participação mais ativa nas atividades eclesiásticas. O culto e a atividade comunitária gradativamente deixaram de ser o centro da vida das pessoas. Há outras programações que ‘concorrem’ com a Igreja. O modelo capitalista e imediatista de produção prende as pessoas cada vez mais no trabalho, inclusive no campo, e a Igreja tem o grande desafio de tornar os seus encontros tão ou mais atraentes, participativos e envolventes.
Qual seria o caminho para a fé?
A fé precisa ser ‘cutucada’. Quando motivadas, as pessoas encontram tempo e vontade para atuar e vivenciar a sua fé. ‘Dormimos no ponto’ quando achamos que a participação dos membros e o seu espírito missionário despertam automaticamente no Batismo e/ou na Profissão de Fé, por isso, nós, Obreiros e lideranças, nunca podemos nos dar por satisfeitos. A (in)formação precisa ser contínua. O desafio é constante: Como atrair as pessoas para o Evangelho de Cristo? Como despertar nas pessoas o espírito de comunhão, de missão e de solidariedade? Sobretudo, precisamos ser coerentes, éticos, conciliando discurso e prática. A tarefa do Obreiro é juntar Comunidade!
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Acompanhamento a pessoas depressivas
Em 2000, minha esposa e eu fizemos uma viagem de estudo auto-programado à Alemanha. Estudamos e praticamos o Acompanhamento a pessoas depressivas na Instituição Bethel, em Bielefeld, na Capelania do Hospital Geral em Gütersloh, e na Europäische Akademie für Psychosoziale Gesundheit, em Hückeswagen.
O assunto despertou a nossa atenção durante a década de 1990, quando percebemos o gradual e preocupante aumento de casos de depressão nas Comunidades e o despreparo de familiares e visitantes para o devido acompanhamento. Fizemos o curso com o compromisso de sermos multiplicadores do assunto no Sínodo Espírito Santo a Belém.
A partir de 2001, ministramos palestras e seminários de atualização de Obreiros, Agentes de Saúde, grupos de Visitadores (OASE) e Comunidades interessadas e o que tem chamado a nossa atenção é o estigma colocado nas pessoas depressivas ‘você não tem fé suficiente’.
Insistimos na compreensão da depressão como uma enfermidade que necessita de tratamento e de um acompanhamento amoroso e acolhedor pela família e pela Comunidade. Além disso, apontamos para fatores que buscam superar as causas da depressão.