No seu dia a dia, como a fé se processa?
Não tenho uma espiritualidade à vista, ou seja, com muita oração e intenso estudo da Palavra. Vejo a fé como uma vivência diária de testemunho do Evangelho, pautada na justiça, no desejo ao próximo exatamente daquilo que desejamos para nós mesmos. A nossa fé deve ser expressada não somente em clamor pelas imensas graças alcançadas, mas, e principalmente, no testemunho efetivo e diário do verdadeiro Evangelho, seja aplicando-o nas transações comerciais do cotidiano, sem causar dano ao próximo, ou apoiando um candidato a cargo político porque acreditamos em seu potencial de administração em prol da coletividade e não por interesse em algum emprego.
| *** | Ser Presbítero é dedicar o seu dom, uma parcela do seu tempo
e exercer também o sacerdócio geral de todos os crentes | *** |
De que forma a sua profissão auxilia nas atividades da Igreja?
Sou formado em Direito pela Universidade Federal de Rondônia, com especialização em Direito Processual Penal pela Universidade Gama Filho. Desde 2000, sou Servidor Público do Tribunal de Justiça de Rondônia, exercendo atualmente a função de Assessor de Juiz. A minha profissão ajuda nas atividades da Igreja, porque tenho os finais de semana livres para me dedicar à Igreja. A minha formação, por sua vez, é um instrumento de auxílio para a resolução de demandas administrativas do cotidiano e ajuda a entender melhor a burocracia que envolve a estrutura de qualquer pessoa jurídica, como a Paróquia e o Sínodo, por exemplo. Além disso, a oportunidade de ter estudado possibilita compreender melhor a administração da Igreja como um todo.
Quais são as dificuldades no Presbitério do Sínodo da Amazônia?
As grandes distâncias. Por exemplo, resido a 60 quilômetros da sede da Paróquia, o que dificulta a participação nas atividades da Diretoria do Conselho Paroquial. Entre vários casos, um é o do atual Presidente do Conselho Sinodal, que reside em Porto Velho, capital do Estado, distante mais de 400 quilômetros da sede sinodal, em Ji-Paraná/RO. Outra questão é o pequeno número de membros espalhados nessa grande área geográfica, um obstáculo para a vivência comunitária mais efetiva e afetiva. Por fim, a luta pela sobrevivência e manutenção das Comunidades, Paróquias e do próprio Sínodo é muito relevante, pois as grandes distâncias aliadas ao pequeno número de membros tornam a autossustentabilidade um sonho distante.
Como é ser uma liderança na Igreja?
Fui batizado, confirmado e casei na IECLB. Iniciei como Orientador de Ensino Confirmatório e também fui Vice-Secretário, Secretário, Tesoureiro e Presidente do Conselho Paroquial. Como IECLB, professamos o sacerdócio geral de todos os crentes (1Pedro 2.9), ou seja, todos somos chamados a proclamar o Evangelho de Jesus Cristo. A forma dessa proclamação pode adotar várias feições além da sua vivência diária, como a pregação, o aconselhamento, o ensino etc. Ser uma liderança na função Presbítero é dedicar o seu dom, uma parcela do seu tempo e exercer também o sacerdócio geral por meio dessa atividade. A minha motivação vem da fé e de ver que ainda é possível a existência de uma Igreja séria, que prega a fé, mas sem o fanatismo e a intolerância crescentes na atualidade.