Dando sequência à série de matérias especiais em comemoração aos 60 anos da IECLB, nesta edição o P. em. Ms. Ervino Schmidt, Pós-graduado em Teologia pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, que foi Professor de Teologia Sistemática na EST, Secretário Executivo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), Presidente da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos do Brasil e, atualmente, é membro das Diretorias do Conic/RS e do Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria, vai apresentar a IECLB ecumênica
A IECLB é amplamente respeitada pela sua postura ecumênica e abertura ao diálogo, dando significativa contribuição à busca de unidade entre os cristãos. Ecumênica desde a sua formação, a sua origem está ligada à chegada de sucessivas levas de imigrantes protestantes europeus, principalmente alemães, ao Brasil, durante o século 19. Nem todos eram luteranos. Alguns eram de outras tradições reformadas. Esses imigrantes se fixaram em diversas regiões do país, reuniram-se em Comunidades, organizaram-se em Sínodos, quatro ao todo, cada qual com a sua peculiaridade. De qualquer maneira, a herança da Reforma era um laço que unia as tradições diversas.
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| Encontro preparatório para a 9ª Assembleia Geral do CMI (2005) |
Pouco a pouco, sentiu-se a necessidade de uma cooperação mútua mais intensa. Foi assim que, em 1949, surgiu a Federação Sinodal. Houve consenso que, além das Sagradas Escrituras, os credos da Igreja Antiga e a Confissão de Augsburgo devessem fazer parte da base confessional deste organismo. Um ano mais tarde, no primeiro Concílio Eclesiástico, a Federação passou a se entender como Igreja de Jesus Cristo no Brasil. A responsabilidade passou a ser para com todo o povo brasileiro. O diálogo estendeu-se para as demais Igrejas existentes no país, mas havia algo que o facilitava. A base confessional aceita era de abertura ecumênica em si mesma! A própria preocupação de Lutero visava à unidade. Pode haver algo mais universal que a pergunta de como transmitir corretamente a mensagem da salvação ao ser humano revoltado contra Deus?
A centralidade dessa questão mostra a universalidade da Reforma e nãopermite que seja particularizada. A pergunta pela salvação era e continua sendo de abrangência geral. Que Deusjustifica as pessoas por graça vale para a Igreja toda, mas esse era o ponto de conflito. A Confissão de Augsburgo, de 1530, nesse contexto, quis ser um documento de conciliação em torno do artigo da justificação, que era entendido como primeiro e principal artigoe como regente e juiz sobre todas as partes da doutrina cristã. No entanto, ainda não era chegada a hora para um acordo, que veio muito mais tarde, na forma da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinado pela Igreja Católica Romana e pela Federação Luterana Mundial, em 31 de outubro de 1999, na Alemanha. No mundoecumênico, foi motivo de grande júbilo! O então Pastor Presidente da IECLB foi um dos signatários dessa Declaração.
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| Celebração do lançamento da 9ª Assembleia do CMI (2004) |
Da essência intrínseca da confissão luterana faz parte a dimensão ecumênica. A partir dessa maneira peculiar de expressar a sua experiência do agir de Deus na plenitude do seu poder e amor, a IECLB sabe-se unida às demais Igrejas, em uma só esperança, uma só fé, um só Senhor, um só Batismo (Ef. 4.5). O agir misericordioso de Deus é ato primeiro. A nossa missão no mundo, o exercício do amor, é sempre resposta. Não mais do que isso, mas também não menos do que isso!
Nesse sentido, a IECLB coopera com recursos materiais e humanos no movimento ecumênico em nível nacional e internacional. Para ilustrar, o atual Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), o Secretário- Geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai) e o Moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) são Pastores da IECLB. Na Federação Luterana Mundial (FLD), a IECLB tem forte presença. Também em organismos ecumênicos, como Cese, Koinonia, Cebi, Ceca, Sica e outros, encontramos membros da IECLB. Belas flores do ecumenismo podemos encontrar também nas Comunidades.
Cada vez maior é o envolvimento em celebrações, estudos e ações conjuntas, bem como em projetos maiores, como a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Dia Mundial de Oração e as Campanhas da Fraternidade Ecumênica. A IECLB entende que ecumenismo não é algo periférico, mas central e deve perpassar toda a vida e ação da Igreja. É uma questão de profunda espiritualidade.
O diálogo é essencial no caminho do ecumenismo
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Presidente Lula recebe o Secretário Geral do CMI
e Igrejas membro do Conic (2003) |
Ecumenismo é uma palavra que tem a sua raiz no substantivo grego oikos, que significa casa, habitação. Oikumene, por sua vez, significa toda terra habitada nos limites de mundo conhecido de então, que coincidiam com os limites do Império Romano. No Novo Testamento (Mt 24.14), o termo indica toda a terra habitada mesmo para além das fronteiras do Império. Hoje, empregamos o termo para designar a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação de antigas ou recentes divisões entre as Igrejas.
No Brasil, o campo religioso é multifacetado. A IECLB assume, neste particular, uma atitude relacional na perspectivado diálogo simultaneamente sincero e crítico. Em sua Constituição, a IECLB assim define a sua identidade confessional e o seu compromisso ecumênico: A IECLB tem como fundamento o Evangelho de Jesus Cristo, pelo qual, na forma das Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, confessa sua fé no Senhor da una, santa, universal e apostólica Igreja (Art. 5º). Os credos da Igreja Antiga, a Confissão de Augsburgo (Confessio Augustana) inalterada e o Catecismo Menor de Martim Lutero constituem expressão da fé confessada pela IECLB (1º Parágrafo). A natureza ecumênica da IECLB se expressa pelo vínculo de fé com as Igrejas no mundo que confessam Jesus Cristo como único Senhor e Salvador (2º Parágrafo).