O ritmo em que vivemos atualmente faz com que tenhamos constantemente escolhas a serem feitas e infelizmente nem sempre temos o tempo ideal para refletir. Somos impelidos a correr, a dar conta de inúmeras tarefas, informações e atividades simultaneamente e o jovem de hoje teve a base de sua educação neste ritmo. Tecnologia e informação, muitas vezes superficiais, disponíveis para quem quiser, mas na maioria das vezes alienada de afeto.
É neste cenário que precisamos pensar a Escolha Profissional/Vocacional. Fundamentalmente escolher o que se quer trabalhar está intimamente ligado ao que se quer ser e o que não se quer ser. O que você vai ser quando crescer? Quem não respondeu a esta pergunta?
Nossa identidade é muito ligada à identidade ocupacional. Você é o ‘fulano’ de onde? Desta maneira nos situamos diante dos outros, construindo uma imagem. Se for Advogado, imaginamos um perfil desta pessoa. Alguém que gosta de se comunicar? Que anda bem arrumado? Diante de nós vão aparecendo imagens daquilo que já conhecemos e experenciamos.
Esta Identidade Ocupacional não é definida solitariamente. Ela faz parte de uma Identidade Pessoal submetida às mesmas leis e dificuldades que conduzem à construção do eu, do indivíduo, um processo de autopercepção que acontece como uma construção de papéis que são um conjunto de expectativas. Então, se penso em ser Professor, é porque construí uma imagem a partir da minha vivência que valoriza o papel, que percebe características em comum entre o que foi vivido na escola e o que se quer ser enquanto pessoa e enquanto profissional e porque me vejo na posição.
Este papel é constituído a partir da interação das minhas características inerentes com o meio ambiente. Não pode ser definido somente por uma parte, por isso não posso só pensar em como está o mercado… é preciso olhar para mim mesmo. Nenhuma decisão quevem de fora é genuína.
Influenciam a nossa construção, as relações que vivenciamos enquanto crianças com pessoas que desempenham papéis sociais e que são valorizados, aidentificação com o grupo familiar e a percepção de valores que este tem, as experiências de escolha que a família traz em sua história. As características individuais fazem com que cada um vivencie as experiências e as interiorize do seu jeito e por isso situações semelhantes deixam marcas tão ímpares para cada um.
Nesta construção individual que se faz desde a infância, podemos perceber em muitos jovens um despreparo para ‘escolher’. Uma escolha madura e consciente exige uma clara percepção de si e do mundo que o rodeia.
Sem este autoconhecimento, dificilmente a escolha não será equivocada, pois o jovem terá a dificuldade de projetar-se no futuro. Aí volto para a questão inicial: Quem quero ser e quem não quero ser?
A partir do momento em que o jovem se dá contadisso, passa a ser um agente ativo na sua escolha, na sua decisão. Decidir passa por cindir, por romper com uma vida conhecida e por isso também se torna tão difícil, mas a palavra indecisão significa etimologicamente estagnação. Desta forma, para sair do lugar e ir adiante, é preciso decidir.
Este processo tem encaminhamento quando há compatibilidade entre interesses, capacidades, valores e oportunidades ocupacionais. Um processo mais consciente, menos aleatório, mais identificado com a história da pessoa. Sua primeira etapa é o olhar-se, pensar em si mesmo, como sou, que características eu tenho, que habilidades, do que eu gosto, que valores tenho, o que é importante para mim, o que absorvi como valores da minha educação, como ela me influencia e tantas outras perguntas que formam a nossa identidade.
Pensar nossos interesses, nossas capacidades, nossos valores e então voltar-se
para fora e tentar identificar como usar minhas habilidades e características de forma a atender alguma demanda existente ou a ser criada e que tudo isso possa fazer parte de um projeto de vida, de um projeto maior, pois nossa vida não pode ser constituída somente de trabalho, mas também de lazer, fé e relacionamentos.
Então, mãos à obra! Conhecer-se para utilizar de maneira positiva nossos dons, nossa vida!
Patricia Lenhard Meinhart, Psicóloga e Especialista em Gestão de Recursos Humanos, atua como Consultora em empresas e instituições e tem se dedicado às questões relativas ao trabalho. Desde 2000, trabalha com Escolha profissional/vocacional em consultório e escola