Em dezembro somos levados por um ritmo intenso. O tempo parece correr e escorrer das nossas mãos. As inúmeras atividades de fim de ano, as festas de encerramento de atividades, as formaturas e os preparativos para um Natal, cada vez menos cristão, nos submetem a um tempo rápido, barulhento, ansioso e pouco contemplativo.
Em Walachai, tudo é diferente. Lá, parece que o tempo parou. As pessoas não olham para os relógios, mas para o sol. O cantar dos pássaros e o sino da igreja, puxado por dona Bertha Strassburger, 93 anos, despertam as pessoas para um novo dia. O carro, puxado por bois, mostra que é possível viver um tempo lento a 70 quilômetros de Porto Alegre.
O filme de Regina Zilles, que se criou em Walachai e, hoje, mora no Rio de Janeiro, conforme o Jornal Zero Hora, me lembra outra história contada pelo ator Paulo Betti, cuja infância foi vivida num cafundó, semelhante ao lugarejo do Vale dos Sinos, que fica perto de Jammerthal, Batataenthal, Frankenthal e fazenda Padre Eterno. Em Walachai e Cafundó, o tempo parece ter parado. Em Cafundó, os afrodescendentes são os personagens principais, ao passo que em Walachai são os descendentes de alemães que ditam o ritmo da vida com seu dialeto.
***Podemos ter tempo quando o tempo não nos tem***
O tempo é uma invenção de cada povo. Em alguns lugares do nosso Brasil, um culto de duas horas é um bom tempo de descanso, antecedido de longas conversas e seguido de boas caminhadas para casa. Sem pressa. Já em outros lugares, marcado pelo ritmo do trabalho empresarial, o tempo de celebração é mais breve e as pessoas chegam minutos antes e se dispersam logo que o sino anuncia a passagem para um tempo ordinário com rotinas profanas.
A velocidade que quer encurtar o tempo para se chegar ao lugar desejado, que pode ser fatal, contrasta com o tempo de férias, em que o ritmo da vida é menos organizado e mais livre. P
or que corremos tanto, encurtando tempo e distância? Suspeito que corremos em busca de Walachai e Cafundó. Deixemos, então, de nos enganar! Walachai e Cafundó não são lugares. São caminhos.
Walachai, que significa um lugar distante, no alemão antigo, bem como Cafundó, não são lugares longínquos. Cafundó é logo ali. Walachai pode estar dentro das nossas casas. São mais do que lugares. São tempos da graça divina.
Aprendei dos lírios do campo… (Mateus 6.25-34), disse Jesus no sermão do monte. Será que hoje não poderíamos acrescentar Aprendei de Walachai e Cafundó?! Afinal, podemos ter tempo quando o tempo não nos tem.
P. DR. ONEIDE BOBSIN
Pastor da IECLB e Reitor da Faculdades EST