Diz a sabedoria popular que não há remédio contra a morte e que não há nada tão forte que a derrube. As frases mostram que o ser humano sabe que caminha em direçào à morte. Nisto, ele se distingue dos demais seres vivos: todos são mortais, mas apenas o ser humano tem consciência disso. Ele sabe que cada dia que vive é também um dia a menos que tem para viver.
O que parece um privilégio, na verdade, se torna, muitas vezes, motivo de angústia, pois o ser humano precisa aprender a conviver com essa consciência. Que fazer com ela? Pode-se tentar suprimi-la, manter a morte à distância, evitar o contato com ela. Esse parece ser, atualmente, o caminho mais comum. Gerações passadas se constrangiam com assuntos ligados ao nascimento, mas tinham um relacionamento mais natural com a morte.
Hoje, a situação se inverteu. Fala-se livremente sobre concepção, gravidez, parto, mas a morte virou tabu. Procura-se afastá-la da vivência cotidiana. Morrer em casa, no convívio com familiares, vizinhos e amigos, é coisa rara. O hospital se ocupa com a pessoa enquanto ela está doente e a funerária, depois que ela faleceu, mas nem por isso o problema se torna menor.
A té crista propõe um outro caminho ‘Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio’. A vida é um dom de Deus que precisamos aprender a receber e a devolver. Devido à realidade do pecado, ela tem um ponto final. No entanto, graças à vitória de Cristo sobre a morte, aquele ponto se converteu em dois pontos, pois a ela se segue uma nova fase. Saber disso nos ajuda na arte de viver.
Para refletir, leia o Salmo 90.12
Pastor Verner Hoefelmann
(Fonte: Jornal Evangélico Luterano, Número 696, Junho 2007, p. 11)