A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Hamburgo Velho, em Novo Hamburgo, celebrou no dia 26 de abril o centenário do atual templo da Igreja Três Reis Magos. A construção, inaugurada em 4 de abril de 1926, representa o terceiro templo erguido no mesmo local pela comunidade e carrega uma história marcada por diferentes acontecimentos ao longo de quase dois séculos.
A programação comemorativa iniciou ainda antes do culto. As pessoas participantes reuniram-se em frente à igreja para um abraço simbólico ao templo, gesto que expressou reconhecimento pela importância histórica e espiritual da edificação. Em seguida, foi realizado o culto festivo, conduzido pelo pastor William Felipe Zacarias, que também desenvolveu um estudo resgatando os principais marcos da trajetória da comunidade. “Hoje é um dia feliz, um dia de alegria, pois é o culto em que recordamos e comemoramos o centenário deste templo aqui que faz parte da história do Rio Grande do Sul e é um símbolo de Novo Hamburgo”, afirmou.
Durante a pregação, o ministro destacou o significado do templo para além de sua estrutura física. “Não é apenas um espaço para ser contemplado ou visitado, mas um lugar da pregação da Palavra de Deus e da fé evangélica de confissão luterana da nossa Comunidade. Não se trata apenas de patrimônio histórico, mas de um lugar cheio da espiritualidade que se conecta com as teias de significado da nossa vida em meio às ambiguidades da vida Pós-Moderna. E a espiritualidade que dá sentido e propósito para esse espaço está além daquilo que os olhos da cabeça conseguem ver”, frisou.
O pastor sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, Carlos Eduardo Müller Bock, ressaltou o significado do centenário. “Momento de reconhecer as pessoas que ajudaram a escrever esta história que deve servir de inspiração e motivar a comunidade a seguir com este legado. Que este centenário fortaleça ainda mais esta comunidade e a presença generosa de Deus em Hamburgo Velho”, frisou.
O secretário de Cultura de Novo Hamburgo, Angelo Reinheimer, também esteve presente e destacou a relevância da Igreja Três Reis Magos no contexto regional. “Essa Igreja transcende a questão religiosa, ela é um marco de fé da nossa cidade, de fé e de cultura”, pontua.
Uma história que atravessa gerações
A atual estrutura centenária não foi a primeira a ocupar o terreno. A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana, fundada em 6 de janeiro de 1832, construiu seu primeiro templo já em 1833. Poucos anos depois, durante a Revolução Farroupilha, o prédio foi atingido por uma bala de canhão. Naquele contexto, os colonos luteranos, apesar da promessa de liberdade religiosa caso apoiassem os farroupilhas, optaram por permanecer ao lado do Império. Em meio ao conflito, o templo acabou atingido, o que contribuiu para sua posterior substituição.
Com o fim da guerra, um segundo templo foi erguido em 1845, também no mesmo local. Assim como o primeiro, a construção não possuía torre nem sinos, restrição imposta pelo Império Brasileiro às igrejas não católicas. A mudança ocorreu somente após a Proclamação da República e a definição do Estado laico pela Constituição de 1891. A partir desse novo contexto, a comunidade pôde iniciar a construção da torre, entre 1895 e 1898.
Mesmo com a torre concluída, o restante da igreja ainda correspondia à estrutura construída em 1845. Foi apenas em 1926 que o antigo templo foi demolido e deu lugar à atual edificação, inaugurada em culto de Páscoa e integrada à torre já existente, estrutura que, cem anos depois, segue como referência de fé, memória e presença comunitária em Hamburgo Velho.
Edição do texto: Édson Luís Schaeffer/Comunicação Sínodo Rio dos Sinos
Foto de capa da matéria: Isaías Reinheimer/Jornal NH