Recentemente, em dezembro de 2007, divulgou-se uma pesquisa atestando que a população indígena entre 15 e 19 anos tem mais orgulho do povo brasileiro e da educação que recebe do que jovens não-indígenas da mesma faixa etária. Na pesquisa Adolescentes e Jovens do Brasil: participação Social e Política, divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 20% dos jovens índios responderam espontaneamente o ‘povo brasileiro’ como motivo de orgulho, frente a 5% de jovens não-indígenas.
Tal orgulho dos jovens índios pelo povo reflete a admiração pela ‘alegria do brasileiro, apesar das agruras e dificuldades enfrentadas no dia-a-dia’, conforme um dos Coordenadores da pesquisa, Mário Volpi. Agruras e conflitos que podem ser evidenciados no testemunho da Kaingang Laisa Erê Sales Ribeiro “Vivi próximo da cidade de Tenente Portela, na Terra Indígena Guarita. Devido a essa proximidade, percebi a influência que isso provocou e provoca nos indígenas, principalmente
na juventude indígena. A comunidade da Aldeia Três Soitas abriga cerca de 120 famílias, aproximadamente 30% sãojovens que não têm identidade. Digo isso, porque a juventude está sem perspectiva de futuro, um futuro de orgulho de ter nascido índio, pessoas que não conhecem sua história, suas crenças, suas raízes, apenas jovens. Não se preocupam em aprender com um velho o valor de um remédio do mato ou um ritual de iniciação para a vida adulta, mesmo ainda tendo velhos que saibam o valor disso. Não existe quem sente e os ouça, pois, na cidade, eles entendem que existe algo mais interessante para saber. Infelizmente, a partir daí, começa o fim de uma riqueza cultural que deveria ser infinita, passada de geração a geração, pois até os mais velhos se sentem constrangidos diante de tanta modernidade e começam a pensar que tudo que sabem não passa de coisa desvalorizada e antiga. Nós, jovens indígenas, devemos lutar para que se resgate tudo o que foi perdido, mesmo
acompanhando essa evolução da humanidade, que anda rápida demais aos nossos olhos, não querendo parar no tempo, mas fazer com que ela não leve o que realmente somos. Essa consciência deve crescer junto com os nossos filhos, para que os nossos netos saibam ouvir histórias contadas por nós mesmos, de uma geração que quase desapareceu”.
O testemunho ressalta que a juventude indígena está inserida numasociedade com características culturais próprias, mas não isolada do jeito de ser brasileiro. A comunidade e a juventude indígena buscam atenuar as agruras e dificuldades apontadas, com estratégias como o protagonismo no estabelecimento e cumprimento de políticas públicas específicas ao jeito e modo de ser indígena e a formação universi
tária (estima-se na região sul do Brasil cerca de 250 estudantes universitários indígenas). Porém, isso exige que os jovens indígenas assumam posições num ambiente de tensões, acrescidos das demandas familiares e da sustentabilidade econômica.
Pode-se afirmar que o desafio da juventude indígena está não só em ter o povo brasileiro como motivo de orgulho, mas em sentir-se orgulhoso como membro da sociedade indígena, constituinte do povo brasileiro.
P. Sandro Luckmann
Obreiro COMIN Guarita/ESOI
Frederico Westphalen
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Semana dos Povos Indígenas 2008
O conhecimento, o respeito e a troca de informações com os povos indígenas são os objetivos do caderno e cartaz, elaborados anualmente pelo COMIN para a Semana dos Povos Indígenas, que, em 2008, aborda o tema Povos indígenas em espaços urbanos.
A presença de indígenas nas cidades está cada vez mais evidente e os motivos que os levam para estes contextos são os mais diversos. Contudo, sem abrir mão de serem indígenas, eles seguem afirmando suas identidades. Lutam pelos seus direitos e reconstroem suas relações e organizações.
O material elaborado em conjunto com os indígenas oferece estímulos para ouvir e olhar grupos de diferentes povos, como os Sateré- Mawé, Kaingang, Terena e Bakairi, que vivem em espaços urbanos, mostrando contexto, cotidiano e desafios da vida em
cidades como Manaus/AM, Campo Grande/MS, Dourados/MS, Cuiabá/MT, Porto Alegre/RS e São Leopoldo/RS.
A primeira parte é elaborada para crianças. A segunda parte volta-se para o público juvenil e serve também como fonte de informações para educadores e pessoas que irão orientar, animar e facilitar as reflexões.
Pa. Ms. Cledes Markus
Coordenadora do Projeto Assessoria em Formação
COMIN
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O Conselho de Missão entre Índios
O COMIN foi criado pelo Conselho da IECLB, em 1982, para implementar o trabalho da Igreja entre indígenas no Brasil. Em palavras e ações de apoio, buscamos e descobrimos sinais do amor de Deus em conjunto com diferentes povos indígenas, em sete campos de trabalho no sul e no norte. O trabalho é coordenado por uma secretaria, sediada em São Leopoldo/RS.
-Visão: o COMIN atua dialogicamente com os povos indígenas, com comunidades civis e religiosas, visando a promover o direito à diferença entre pessoas e culturas, quando a igualdade as descaracteriza, e o direito à igualdade entre pessoas e culturas, quando a diferença as inferioriza. O respeito à diversidade étnica e uma vivência intercultural reconciliada constitue
m a base para uma sociedade plural.
-Metodologia: o COMIN apóia as prioridades colocadas pelos povos indígenas. Eles são os protagonistas do seu processo histórico. O poder público deve assumir suas atribuições e responsabilidades com base naConstituição Federal de 1988 (Art. 231 e 232) e na regulamentação decorrente. Nesse contexto, o COMIN assume o papel de agente solidário, de fomento e cooperação.
-Bandeiras: o direito indígena a políticas públicas diferenciadas em saúde, educação e sustentabilidade, a questão da terra e o diálogo inter- religioso, em espírito de solidariedade e respeito. Na sociedade , o COMIN se empenha pela superação de preconceitos e discriminação. A promoção da justiça e da reconciliação é o alvo das suas ações.
-Justificativa: a razão teológica e pastoral para o trabalho do COMIN está expressa na reconciliação e tem o Reino de Deus como horizonte. Assim, como, em Cristo, Deus se reconciliou com toda sua criação, nossa tarefa é trabalhar pela reconciliação entre os étnica e culturalmente diferentes e entre aqueles que a história de colonização transformou em inimigos sociais. Fazemos o nosso trabalho tendo numa mão a Bíblia e na outra a Constituição Federal.
Agradecemos a todos os membros da IECLB pela generosa participação na Missão entre Indígenas por meio da Oferta Nacional da IECLB, que, nesse ano, será recolhida no dia 20 de julho e se destina a melhorar saúde e nutrição de crianças e mães.
P. Ms. Hans Trein
Secretário Adjunto do COMIN