O tema inclusão não é novidade e, principalmente na Internet, é cada vez mais comum, encontrar matérias que explicam o que é deficiência e como incluir pessoas com deficiência no dia a dia. No entanto, é a partir da convivência que se consegue compreender melhor necessidades, limitações, desejos, sonhos e vontades. Assim como pessoas sem deficiência são diferentes entre si, pessoas com deficiência também o são. Conviver com pessoas com deficiência é uma experiência única e vai ser experimentada de forma diferente e única. Nessa caminhada, a visão e a aprendizagem a respeito do tema inclusão se modificam positivamente.
O encontro com pessoas com deficiência ainda não é algo comum em muitas Comunidades da IECLB. A falta de convivência torna o processo de inclusão mais difícil. Está na hora de ir ao encontro das pessoas com deficiência. É necessário conhecê-las, entender as suas vontades e necessidades para, a partir daí, garantir meios para que possam participar ativamente na vida comunitária.
Muitas vezes, julgamos as pessoas pelo que elas não conseguem fazer. Subestimamos a capacidade de pessoas com deficiência e decidimos o que devem fazer. Esquecemos que elas têm vontades e necessidades que devem ser respeitadas. Entretanto, é preciso ver o que a pessoa consegue fazer, quais habilidades ela desenvolveu. É preciso ter paciência e tempo para compreender cada pessoa, entender os gostos e as vontades, o que pode ser desenvolvido e onde a ajuda é necessária.
A pessoa com deficiência deve ter direito à autonomia, de decidir, se precisa de ajuda ou se pode fazer sozinha. O mais importante: as pessoas com deficiência continuam sendo pessoas! Elas gostam de assistir televisão, passear, navegar na Internet. Ficam tristes e felizes, são crianças, adolescentes, pessoas adultas e idosas. Passam pelas mesmas fases da vida que as pessoas sem deficiência e nem sempre têm vontade de fazer tudo que é exigido.
Ao conviver com pessoas com deficiência, aprendemos a dar valor a pequenas atitudes e avanços, mas também se aprende que é necessário impor limites e não aprovar atitudes que são incorretas só porque a pessoa tem uma deficiência. A educação é importante, assim como as metas para o desenvolvimento, sempre levando em consideração desejos, necessidades, capacidades e a fase de vida em que a pessoa está.
Dou a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês (Ez 36.26a). É este o sentimento após conviver, conhecer e trabalhar com pessoas com deficiência. A visão muda e se ganha realmente um coração e um espírito novo.
* Voluntária com crianças e adolescentes com deficiência no Evangelisches Johannesstift, em Berlim, na Alemanha
Sara Engel Voigt | estudante de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina*
Inclusão para a dignidade
Reconhecemos o quanto ainda precisamos construir para que todas as pessoas tenham vida digna, no caso, sintamse plenamente incluídas.
É por isso que convidamos as Comunidades a unirem-se nesta missão de sermos uma Igreja de todas as pessoas para todas as pessoas.
Como Igreja Cristã, reafirmamos que a Igreja é uma Comunidade de pessoas com dons diferentes e que se complementam.
Incluir as pessoas com deficiência e envolver-se com elas, respeitando o lema nada sobre nós sem nós, não é mera opção para a Igreja de Cristo. É característica essencial do ser da Igreja.
Carta Pastoral
Inclusão da Pessoa com Deficiência
Agosto/2011