A visitação a pessoas enfermas é uma das maneiras da Comunidade Cristã ser solidária, demostrando o seu amor e o seu cuidado para com a pessoa próxima, podendo, assim, servir com alegria. Nesse sentido, a visitação pode ser expressa, conforme o Reformador Martim Lutero diz: por meio do ‘diálogo mútuo e da consolação entre irmãos e irmãs’.
O diálogo é um dos requisitos para a visita. No entanto, é preciso estar disponível para as atitudes que envolvem o diálogo. O diálogo não significa somente falar e falar, mas também estar presente, em uma atitude amorosa e silenciosa.
Na visita, muitas vezes o silêncio perpassa o encontro. O silêncio é um momento de aquietar-se na presença amorosa de Deus e permitir que o Espírito Santo de Deus se manifeste e conduza a visita de uma maneira, de fato, consoladora, gerando sempre esperança e paz.
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A pessoa visitadora é representante da Comunidade que oferece comunhão, apoio, consolo, esperança e oração. |
Em alguns casos, a pessoa enferma não necessita de muitas palavras, mas de uma pessoa que esteja junto com ela, neste momento de dor, sofrimento e incerteza, alguém que escute com o coração, com um olhar misericordioso, um toque carinhoso.
É importante ficarmos atentos e atentas para que a doença ou outros casos parecidos tomem conta da visita. A ênfase sempre será na pessoa, que é criada à imagem e semelhança de Deus, que, em algum período da sua vida, está doente. Neste caso, a pessoa enferma sentirá que quem a visita está realmente interessada nela, ou seja, na sua vida e na sua história, podendo, assim, expressar os seus sentimentos.
Na visita, é importante escutar com total atenção e com o coração, recordar a demanda da pessoa enferma, escutar a si mesma, evitar falar demais, ter sensibilidade durante o diálogo, evitar julgamentos e preconceitos, estar realmente presente na visita e crer que somos instrumentos de Deus na visita e podemos ter a confiança que Jesus Cristo promete estar conosco, pois, quando as pessoas estão unidas para dialogar e se consolar mutuamente, Jesus Cristo está realmente presente.
Em seu Ministério, Jesus Cristo esteve com muitas pessoas, da mesma forma que visitou Marta e Maria, Zaqueu e a sogra de Pedro, que estava doente. Jesus, ao encontrar as pessoas, curava, perdoava os pecados, ouvia, festejava, falava sobre o amor de Deus e estava ao lado das pessoas nos momentos de alegria e de tristeza.
Já nas primeiras Comunidades Cristãs, em Tiago 1.27, vemos a importância de visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações. A visitação à pessoa enferma revela o cuidado da Comunidade Cristã, pois a pessoa visitadora é representante da Comunidade que oferece comunhão, apoio, consolo, esperança e oração.
Para refletir, leia Mateus 25.36-40
Pa. Ma. Ana Paula Genehr | Coordenadora Geral da Associação Beneficente Pella Bethânia, em Taquari/RS
Capelania Hospitalar: cuidado integral com o ser humano
O que fazer quando nos deparamos com uma pessoa doente, que chora, que fica em silêncio, que está na UTI? Essas são perguntas frequentes de pessoas visitadoras e familiares que acompanham os seus entes queridos na ida e vinda dos hospitais. É importante dizer que não existem respostas prontas, cada caso é um caso e cada pessoa reage de maneira diferente diante das circunstâncias da vida.
Para ajudar a pessoa doente e os seus familiares a enfrentar o contexto da enfermidade, existe o trabalho da Capelania Hospitalar, da Pastoral do Cuidado e tantos outros trabalhos junto às instituições hospitalares e às casas e abrigos. Este trabalho sugere-se que esteja integrado e vinculado ao trabalho de humanização que já existe na instituição, deve agregar aos resultados com toda equipe multidisciplinar do hospital e não pode ser algo que acontece desvinculado e competitivo aos demais trabalhos.
O trabalho de visitação
envolve toda a essência
do ser humano, que é a vida,
por isso necessita ser
realizado com amor,
respeito e cuidado. |
No entendimento geral, hospital é lugar/abrigo para cuidar da saúde, onde as pessoas buscam refúgio e proteção no momento de doença e fragilidade. A proposta da Capelania Hospitalar é exercer este cuidado integral com o ser humano diante do sofrimento, além de ser apoio e ajuda para a família que exerce também o papel de cuidado. Frágil e impotente diante da doença ou da morte, o ser humano geralmente busca, por meio da fé, refúgio e conforto para o seu momento de enfermidade. O trabalho de Capelania Hospitalar nas instituições de saúde traz o aspecto da humanização. Quando a pessoa se encontra enferma, ela busca meios possíveis de cura e bem-estar, saindo do ambiente frio e sombrio que muitas vezes a doença proporciona.
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde não é apenas a ausência de doença, mas o bem-estar humano no aspecto físico, psíquico e social. Todos estes ângulos precisam ser analisados e considerados ao se fazer a visitação hospitalar, por isso a importância do planejamento e da organização do trabalho e da capacitação de visitadores e visitadoras.
A Bíblia valoriza as pessoas doentes de forma especial, destacando a maneira de cuidado e visitação. O trabalho de visitação para pessoas enfermas tem destaque fundamental na prática de Jesus (Mt 25.36ss). Na atuação de Jesus, há referência para a visitação. Com o seu profundo amor e a sua misericórdia, Jesus vai ao encontro das pessoas desvalidas, oferecendo escuta, acolhimento e compreensão. Cristo ensinou que só é possível o amor a Deus se este amor se estende ao próximo (1Jo 4.20). O nosso servir e todas as nossas ações são frutos do amor de Deus em nós. Como repassar este amor às pessoas?
O trabalho de visitação envolve toda a essência do ser humano, que é a vida, por isso necessita ser realizado com amor, respeito e cuidado, como entendemos o ensinamento de Jesus: Como eu vos fiz, façais vós também (Jo 13.15). Motivados e motivadas pela prática e pelas as palavras do Mestre Jesus, somos chamados e chamadas a exercer o cuidado, estendendo o amor e a misericórdia que recebemos de Deus.
Para refletir, leia Romanos 12.3-8
Diác. Cátia Patrícia Berner | Coordenadora de Formação e Diaconia no Sínodo Uruguai