Na edição anterior do Jorev Luterano, junho, escrevi sobre a dificuldade que temos em elogiar e a facilidade que temos em apontar os erros cometidos pelas pessoas. Naquele momento, tentei mostrar que essas atitudes estão presentes nos mais variados espaços de convivência humana, como em casa, no trabalho e na Igreja.
Há um ditado popular que diz Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos. Nesse sentido, gostaria de falar um pouco sobre testemunhos que temos tido nestes espaços de convivência, especialmente na Igreja. Nesses casos, entendo que o testemunho de um Ministro, de uma Ministra se dá para além do momento do Culto, incluindo as relações de trabalho não ministerial.
Quando se ouve pessoas relatando e questionando atitudes de algumas dessas pessoas mensageiras da Palavra de Deus, fico pensando ‘Por que tanta cobrança, tanto perfeccionismo, até desrespeito nas avaliações de trabalhos e comportamentos, quando o que se espera dessas pessoas ‘especiais’, Ministros e Ministras, pessoas vocacionadas pelo próprio Deus, é um comportamento diferenciado em relação ao que encontramos na sociedade em geral?’. Tento entender…
Se a sociedade aponta o erro em vez de acolher e tentar, em conjunto, encontrar o caminho, pois ‘não ouviu a Palavra de Deus’, estas pessoas ‘já ouviram’, ‘já propagaram e propagam’ a Palavra de Deus… Por que, então, muitas delas agem como se não tivessem escutado ou se o seu coração não tivesse sido tocado pela Boa Nova? Onde está a fraternidade? Onde está o olhar de irmão, de irmã em Cristo?
Esperamos, nós, pessoas não ordenadas, leigas, pelo menos, um esforço no sentido de ter e demonstrar, por parte de Ministros e Ministras, mais compaixão, mais cuidado, mais solidariedade, mais compreensão com os erros e as fraquezas (afinal, até as pessoas vocacionadas erram!).
Penso que a atitude cristã seria apoiar, na proposta do ‘reforço positivo’ e não pela técnica do resultado, mas, sim e principalmente, pela ação do amor!!! Daquele amor que é tão propagado, daquele amor que perdoa, daquele amor que reconhece que o ser humano é falho, que reconhece, na outra pessoa um ser igual a si próprio. Enfim, daquele amor que reconhece em cada pessoa um filho amado e uma filha amada de Deus.
A proposta é: Vamos abraçar mais, mas abraçar ‘de verdade’? Assim, quem sabe, no futuro, não precisaremos mais usar a expressão ‘abraços fraternais’!
Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas (Rm 10.15), mas que também praticam essas coisas boas…