Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Lajeado foi convidada a refletir sobre o papel da comunidade na construção de espaços cada vez mais acessíveis e acolhedores. Com o tema “Cada pessoa do seu jeito, todas juntas pela inclusão”, a IECLB reforçou a importância de reconhecer cada pessoa em sua dignidade, história, dons e possibilidades.
Na Comunidade Evangélica de Lajeado, alguns passos já fazem parte dessa caminhada. “Quando falamos de inclusão, não estamos tratando apenas de algo que gostaríamos de fazer algum dia. De certa forma, já estamos vivendo esse compromisso entre nós”, destaca o Pastor Henrique Arnold.
A comunidade conta com rampa de acesso pela Rua Júlio de Castilhos, na lateral da secretaria, cadeira de rodas disponível na igreja e corrimão para auxiliar o acesso ao altar. Além disso, no terceiro domingo de cada mês, no culto da manhã, há a presença de intérprete de LIBRAS, ampliando as possibilidades de participação da comunidade surda.
Para o Pastor Henrique, embora essas iniciativas possam parecer simples individualmente, juntas representam uma decisão importante: “Queremos que a nossa comunidade seja um lugar onde diferentes pessoas possam chegar e participar. Queremos que a pessoa não precise perguntar se conseguirá entrar, chegar ao altar ou acompanhar o culto. Queremos que ela possa perceber que aquele espaço também foi pensado para ela.”
O trabalho com LIBRAS também representa um importante passo nesse processo. “Quando uma pessoa surda participa de um culto e encontra ali alguém que possibilita sua comunicação, não estamos simplesmente oferecendo uma tradução”, explica o pastor. “Estamos dizendo, por meio de uma atitude muito concreta, que aquela pessoa também pertence à comunidade, que a Palavra de Deus também é anunciada para ela, que a celebração também pode ser vivida por ela e que sua presença importa.”
A inclusão, porém, vai além da acessibilidade física. Ela também envolve uma transformação na forma de olhar e se relacionar com as pessoas. Como destaca Henrique, é preciso deixar de pensar apenas “o que essa pessoa precisa?” e começar a perguntar também “o que essa pessoa tem para oferecer?”.
Nesse sentido, a comunidade é chamada a reconhecer que cada pessoa possui dons, experiências e possibilidades que podem contribuir para a vida comunitária. “Uma pessoa com deficiência não chega à comunidade apenas para receber. Ela também traz dons, experiências, sensibilidades e perspectivas. Ela participa do Corpo de Cristo”, ressalta o pastor.
Que a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência seja, portanto, uma oportunidade para continuar aprendendo, ouvindo, adaptando espaços e transformando olhares. Afinal, inclusão também é criar condições concretas para que cada pessoa possa participar, contribuir e sentir que pertence. “Cada pessoa do seu jeito, todas juntas pela inclusão.”