MENSAGEM DA PRESIDÊNCIA DA IECLB
Junho – 2026
“Lembrem-se dos presos, como se estivessem na cadeia com eles; dos que sofrem maus-tratos, como se vocês mesmos fossem os maltratados.” (Hebreus 13.3)
Irmãs e irmãos em Cristo!
O lema do mês de junho se encontra em Hebreus 13.3. A carta foi escrita num contexto histórico em que muitas pessoas cristãs sofreram perseguição, eram presas, torturadas e mortas por causa de sua fé. Vários relatos mencionam a situação vivida pelos apóstolos no cárcere, como Paulo e Silas, Pedro e João, e João Batista, lembrado nesse mês nas festas juninas.
1. “Lembrem-se dos presos”. Hebreus nos alerta contra o esquecimento e a indiferença. Lembrar de pessoas presas é agir em favor delas: visitar, apoiar a capelania prisional, promover a dignidade humana, amparar suas famílias, incentivar a ressocialização e incluí-las em oração.
2. “Como se estivessem na cadeia com eles”. O autor da carta nos sensibiliza, nos chama à empatia, a ter um coração misericordioso: “… estive preso e vocês me visitaram” (Mateus 36). A palavra de Jesus, que conhecemos como parte das “obras da misericórdia”, radicaliza o amor exigente no discipulado: visitar as pessoas presas é parte integrante das nossas ações diaconais e do testemunho público da fé, é reconhecer a sua humanidade, oferecer escuta ativa, oração e aconselhamento, apoio emocional e espiritual, sem discriminação ou julgamentos. Significa olhar para nosso irmão, nossa irmã, como olhamos para nós mesmos, para nós mesmas.
3. “Dos que sofrem maus-tratos, como se vocês mesmos fossem os maltratados”. Esta palavra revela os maus-tratos que pessoas presas sofrem nos presídios, mas alerta para além dos presídios físicos. Ela alcança todas as pessoas feridas pela injustiça e pela violência, como o feminicídio e a violência contra as crianças. A superação dessa realidade de dor e sofrimento se concretiza através do servir ao próximo, por isso requer empatia, solidariedade, ajuda mútua e apoio.
João Batista também conheceu os horrores do cárcere. Foi preso e decapitado por denunciar a injustiça das autoridades em seus banquetes de opressão.
O pregador do deserto preparou o caminho do Senhor (Lucas 1.76), e nos ensina que o centro da nossa fé está em Jesus Cristo. “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”.
De um modo geral, o sistema prisional brasileiro enfrenta uma crise crônica marcada por superlotação, condições degradantes (insalubridade) e violência.
Diante disso, a Palavra de Deus nos questiona e, ao mesmo tempo, motiva à prática da misericórdia: “estive preso e vocês me visitaram”!
Temos dificuldade de realizar o que o texto de Hebreus nos sugere? Em Mateus 25.31ss lemos sobre o grande julgamento – as obras de misericórdia. Em 25.43: “estive enfermo e preso, vocês não foram me ver”.
Que o mandamento do amor nos inspire e oriente para uma diaconia solidária e amorosa, em oração e ação. E, vamos lembrar: quando a Igreja “se lembra” destas pessoas, não está fazendo favor. Está reconhecendo que, em cada pessoa presa e maltratada, Cristo continua encarcerado (Mateus 25.40). E, ao visitá-la, somos nós que somos libertados e libertadas do cárcere da indiferença.
Pa. Sílvia Beatrice Genz
Pastora Presidente
P. Odair Airton Braun
Pastor 1º Vice-Presidente
P. Dr. Mauro Batista de Souza
Pastor 2º Vice-Presidente