MENSAGEM DA PRESIDÊNCIA DA IECLB
Março – 2026
“Jesus chorou.” (João 11.35)
Irmãs e irmãos em Cristo!
Diante do túmulo de Lázaro, Jesus não apenas se compadeceu. Ele chorou. Ele não escondeu sua comoção e não foi indiferente. O Filho de Deus sentiu a dor da perda, o peso da morte e o sofrimento da morte de Lázaro. Neste gesto, vemos que Deus não está distante das nossas lágrimas, mas as acolhe e as faz suas.
Neste mês vivemos tempos em que há rios de lágrimas:
Choramos pela paz ferida. As guerras não cessam e continuam a semear morte e destruição. O som dos bombardeios é ainda mais forte que o eco do diálogo em torno da paz. Como não chorar diante de corpos de crianças estendidos sob os escombros, vítimas inocentes da incapacidade e falta de diálogo de governantes?
Choramos pela justiça negada. As lágrimas brotam dos olhos de um povo que vê o fruto do seu trabalho ser desviado pela corrupção que, dia após dia, é descoberta. São lágrimas de revolta ao ver que o dinheiro que deveria curar, educar e alimentar é consumido pela ganância de poucas pessoas, deixando feridas profundas na sociedade.
Choramos pela criação de Deus que geme. A Casa Comum está ferida. As mudanças climáticas, a poluição dos rios e a devastação das florestas nos mostram que temos sido pessoas péssimas na administração e no cuidado da bela criação de Deus. O choro da terra se confunde com o choro das pessoas pobres, que são as primeiras a sofrer com os desastres ambientais, que têm se tornado cada vez mais comuns.
Choramos pela vida desperdiçada. A violência que grassa nas cidades, os atos de feminicídio cada vez mais comuns, a insegurança que nos aprisiona em casa, a imprudência que mata no trânsito… tudo isso entristece e faz questionar: onde está o respeito pela vida?
Há muitos motivos para chorar. A Quaresma nos dá licença e coragem para isso. Não somos pessoas chamadas a uma fé superficial que ignora a dor. O choro de Jesus em Betânia não foi um ponto final. As lágrimas de Jesus umedeceram a terra seca do sepulcro e, em seguida, veio a ordem: Lázaro, vem para fora! (Jo 11.43). A tristeza de Jesus abriu caminho para a manifestação da glória de Deus.
Choramos, mas com os olhos fixos no Cristo Ressuscitado. A nossa fé não se baseia na ausência da dor, mas na certeza de que aquele que chorou por Lázaro venceu a morte para sempre. A Páscoa que nos espera é a garantia de que o último ato da história não é o sepulcro, mas a vida plena. Neste caminho para a Páscoa, somos pessoas chamadas a transformar as nossas lágrimas em compromisso a favor da vida e da criação de Deus.
Que, neste mês de março, ao meditarmos sobre o choro de Jesus, possamos entregar a Ele as nossas lágrimas e as lágrimas do mundo. E que, ao final da Quaresma, possamos celebrar, com a alegria da fé, Aquele que enxugará toda a lágrima dos nossos olhos e nos dará a vida em abundância (João 10.10).
Pa. Sílvia Beatrice Genz
Pastora Presidente
P. Odair Airton Braun
Pastor 1º Vice-Presidente
P. Dr. Mauro Batista de Souza
Pastor 2º Vice-Presidente