Na última sexta-feira ensolarada em Florianópolis, a pequena Igreja Luterana parecia maior do que de costume. Não porque suas paredes tivessem crescido ou porque os vitrais estivessem mais altos. Não. O que cresceu ali dentro foi outra coisa: a esperança.
Era o encontro do Dia Mundial de Oração, esse movimento que une cristãs e cristãos de diferentes lugares do mundo em oração e solidariedade, que foi preparado pelo comitê do DMO de mulheres/irmãs da Nigéria/África. Na proposta que consta na Liturgia desse Culto estão relatadas suas histórias de lutas e a certeza de que a fé em Deus as ajuda a ter esperança numa Nigéria melhor do mais justa.
Quem entrasse naquele templo veria algo simples e, ao mesmo tempo, profundamente bonito. Bancos ocupados, mãos abertas, pessoas em pé, outras em silêncio. Gente de muitas histórias diferentes, mas todas reunidas por um fio invisível chamado fé.
Num determinado momento, tomei o microfone. Primeiro falei com alegria. Depois, num gesto espontâneo – desses que não estavam ensaiados, mas que dizem muito – vesti a camiseta do Instituto Luterano Campos Verdejantes.
Pronto. A mensagem estava dita duas vezes: pelas palavras e pela camiseta.
Ali estava ela contando sobre um lugar em Campo Alegre onde pessoas com deficiência encontram cuidado, dignidade e companhia. Um lugar onde famílias descobrem que esperança não é um discurso – é um trabalho diário.
Enquanto ela falava, as pessoas presentes ouviam atentas. Outras talvez pensassem em suas próprias histórias. Mas toda aquela gente sabia que aquele culto não era apenas um encontro religioso. Era uma ponte.
E pontes servem para ligar mundos.
Porque naquele mesmo ano, junto com o Campos Verdejantes, outras iniciativas também seriam alcançadas pela corrente de solidariedade: o Projeto Acreditar, em Pelotas, ajudando crianças a aprender e mães a sonhar novos caminhos; e a Associação de Assistência Social de Castrolanda, em Castro, abrindo espaços para que crianças e adolescentes descubram que o futuro ainda tem muitas portas.
Depois do culto veio o café. E, como todo bom café de igreja sabe fazer, ele transformou pessoas que não se conheciam em gente conversadora.
Ali surgiram perguntas, histórias, comentários sussurrados e olhares curiosos. Eu, naturalmente, continuei minha missão informal: explicar, contar, convidar, inspirar. Quem já participou de um café de comunidade sabe que é nesse momento que muitas sementes são plantadas.
No final, quando as mãos se levantaram para a bênção, talvez ninguém tenha percebido totalmente o tamanho do que estava acontecendo.
Mas era grande.
Porque naquele instante simples – numa igreja iluminada por vitrais, com pessoas comuns de pé em frente aos bancos – algo invisível atravessava o planeta.
Uma corrente silenciosa ligando igrejas, cidades, projetos e pessoas.
É por isso que o Dia Mundial de Oração continua existindo há tanto tempo. Porque ele nos lembra de uma verdade antiga e teimosa: Quando a oração encontra o cuidado, e quando a fé encontra a solidariedade, até um pequeno culto pode fazer o mundo ficar um pouco maior.
Autora:
Vami Ione Becker
Diácona Emérita
Associada Fundadora do ILCV
Reside em Florianópolis
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